O Felizardo
Jornal do bairro Jardim Botânico. Porto Alegre, RS. Brasil. Fundado em 25 de março de 2019. jornalofelizardo.blogspot.com - email: vitorminas1@gmail.com
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Antigo Vale do Sabão é o Botânico de hoje
Flagrante: primeira comunhão na antiga igreja de São Luís, na rua Guilherme Alves. Esta igreja situava-se onde, hoje, está sendo construída a nova. A foto não está datada.Possivelmente é do final dos anos sessenta. O retrato pertence à coleção pessoal de dona Dorsa, antiga moradora do JB, e foi obtida por intermédio de seu Rui Cintra, comerciante e também antigo morador do bairro, residente na rua Itaboraí.
Oficialmente, o Jardim Botânico nasceu no ano de 1959, pela lei número 2022, de autoria do vereador e historiador Ary Veiga Sanhudo. Nesse ano foram oficializados inúmeros outros bairros de Porto Alegre. A história do Jardim Botânico corre paralela à da avenida Ipiranga e da canalização do riacho Dilúvio, obras que levaram décadas. No passado, toda essa região ribeirinha ao rio, desde a Agronomia até o Beira-Rio, era conhecida como o “Vale do Sabão”, uma área baixa e alagadiça. As constantes inundações do arroio eram um sério problema.
Oficialmente, o Jardim Botânico nasceu no ano de 1959, pela lei número 2022, de autoria do vereador e historiador Ary Veiga Sanhudo. Nesse ano foram oficializados inúmeros outros bairros de Porto Alegre. A história do Jardim Botânico corre paralela à da avenida Ipiranga e da canalização do riacho Dilúvio, obras que levaram décadas. No passado, toda essa região ribeirinha ao rio, desde a Agronomia até o Beira-Rio, era conhecida como o “Vale do Sabão”, uma área baixa e alagadiça. As constantes inundações do arroio eram um sério problema.
Em seu livro “Crônicas da Minha Cidade”, que parece ter sido escrito na década de 50, o historiador Ary Veiga Sanhudo é profético quando ao futuro promissor da região - “a zona mais próspera da cidade”. Escreveu ele, meio século atrás:“O bairro São Luiz, como aliás foi por muito tempo conhecido, não apresenta verdadeiramente qualquer notabilidade maior do que as ajardinadas terras do nosso futuro horto botânico. É um lugar de condições modestas e pela circunstância de se achar encravado entre o Riacho e o cerro de Petrópolis, viveu sempre jugulado à sua embaraçante situação de bairro sem uma via própria de acesso com maior desenvoltura. A sua radial, todavia, é a perimetral rua Barão do Amazonas. (...) No entanto, não nos cabe dúvida que, no dia em que as formidáveis laterais do Arroio Dilúvio – avenida Ipiranga – estiverem completamente urbanizadas, propiciando o extraordinário tráfego desse imenso Vale do Sabão, desde a Agronomia até a Beira-Rio, todo este bairro, como os demais quarteirões ribeirinhos, tomarão outro aspecto e constituirão a zona mais próspera da cidade”.
QUERO-QUERO – Há menos de vinte anos, o Correio do Povo (23 de maio de 1987), em matéria da jornalista Magda Wagner, traçava um perfil do JB: “É um bairro tranquilo, de ruas largas, que mais parece uma cidade do interior (...) Em frente ao maior conjunto habitacional do bairro, na rua Felizardo Furtado, nos deparamos com uma inesperada plantação de agrião, reforçando a idéia de que o Jardim Botânico é, no mínimo, um bairro diferente. Os quero-queros, ave típica dos descampados, proliferam no bairro, alimentados pelas folhas de agrião.” Antes de ser Vila São Luiz, o JB chamava-se Vila Russa, o que é explicado pela presença de imigrantes russos que chegaram aqui no início do século passado, instalando-se na parte alta, do outro lado da hoje avenida Doutor Salvador França.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
sábado, 24 de janeiro de 2026
Veja bem o spoiler
Teve uma época do "veja mais". Os sujeitos começavam, sempre, com o "veja bem". Inclusive intelectuais incensados. Hoje a mídia fala em "spoiler" pra tudo. "Vou dar um spoiler" é comum nestes tempos obscuros. Os do futebol não dizem mais "corresponder" e sim entregar. entregar, que era sinônimo do jogador mal intencionado, quer dizer que fez ou não fez o esperado. Oportunizar, que nem existe no dicionário, é moeda comum. Já algumas palavras sumiram, devido ao politicamente correto, caso de Mulata, ou de Cabrocha, ou - no caso do RS - acabou-se o uso da palavra "chinoca". Clichês que se revezam. Uma das que sumiramé "salafrário" para o indivíduo escroque, mau caráter.
A mídia não quer a simplicidade. Perguntem para o cidadão comum, aquele que compra um livro por ano na feira do livro, e ele não saberá explicar. Bom, mude-se para os EUA, como os mineiros, fujam da polícia - vocês que preferem ser humilhados lá fora em troca de um punhado de dólares em vez de ficarem na própria terra, boa ou má, mas a sua terra. Aliás, não sou tão contra o Trump quando manda caçar essa gente. Humilhação não tem preço.
Finalizando: 40 por cento dos médicos brasileiros não "entregam" o necessário (pesquisa deles próprios), porém a mídia (imprensa) e suas faculdades de jornalismo são ainda piores.(V.M)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
O casamento de Brizola e Neusa
Com apenas 28 anos, mas já deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro - do qual era uma das mais promissoras lideranças regionais - Leonel de Moura Brizola saiu na página social do Correio do Povo naquele dia 3 de março de 1950: dois dias antes o jovem político e engenheiro casara-se, em Porto Alegre, com Neusa Goulart Brizola, que vinha a ser irmã de João Goulart - futuro presidente do Brasil, deposto em 1964. Uma importante personalidade (na verdade, padrinho do enlace) se fez presente: Getúlio Vargas, também natural da terra da noiva, São Borja, onde vivia retirado na sua fazenda do Itu (localizada no município de Itaqui e não São Borja). O casal seguiu em viagem de lua-de-mel "para o Prata", como informou o CP.Neste dia 21 Neusa Goulart Brizola faria aniversário. E neste dia 22 de janeiro, hoje, quinta-feira, seria a vez do seu marido. Ela nasceu em 1921, ele em 1922. A reprodução é do Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho.
