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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Na década de 30 Porto Alegre olhava para o rio Guaíba e nele navegava

 

Nas quatro primeiras décadas do século vinte a navegação fluvial e lacustre era algo comum na vida dos gaúchos que viviam nas proximidades das lagoas e cursos dágua. Porto Alegre, especialmente, beneficiava-se desse delicioso e moroso meio de transporte, não somente de passageiros como de carga, e que se valia sobretudo de vapores para ligar a capital gaúcha à "interland" do Rio Grande do Sul em uma época em que viajar pelas estradas de terra batida era um verdadeiro suplício. Mais de vinte companhias operavam no Estado na década de vinte e trinta, com saída do cais do porto, no centro de Porto Alegre, e levando famílias inteiras para Cachoeira do Sul, Taquara, Mariante, Encantado, ou então - de modo ainda mais cotidiano - Pelotas e Rio Grande. Nesta propaganda, extraída do Correio do Povo de outubro de 1936, vemos o anúncio da Navegação Tavares, que fazia a ligação para a cidade de Palmares do Sul, no centro-sul do território rio-grandense. 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Quatro dias para o Rio, a bordo dos paquetes de luxo da Navegação Costeira

 

Navios da Costeira. O termo era mais do que usual no Rio Grande do Sul - e também no Brasil - na primeira metade do século, época em que a navegação de cabotagem, ao longo da extensa costa marítima brasileira, transportava centenas de milhares de passageiros, em viagens longas, fatigantes e também, por certo, também extremamente prazerosos. Porto Alegre, a última capital brasileira, ao sul, vivia tudo isso intensamente, com grande movimentação de pessoas no cais do porto, no centro, um local ainda elegante e que centralizava, verdadeiramente, a vida da cidade. Em 1935, ano do centenário da Revolução Farroupilha, a Revista do Globo, da família Bertaso, publicava este anúncio, informando sobre a saída de vapores, de passageiros e de cargas, que seguiriam para outros destinos ao longo do litoral brasileiro, os "paquetes de luxo". A Costeira, da família Lage, era a maior e mais prestigiosa companhia de navegação nacional naquela época. Note-se que uma viagem marítima ao Rio, capital da república, durava quatro longos dias. Imaginem para Belém do Pará.