Neusa, a companheira inseparável do líder trabalhista
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| Neusa, quando jovem:trocou pretendente rico por um jovem engenheiro chamado Leonel. |
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| O casal permaneceu junto até o final. |
Ela foi a grande companheira de Leonel Brizola (falecido) - e, em toda a sua vida, habituou-se a conviver com o poder. Isso, porém, não a impediu de ter uma existência sofrida, cheia de altos e baixos, e de, por uns tempos, tornar-se alcoólatra.
Neuza Goulart Brizola, mulher do ex-governador gaúcho e fluminense - o amado e odiado homem que garantiu a Legalidade e a posse de Jango, irmão de Neusa - faleceu em 7 de abril de 1993, uma quarta-feira, aos 71 anos de idade, na clínica Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, onde morava. O laudo atestou infecção generalizada e sérios problemas respiratórios. Foi enterrada em São Borja, assim como Jango, assim como Getúlio Vargas (que foi seu pardinho de casamento), assim como Leonel, também falecido (sem ter nunca ter realizado o seu sonho de se presidente).
Elegante, discreta, bonita, Neuza conheceu Leonel em uma convenção do Partido Trabalhista Brasileiro, em São Borja, onde nasceu, ainda nos anos quarenta. Conta-se que trocou um outro pretendente rico por um jovem engenheiro em início de carreira política. Quando casaram-se, ela tinha 28 anos - e nunca se arrependeu da opção: a união dela com o temperamental Brizola parece ter sido amorosa, senão apaixonada. O marido chamava-a de "queridinha", era seu confidente e amigo. Foram apaixonados por toda a vida e tiveram três filhos - João Vicente, João Otávio e a problemática Neusinha - recentemente falecida.
Não era para menos: ao lado do líder trabalhista, Neuza suportou muitos anos de exílio (15 longos anos) e perseguições políticas em terras estranhas, sem jamais esmorecer. Antes, quando Brizola era governador do Rio Grande do Sul, chegou a doar uma de suas sete fazendas - que herdou dos pais - para a reforma agrária que seu marido promoveu no Estado, e vendeu outras quatro para garantir o sustento da família, no período da Ditadura, quando viveram no Uruguai e depois em Portugal e nos Estados Unidos. Vendeu mais uma, quando voltaram ao Brasil, em 1979, para comprar o apartamento na avenida Atlântica, em Copacabana - o QG de Brizola, e onde morou até a sua morte.
DEPRESSÃO - Os primeiros seis anos de exílio foram duros. No frio Uruguai, viveram em um apartamento sem calefação ou ar condicionado. Depois a família mudou-se para uma fazenda, a 250 km de Montevidéo - lá não havia energia elétrica ou telefone. Mulher prendada, pela primeira vez obrigou-se a cozinhar. Disse mais tarde, sobre isso: "Só quem passou pelo exílio sabe como é triste ser brasileiro fora de sua pátria".
Em 1983, no Brasil, tratou-se durante 75 dias, nos Estados Unidos, de uma crise de depressão, algo cada vez mais comum - sequer chegou a asistir à posse do marido no Palácio Laranjeiras. Mais tarde internou-se em uma clínica para recuperação de alcoólatras, na Espanha.
Em 7 de janeiro de 1993, em Nova York, foi internada às pressas em um hospital, com uma úlcera perfurada. Permaneceu dois meses na UTI, sedada. Carinhoso, Brizola a visitava duas vezes por dia e passava longas horas à beira da cama, afagando seus cabelos. Alguns dias antes da sua morte, sem poder falar, trocava bilhetes com o marido.
Talvez por tudo isso, Neuza abusava dos calmantes e antidepressivos, bebia muito e fumava. Em 1986, ela e Leonel combinaram de parar de fumar - o que ele conseguiu, ela não. A esse tempo já havia se submetido a uma operação para a retirada de um tumor em um dos seios. Sofreu também com as brigas entre seu marido e o irmão Jango - reconciliados enfim em 1976, pouco antes do presidente deposto morrer.
Os Velhos Álbuns
* Revirando velhos álbuns de
fotos de décadas passadas, da chamada "Idade de Ouro", fui na Internet e
descobri que, daqueles meus amigos de colégio lá da urbezinha distante, quase
todos se tornaram ou prefeitos, ou vice, ou vereadores, ou secretários
municipais, algo desse nível. Não é muito, muita coisa, claro, até porque o
cara tem que ser alguma coisa de alguma coisa, até dá um reconforto descobrir
isso.Ou seja, quase todos prestavam. Ou tinham ambições políticas. Ou
enganavam bem. *Ah, os álbuns de fotografias, com aquelas cores desbotadas dos
anos setenta. Pois é, usávamos então calças bocas de sino e, apesar de menores
de idade, o que mais apareciam nos retratos eram as festas, os risos e as
garrafas de cerveja. *Tempos dos rolos de filmes, da revelação, da espera.
*Comprei a minha primeira câmera com uns 15 anos de idade. Curiosamente - mesmo
ainda sendo a Guerra Fria, me caiu às mãos uma máquina polonesa meio primitiva
porém representativa de um grande avanço: a regulagem, com abertura e
velocidade, a base de tudo. *A minha - repassada pelo retratista local (que
queria me contratar para trabalhar com ele) - dizia "Made in Polska". Ou seja,
era polonesa, ainda do tempo do comunismo e do bloco soviético. Não sei de
onde saiu. A abertura máxima era 4.5 e a velocidade ia até 250. Com aquele
bichinho, que me dava um certo vaidoso ar profissional, fotografei todos os
meus colegas do Banco do Brasil e a boa vida que levavam então. *O BB naqueles
tempos tinha o status de maior empresa nacional, maior até do que a Petrobrás.
*Os funcionários do BB, todos concursados, ganhavam bem, trabalhavam seis
horas por dia e desfrutavam de 14 salários anuais. O sonho de muitas moças do
interior era casar com um desses caras. *Falei dos filmes de rolo. Pois estão
aqui, arquivados, visíveis, encontráveis, à vista de todo mundo. Hoje, porém,
se der um xabu gigantesco no sistema de informática global ou se aparecer um
vírus universal terrível, tudo que está na memória dos computadores e no
celular, pode ser comido, destruído, apagado - e aí adeus tia Chica, adeus
lembranças, adeus selfies. É um risco real. *Nelson Rodrigues se dizia um
reacionário, abominava as coisas da juventude e aconselhava os jovens:
"Envelheçam." Costumava afirmar que aos 20 anos o sujeito não sabia nem dizer
boa noite para sua namorada. Foi publicado aqui no RS na Folha da Tarde, se
não me engano, com sua coluna "A Vida como Ela É". * Nelson tinha suas
invocações. Uma era com as estagiárias de jornal que ele chamava de
"estagiárias de calcanhar sujo", pela movimentação, correrias, jeito descolado
e pelas sandálias gastas que usavam. Ou o "idiota de babar na gravata", ou de
"saúde de vaca premiada". Nunca saiu do Brasil, seu mundo era o bairro do
Méier. *É difícil viver em sociedade, diz uma vizinha. Disse-o quando, em
pleno elevador lotado, um sujeito deu um arroto homérico sem o mínimo
constrangimento. Fazer o quê. Na China, pelo que falam, é sinal de boa
educação e de estar satisfeito com o almoço quando o convidado arrota à mesa.
*Na Bahia, uma vez, me deram feijão doce, com açúcar, para provar. é algo de
fundo religioso, me explicaram. Consomem numa boa. * Na fronteira era costume
- não sei se continua - comer ovo frito com açúcar. Deve ser algo meio
uruguaio, meio charrua. *Continuo adorando a palavra "carniceria" para
açougue. Dependendo da falta de luz, tão comum, a casa de carnes frescas pode
mesmo virar uma carniceria. *Gosto é gosto, costume é costume, já disse aquela
velhinha do jegue. Não sou a favor, nem contra, só não me peçam para usar
aquele beiço de pau do Cacique Raoni. Como é que se consegue dormir com
aquilo, é algo retirável, não entra mosquitos, eis as minhas perguntas. *Os
Hunos, feios como o diabo, amarravam e deformavam a cabeça dos bebês, para
alongá-las. Ficavam com aparência de ETs, eles que já eram horríveis e fediam
mais do que cachorro molhado. *Os antigos romanos, entre os seus conceitos e
preconceitos, tinham o de não suportar o fedor dos gauleses, atuais franceses.
Não à toa o sistema de abastecimento de Roma era um primor da engenharia e bem
distribuído por uma cidade que chegou a mais de 1 milhão de habitantes, quase
dois mil anos atrás. *Augusto dos Anjos era um gênio da poesia. Morreu aos 30
anos, em 1912, de tuberculose. É dele, no seu único livro" (Eu) tem "um urubu
pousou na minha sorte", "a mão que afaga é a mesma que apedreja", "o beijo,
amigo, é a véspera do escarro". Gosto muito do verso em que diz que fez
"ultra-epilépticos esforços." *Augusto dos Anjos lia e escrevia em latim e
grego e era versado em outras línguas. Pra ver como era o intelectual daquele
tempo. Materialista, promovia sessões espíritas. Foi desprezado e até
humilhado pelos críticos e intelectuais da época porém caiu no gosto do povo
brasileiro, que o consagrou. "Eu, filho do carbono e do amoníaco, monstro de
escuridão e rutilância." Seu livro é um clássico. Para editá-lo pediu dinheiro
de um irmão ou coisa assim e só tirou mil exemplares. *Morrer aos 30 anos
ninguém merece. Já essa história de viver até os 100 é uma bobagem custosa.
Chega uma hora em que o indivíduo já viu o filme e só quer mesmo é sair do
cinema, mesmo com medo. Dormir é bom, se tiver algo mais, melhor ainda.
*Conheço homens simples, sem instrução formal, sem formação em literatura, que
o declamam até hoje, em bares, sobretudo. Em butecos populares não faz muito
apareciam tais tipos assim, simplórios, de profissões humildes, que falavam
apaixonadamente a respeito de um único livro que os impressionou. Conheci um,
na fronteira, pai de um amigo meu, louco pelo Hemingway e seu O Velho e o Mar.
*Olho pela janela. O povo foi sequestrado daqui e deve estar na praia, praias
cada vez mais superlotadas. Turismo em massa é uma praga. Conheci a Camboriú
antiga, deliciosa (mesmo já poluída). Hoje está um troço inclassificável.
Edifícios de 80 andares não dá pé, chega a oprimir. *Praia é muito bom, porém,
como tudo, enjoa. Todavia entrar no mar, nadar, boiar e caminhar em horários
desertos faz um bem danado .
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
No tempo do Força e Luz e do estádio da Timbaúva
Um dos pequenos grandes clubes da capital, o Força e Luz é outra agremiação esportiva que não mais existe. Formado, em sua origem, por funcionários da Carris - empresa pública de bondes - o Força e Luz chegou a ter o melhor estádio de Porto Alegre - localizado onde, dizem, será mais um hipermercado Bourbon, entre a Ipiranga e a Protásio Alves, nas proximidades do quartel dos Bombeiros. O "estádio" da Timbaúva - esse era o nome - sediou grandes jogos, embora fosse uma modestíssima quadra de esportes, como eram todos os centros esportivos da primeira metade do século 20 em Porto Alegre. Mas o "ferrinho" tem suas glórias e sua história, como se vê nesta matéria do Correio do Povo de 1935.
A praga do turismo
Camboriú, nos anos setenta, já era um grande balneário, com muitos edifícios, uma espécie - como repetia a imprensa então - de Copacabana do Sul. O mar era poluído, pois não havia o emissário cloacal que depois se construiu. Mas nós, crianças e adolescentes, não ligávamos muito para isso. Eu gostava especialmente de caçar caranguejos na praia, à noite, junto com um primo meu, já falecido. Todo verão nós íamos veranear lá, no apartamento de um tio, na avenida Atlântica. Depois fiquei muitos anos sem ir a Camboriú, e sigo sem ir faz tempo. Mas fiquei sabendo que agora é uma cidade de inúmeros e altos edifícios, incluindo um, de 81 andares, cuja cobertura foi comprada pelo jogador Neymar. Caramba, 81 andares, o mais alto da América do Sul, dizem, com orgulho, vejam só, os próprios catarinenses. O novo Inferno na Torre. Fala-se que faz sombra e tira o sol da faixa de areia. Pudera: eles se espelham em Miami. Mas a Camboriú que eu gosto não é Miami, era aquela da década de 70, quando a grande praga - o turismo - nem se comparava aos dias de hoje. Sou da opinião de que o turismo em massa é um mal, e que destroi tudo e a tudo reduz a vulgaridades. Um turismo feito, como dizia Nelson Rodrigues, para o "cretino fundamental" - a boiada de 98% da humanidade. Vejam o caso de Florianópolis, que conheci quando tinha uns 150 mil habitantes, uma cidade adorável. Uns dez anos atrás, ou até mais, passei de novo por lá, e encontrei congestionamento de trânsito, custo de vida cada vez mais caro, e uma gente de fora e sem noção caminhando nas ruas. Adeus, bela Floripa do passado. Adeus Camboriú. O turismo é mesmo uma peste. O mau gosto venceu.(V.Minas)
Festival de Gramado no verão
Pouca gente lembra, mas o Festival de Cinema Brasileiro de Gramado, no RS, já foi realizado em pleno verão, isso nos seus primórdios, nos anos setenta, como se vê nesta edição de número 4, em janeiro de 1976. Talvez com maior importância e glamour do que hoje, o Festival - naquela data - homenageou Grande Otelo, um dos maiores nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileira. As reproduções são do Correio do Povo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Casa na rua Serafim Terra, 35 CTG na Ipiranga com 18 de Setembro e edifício dos anos 60 na rua Felizardo, esquina Terceira Perimetral
domingo, 11 de janeiro de 2026
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Depoimento do saudoso morador Joel Marques Duarte, já falecido sobre o JB no passado. Sua família é da rua Itaboraí
As duas fotos abaixo foram feitas em dezembro de 1961 ou 1962, por ocasião de uma primeira comunhão da igreja de São Luís (que, na época, ainda não era paróquia). Naquele tempo as comunhões, como é o caso desta, aconteciam na Fundação Zoobotânica, junto ao pórtico. Joel Marques, já falecido, morador da rua Itaboraí, escreveu do próprio punho estas lembranças ainda no ano de 2008. Mantivemos a grafia original devido ao seu valor histórico.


Joel e sua história - AO longo dos meus 56 anos de convivência neste(s) lugar(es), muita coisa passou, procuro citarsomente as boas.
NO inicio da minha infância, as margem de arroio e chácaras, localizadas ao londo da Serafim terra
e felizardos;(onde dois felizardo se encontram) rua felizardo e felizardo furtado.
Você já ouviram falar no fim da linha, conhecido também como bar dos mocelins, o PORQUE?
NOS anos 50 a 70 ali era o paradouro dos ônibus da vila, ficando conhecido até hoje como fim da linha.
EXISTIA também no fim da linha, o único colégio da vila\bairro que se chamava, escola estadual Otavio de
Souza, onde cursei o primário de dia depois a sexta serie a noite. Antigamente para se subir ou seja, cursar o ginásio,
cientifico ou clássico, prestava se exames, chamados admissão, depois do cientifico ai se prestava ou concorrido
vestibular;tempos mudaram.
Estou procurando não relatar as mesmas historias dos outros entrevistados, já mencionados neste
blog. conselheiro x......(VAMOS DAR APOIO, ACESSANDO E MANDANDO INFORMAÇÕES, CRITICAS, FOTOS E
SUGESTÕES, ACESSE).
É IMPOSSÍVEL, para eu não mencionar e existências de chácaras, feiras livre, campos de futebol, colônia agrícola, fabrica de carroças, fabrica de gaiola, fabrica de rapadura, fabrica de doces, além do belo e grandioso parque natural
zoobotanico, e outras coisa mais..?
VOCÊ SABIA QUE NOS ANOS 50 A 60 AS NOSSAS MISSAS MENSAISQUINZENAISSEMANAIS
eram primeiramente realizados no hol de entrada do colégio e posteriormente passou para o HOL de entrada do JARDIM
BOTÂNICO, onde realizei minha primeira comunhão , realizados pelo padre, frei capuchinho da igreja Sto Antonio. foto
A COMUNIDADE MUITO LUTOU , PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA IGREJA, QUE SE CHAMOU
SÃO LUIS GONZAGA.
NAminha in INFÂNCIA morei na Serafim terra, onde hoje os amigos, colegas e vizinhos não moram mais,
existia o clube SÃO LUIS, onde se jogava, ping pong, bocha, cartas,, futebol e churrascadas também bailes. terminou tudo
POR QUE?
Continuo a procurar relatar algumas fatos da época; falaram da ind. de carroças, mas também
havia uma industria, fabrica de gaiola, onde trabalhei, localizada na rua Itaboraí;AS GAIOLAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA
TER UMA AVE DE QUALQUER ESPÉCIE. TAMANHOS, ESPAÇAMENTOS, COMEDOUROS E BEBEDOUROS ADEQUADOS.
-Existiam a fabrica de rapadura, localizada na rua Guilherme Alves, produto de ótima qualidade,fabrica
de sabão, localizada na rua roque Gonzaga, fabrica de doces, localizada na trav. municipal e outras caseiras.
-No botânico, ali existia ou existe uma das maiores estufas de cactos, plantas originário de desertos,
e outros fins, quase todos os tipos, uma floresta natural ao longo de sua extensão que ant igamente termina na av.Ipiranga com Cristiano Fischer e Tibiriçá com salvador França e outras ruas. hoje foi tomada, uma parte, pelo hospital da puc, escola, ginásio
clubes, centro metereologico e residências, mesmo com a perda de vários hectares, continua cada vez mais lindo. pouco divulgado
um dos lugares mais calma pelos amantes da natureza e tranqüilidade com segurança.
-Você sabia que na vilabairro existiu um dos maiores carnavais de porto alegre, inclusive tendo elegido
a rainha do carnaval de porto alegre. foram realizados carnavais nas rua surupa, felizardo e barão do amazonas onde encerrou
os anos carnavalesco do povo do bairro. Tempo onde o povo podia se divertir mais nas ruas e havias blocos da alegria, onde qualquer roupa era fantasia.
-Você sabia, que nos anos 60\70 havia feiras livre, localizada na rua Itaboraí, entre a salvador Franca e Serafim terra, onde ali se encontrava quase todos os residente da vila\bairro, com o passar dos anos, foi absorvidas pelas
grandes redes de supermercados, sendo quase extinto esse meio de comercio.
NOS ANOS 90 E SÉCULO, HOUVE UMA TENTATIVA DE REATIVAR COM A FEIRA DOS FRUTOS E
HORTIGRANJEIROS, na mesma rua, nas a burguesia ali existente boicotaram, realizando varios abaixo assinados, guase que
expulsaram os feirantes, que foram colocados agora na RUA felizardo furtado.
você sabia que existia uma delegacia de policia na vila\bairro nos anos 50 a 60, hoje nada, a muito
custo um posto da brigada militar.
você sabia que havia 2 a 3 clubes sócias na vila\bairro e hoje.?
VOCÊ JÁ OUVIA FALAR NO CLUBE RECREATIVO AMERICANO, ele existe;ONDE?TEM LOCALIZAÇÃO? TEM SÓCIOS? TEM PRESIDENTE? ONDE ESTA.......!
Na minha juventude anos 60\70 ainda existia alguns campos de futebol, aos sábados era concorrido
as disputados, para as famosas beladas, no campinho na esef, começa meio dia ia até oito da noite.
Você sabe o que e reunião dançantes, isto era realizados quase todos fins de semanas nas casas
dos colegas, onde bebidas de álcool era proibidos, somente refrigerantes e salgados.
Hoje se fala muito em DJ, pois nos anos 60\70 existia uns dos maiores , SATURNO HI FI, maior
discotecário, quase uma bando de sons. e luzes. aminava os grande bailes no AMERICANO e outros clubes, festas, casamentos
e outros. acho que possui uma das maiores coleções de discos fitas de musicas de todos os gostos, seu Saturno é vivo
ainda, perto de 90 anos, continua fanático por música, deve estar fazendo outra coleção agora de cds, acho.
houve uma turma de jovens, que gostavam de futebol, que fundou um dos melhores time de futebol,
jogadores somente residente no bairro. com idade entre 15 a 20 anos, o primeiro fardamento foi feito de sacos e açúcar
foram tingidos pela dna Antonia, e as camisetas feita pela dna Isaura,ambas vivas, as cores da camiseta eram verdes,
posteriormente apos varios jogos, conseguimos adquirir um fardamento completo, camiseta, calção e meias, de cor branca.
onde surgiu o nome do time JUVENTUS, JOGAMOS VÁRIOS jogos em nosso cAMPO UNIVERSAL, HOJE SUPERMERCADO
BOURBON, FICAMOS quase que 50 jogas sem perder ao longo de quase dois anos, jogos em viamão, alvorada, e outros campos, nossa sede, era na garage do treinador sr. Cloro, que orientava estes atletas, Leandro,Luis(goleiros)Beto, rude(lat. dir)
Joel(zag.cent)HELIAR(quart zag)Gerson(lar.esq)Milton(Centro médio) ferrinhos(meio esq)Ademir(meia dir),negrinho(ponta dir)
joão Carlos(centro avante),NEGO(ponta esq) e outros como, Vilmar,Cleber,marinho,Juarez, Danilo, etc.
você sabia que no bairro havia uma das maiores industria de doces do rs=vontobel sa. no passado
estava localizada na rua trav.municipal, seu proprietário gostava de festas, principalmente juninas, onde havia fogueiras, e farta
distribuição de comidas e bebidas.
O BAIRRO JÁ CRESCIA BASTANTE ANTES, DEVIDA SUA LOCALIZAÇÃO, PERTO DO CENTRO,
BAIRRO CLASSE MEDIA =BAIXA E RESIDENCIAL, AGORA OUTROS TEMPOS; NÃO HÁ MAIS CAMPOS DE FUTEBOL.
CLUBE SOCIAIS,INDUSTRIAS, FEIRAS, CABARÉS; AGORA ELITE, MOTÉIS DE LUXO, EDIF. NOBRES, BANCOS,
SUPERMERCADOS DE LUXOS, LOTAÇÃO, PERIMETRAL E OUTROS........
.
*VIVA OS MORADORES DO JARDIM BOTÂNICO*
EM TEMPO; DESCOBRIRAM QUE SOU...........
GRATO
JOEL MARQUES DUARTE, morador da rua Itaboraí, Jardim Botânico
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Carlos Nobre deixou saudades
José Evaristo Villalobos Júnior - mais conhecido como Carlos Nobre - faleceu no dia 16 de dezembro de 1985 e deixou saudades em quem tem hoje mais de meio século de vida. Natural de Guaíba, Nobre foi, sem dúvida, o maior humorista gaúcho depois do Barão do Itararé, ou talvez até rivalizasse com ele. Sua página na Zero Hora, sempre com fotos de muitas mulheres bonitas e preferencialmente com pouca roupa, era a mais lida do jornal. Suas tiradas e aforismos hilários misturam o humor gaiato do povo com a crítica social e a sofisticação da inteligência crítica. Por exemplo, nada mais atual do que esta, de um humor amargo: "Já está na hora do Brasil voltar a brincar de "pega ladrão".
Nesta reprodução da Revista do Globo, de abril de 1961, Nobre aparece assinando o contrato de sua renovação com a Rádio Gaúcha, já que era um humorista completo, de jornal, rádio e televisão.(V.Minas)
Nem faz tanto tempo assim: era o final de 1994, Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha tomado posse como novo presidente e o Brasil se preparava para receber a rede mundial de computadores em seu território, a Internet. Em uma época em que os computadores eram, pelos padrões atuais, pesadas geringonças domésticas e que o "disquete" reinava como última palavra em tal tecnologia, a nova ferramenta prometia um "paraíso para quem precisa de informações". Já antevista como um salto para o futuro, a Internet - vejam só - contava com apenas 30 milhões de usuários em todo o mundo e talvez nem mesmo os mais otimistas imaginariam que se transformaria no que é hoje. A revista Veja, em 21 de dezembro daquele ano, publicou esta matéria intitulada "uma janela para o mundo". Note-se que o acesso era feito por telefone.(V.M.)
sábado, 27 de dezembro de 2025
A década de 40 foi muito importante para o desenvolvimento da aviação comercial brasileira, culminando, no pós-guerra, com a criação de mais de 60 companhias de aviação por todo o Brasil, o qual se tornava o segundo país nesse quesito em todo o mundo, só perdendo para os Estados Unidos. A Panair do Brasil era então uma das empresas aéreas mais conceituadas, fazendo importantes rotas no Brasil e no exterior. Seus serviços de bordo, de primeira, e seus aviões, os mais modernos. Nesta reprodução do CP de julho de 1940 vemos a chegada do DC-2, um avião para 14 passageiros que faria a rota Porto Alegre-Rio de Janeiro, com escalas em outras capitais.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
É, os tempos mudaram mesmo, e o Brasil evoluiu também economicamente, como vemos nesta reprodução do jornal Correio do Povo, de 1941. O artigo fala das exportações brasileiras, que deram um grande salto com a Segunda Guerra Mundial. Note-se que o País era essencialmente uma nação agrária, de produtos primários, já que na lista das principais exportações não aparece nenhum dos industrializados. O café, como sempre. lidera a lista, seguido por algodão e carnes.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Mister Barrick, um inglês que apitava Grenais
Mister Barrick, o Velho Jack, deixou saudades nos gramados
gaúchos
Luís Fernando Veríssimo lembra dele apitando grenais, e o
citou em uma de suas crônicas. Carlos Heitor Cony, jornalista e escritor, já
falecido, recordava o gol do Brasil contra o Uruguai que ele anulou pela antiga
Copa Rio Branco. O certo é que sua figura faz parte da história do futebol
gaúcho, brasileiro e sul-americano nos anos que se seguiram ao término da
Segundo Guerra Mundial.
Seu nome: Cyril John Barrick, o “velho Jack”, que o Correio
do Povo definiu como “o consagrado e
fleumático árbitro britânico que tanto bem anda fazendo ao futebol gaúcho”,
o “número 1 do mundo”.
Ninguém sabe exatamente – ou talvez alguém ainda saiba – como
o “velho Jack” chegou ao Rio Grande do Sul naquela segunda metade dos anos
quarenta, já consagrado como um juiz de primeira grandeza no futebol inglês. O
que se presume é que numa Inglaterra devastada e empobrecida pela Segunda
Grande Guerra ele tenha resolvido procurar trabalho em querências mais pacíficas
e ensolaradas e onde o esporte bretão também era amado, o que já acontecia com
colegas seus. O velho Jack, a julgar pelas fotos, já deveria contar os seus
quarenta e tantos anos quando deixou a Velha Albion castigada pelos bombardeios
nazistas e veio para a América do Sul ganhar uns trocados para sustentar a
família que ficara na Europa.
O certo é que aqui o “velho Jack” ganhou respeito e deixou
saudades por onde passou e apitou, em especial no Rio Grande do Sul, estado que
foi, tudo indica, sua porta de ingresso no mundo futebolístico sul-americano. Versátil
e disposto a tudo por um punhado de libras que remetia todo mês para a família,
Mister Barrick apitou tanto jogos da seleção brasileira como partidas amistosas
em surrados e toscos campos de futebol. Ter Mister Barrick apitando era uma
espécie de certificado de qualidade. Exótico e famoso, o Velho Jack virava uma
atração à parte.
Ao que parece, Mister Barrick foi inicialmente contratado
pela Federação Rio-grandense de Futebol para apitar os jogos do campeonato
citadino. Mas, malandramente, bem no jeitinho brasileiro, esta passou a
emprestá-lo a outros centros do País. Assim o velho Jack apitou nos Eucaliptos,
na Baixada, em São Januário, no Pacaembu, no Maracanã, no estádio da Timbaúva,
na Chácara das Camélitas, na Colina Melancólica... Apitou jogos do Brasil
contra outras seleções e apitou clássicos platinos, onde também tinha fama. A
Federação gaúcha o emprestava, cobrava por isso, e nem sempre repassava o
dinheiro ao fleumático e tolerante inglês.
Quantos anos ficou Mister Barrick no Brasil? Será que voltou
para a sua Inglaterra ou resolveu se aclimatar nos trópicos? O mais provável é
que tenha voltado: cansado da desorganização do futebol brasileiro e das
promessas não cumpridas, às vezes o Velho Jack botava a boca no trombone, como
em abril de 1950, alguns meses antes da Copa no Brasil. Conforme o Correio do
Povo noticiou, Barrick estava insatisfeito e, pior, sentia-se explorado pelos
dirigentes esportivos gaúchos:
“Por ocasião de sua recente ida a Caxias do Sul, a convite do
presidente do Nacional, que é também presidente do Departamento de Futebol da
Capital, o laureado apitador britânico queixou-se amargamente da maratona a que
estava sendo submetido, atuando várias vezes em uma semana, por ocasião da
temporada do Peñarol em nossos gramados. A um dos nossos cronistas, Mister
Barrick alegou sentir dores na coxa direita, à altura dos rins, dizendo a
impossibilidade em que se achava de continuar a apitar partidas fora dos termos
do compromisso, ou seja, mais de três durante uma semana. Mister Barrick chegou
a falar em rescisão do contrato, caso fosse obrigado a trabalhar além das suas
forças. Agora o Departamento de Futebol da Capital acaba de tomar outra
deliberação que está merecendo crítica nos círculos esportivos. É que os clubes
uruguaios, Nacional e Peñarol, solicitaram por empréstimo a presença do Velho
Jack em campos orientais para um torneio quadrangular que pretendem realizar
juntamente com clubes brasileiros. Os maiorais do nosso futebol de pronto
aquiesceram, condicionando-o a uma questão de data e, mais, exigiram 25 mil
cruzeiros por arbitragem, devendo o apitador, por sua vez, perceber 5 mil
cruzeiros em cada uma.”
“Isso quer dizer, pura e simplesmente, que o Departamento de
Futebol da Capital resolveu que os clubes uruguaios venham a pagar os
honorários de Mister Barrick pelos próximos quatro meses, com a visível
economia de 100 mil cruzeiros para os clubes”
E assim conclui o Correio do Povo: “Ora, Mister Barrick não é
nenhuma criança, e qualquer dia, quando achar que está sendo mal empregado, não
terá dúvida alguma em pedir a rescisão do seu contrato a fim de continuar o seu
verdadeiro apostolado esportivo em qualquer outro centro mais adiantado do que
o nosso e onde não sirva unicamente de atração para rendas, ou – o que é pior –
para evitar que os clubes tenham que entrar com dinheiro para suprir as
modestas arrecadações auferidas com as não menos modestas exibições de seus
esquadrões de profissionais..."
É, o Velho Jack, o apitador número 1 do Mundo, deixou
saudades em terras gaúchas, mas será que nós deixamos saudades nele?
JB nasceu com o novo Plano Diretor
Oficialmente, o Jardim Botânico nasceu no ano de 1959, pela lei número 2022, de autoria do vereador e historiador Ary Veiga Sanhudo. Nesse ano foram oficializados inúmeros outros bairros de Porto Alegre, com a criação de um novo Plano Diretor para a cidade.
A história do Jardim Botânico corre paralela a da avenida Ipiranga e da canalização do riacho Dilúvio, obras que levaram décadas. No passado, toda essa região ribeirinha ao rio, desde a Agronomia até o Beira-Rio, era conhecida como o “Vale do Sabão”, uma área baixa e alagadiça. As constantes inundações do arroio eram, então, um sério problema.
Em seu livro “Crônicas da Minha Cidade”, que parece ter sido escrito na década de 50, o historiador Ary Veiga Sanhudo é profético quando ao futuro promissor da região - “a zona mais próspera da cidade”. Escreveu ele, meio século atrás:
“O bairro São Luiz, como aliás foi por muito tempo conhecido, não apresenta verdadeiramente qualquer notabilidade maior do que as ajardinadas terras do nosso futuro horto botânico. É um lugar de condições modestas e pela circunstância de se achar encravado entre o Riacho e o cerro de Petrópolis, viveu sempre jugulado à sua embaraçante situação de bairro sem uma via própria de acesso com maior desenvoltura. A sua radial, todavia, é a perimetral rua Barão do Amazonas. (...) No entanto, não nos cabe dúvida que, no dia em que as formidáveis laterais do Arroio Dilúvio – avenida Ipiranga – estiverem completamente urbanizadas, propiciando o extraordinário tráfego desse imenso Vale do Sabão, desde a Agronomia até a Beira-Rio, todo este bairro, como os demais quarteirões ribeirinhos, tomarão outro aspecto e constituirão a zona mais próspera da cidade”.
QUERO-QUERO – Há menos de vinte anos, o Correio do Povo (23 de maio de 1987), em matéria da jornalista Magda Wagner, traçava um perfil do JB:
“É um bairro tranquilo, de ruas largas, que mais parece uma cidade do interior (...) Em frente ao maior conjunto habitacional do bairro, na rua Felizardo Furtado, nos deparamos com uma inesperada plantação de agrião, reforçando a idéia de que o Jardim Botânico é, no mínimo, um bairro diferente. Os quero-queros, ave típica dos descampados, proliferam no bairro, alimentados pelas folhas de agrião.”
Antes de ser Vila São Luiz, o JB chamava-se Vila Russa, o que é explicado pela presença de imigrantes russos que chegaram aqui no início do século passado, instalando-se na parte alta, do outro lado da hoje avenida Doutor Salvador França.
Antes de ser Vila São Luiz, o JB chamava-se Vila Russa, o que é explicado pela presença de imigrantes russos que chegaram aqui no início do século passado, instalando-se na parte alta, do outro lado da hoje avenida Doutor Salvador França.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Futebol eficiente, aplicação, valentia e preparação: o Grêmio é campeão mundial de 1983
| Correio do Povo: chamada de página inteira para a transmissão de Tóquio |
Um jogo de muita aplicação e pouca inspiração. Assim a revista Veja de 21 de dezembro de 1983 noticiou a conquista, pelo Grêmio Porto-alegrense, do título mundial de clubes disputado em Tóquio, no Japão. A final, de uma só partida, sem interferência da Fifa, se chamava Copa Toyota – em alusão ao patrocinador – e também Copa Intercontinental, por envolver os dois grandes continentes futebolísticos, Europa e América. Em 2017, a entidade reconheceu o Grêmio como legítimo campeão mundial de clubes daquele ano.
Sob o título “Carnaval em dezembro – o Grêmio Ganha o campeonato Mundial de Clubes e brilha na entre-safra do futebol”, a revista semanal de maior circulação do País destacou o contexto desanimador do futebol brasileiro de então, que vinha da decepcionante derrota da seleção na Copa de 82, disputada na Espanha. “Qual o País que, vivendo uma crise de entressafra como a que estamos atravessando, consegue fazer dois campeões mundiais em apenas três anos?”, perguntava, em tom de desafio, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Giulite Coutinho. Ele se referia não só à conquista do tricolor gaúcho como também, dois anos antes, a do Flamengo, do Rio, que havia se sagrado campeão mundial na capital do Japão ao vencer do Liverpool da Inglaterra por 3 a 0. Desta vez, ao superar o Hamburgo da Alemanha por 2 a 1, o Grêmio de Porto Alegre – ainda segundo Veja – “teve competência suficiente, além de muita valentia, para vencer um adversário que ganhou o campeonato europeu e acaba de ser eleito pela revista inglesa Word Soccer a melhor equipe do ano em todo o mundo”. O Hamburgo havia sido campeão da Liga dos campeões da UEFA ao vencer a Juventus de Turim por 1 a 0. O Grêmio, por sua vez, conquistara pela primeira vez a Libertadores ao bater o Penharol de Montevidéu, no Olímpico Monumental, por 2 a 1 no segundo jogo.
Veja apontava que “sempre exigentes, torcedores de outros clubes lamentaram a falta de grandes jogadas e toques mágicos ao longo de uma partida transmitida pela TV para milhões de espectadores em todo o planeta”, para em seguida ressaltar a apoteose que foi a chegada da delegação tricolor à capital gaúcha: “Os gremistas não tinham do que se queixar: fiéis ao código das paixões do futebol, eles improvisaram um carnaval em dezembro para festejar, em Porto Alegre, o mais luminoso título já alcançado em toda a história do clube”. Traçando uma analogia do futebol eficiente do Grêmio no Japão, no dia 11 de dezembro, com o da seleção canarinho que brilhou na Espanha, mas não chegou ao título ao perder para a Itália no estádio de Sarriá, em Barcelona, a 5 de julho de 82, a revista sentenciou: “De que adianta formar um time de artistas se a vitória não viera?”
O feito do Grêmio, 35 anos atrás, tinha também explicações extra-campo, como destacou a publicação da Editora Abril, ao referir-se à minuciosa preparação do escrete tricolor e à custosa – para a época – infraestrutura que precedeu o confronto no Estádio Nacional de Tóquio: “Até que o zagueiro uruguaio Hugo de León, capitão do Grêmio, pudesse levantar a taça em Tóquio, o time gaúcho teve de cumprir uma dura, demorada trajetória, durante a qual se viu compelido a mexer no time e nos cofres. O atacante Tita, por exemplo, um dos heróis da conquista da Libertadores da América, em julho, foi requisitado pelo Flamengo, que o emprestara ao Grêmio, e abriu vaga para o veterano Paulo César Caju, responsável por uma bisonha atuação no jogo de Tóquio.
A preparação do Grêmio para a decisão em Tóquio havia durado quatro meses, com um gasto de mais de 300 mil dólares, pagos pelos patrocinadores japoneses, e incluía concentrar os jogadores em uma estância climática em Gramado, importar teipes das partidas do Hamburgo e fretar um avião para levar 300 pessoas ao Japão.
Veja aproveitou a ocasião para entrevistar um gremista ilustre que, já longe do poder, pouco falava com a imprensa – o ex-presidente brasileiro, general Emílio Garrastazzu Médici, então com 78 anos. Médici interrompeu o seu retiro de verão em Dom Pedrito, na campanha gaúcha, para seguir de carro, em companhia da mulher, até Porto Alegre, onde, segundo explicou, a televisão pegava bem melhor do que em sua fazenda. Gremista fiel, o general torcia também pelo Flamengo, e pelo São Paulo, que naquele ano havia perdido o título estadual para o Corinthians. Feliz e aliviado, Médici considerou que “o jogo foi muito duro, emocionante durante todo o tempo”, especialmente na prorrogação. Mas comemorou: “Também não é brincadeira, o Grêmio é campeão do mundo!”. E ainda alfinetou a torcida colorada: “O Inter só é campeão gaúcho porque o Grêmio preferiu se poupar para o título mundial.” Para o ex-presidente do regime militar, o Grêmio já tivera times melhores: “O dos últimos anos, por sinal, eram superiores ao atual”.
Com a taça de campeão mundial de clubes nas mãos, uma comitiva gremista seguiu para Brasília no dia 29 de dezembro de 1983 a fim de mostrar ao então presidente João Batista Figueiredo e ao chefe da casa civil da presidência da República e conselheiro do Grêmio, Leitão de Abreu, o troféu conquistado no Oriente. Estavam lá o novo presidente, Alberto Galia, o recém saído Fábio Koff, o patrono Fernando Kroeff e o presidente do conselho deliberativo, Flávio Obino, além de Pajheu Macedo Silva e Pedro da Silva Pereira.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Moradores do Botânico lembram do Verão da Lata
No dia 22 de setembro de 1987 um navio chamado Solana Star estava sendo perseguido pela Marinha Brasileira, apoiada por agentes do Drug Enforcement Agency ((DEA), órgão anti-drogas norte-americano. Acuados no litoral do Rio de Janeiro - Angra dos Reis - eles largaram toda a sua carga ao mar, a uma distância de 100 milhas marítimas do litoral e, em seguida, se dirigiram sorrateiramente ao porto do Rio, onde abandonaram o navio. A bordo ficou apenas o cozinheiro da embarcação, o norte-americano Stephen Shelkon - imediatamente detido e, depois, condenado a 20 anos de cadeia, cumpridos no presídio Ari Franco, do RJ.
O episódio do Solana Star virou lenda: navio procedente da Austrália (outros dizem que da Indonésia), com destino aos Estados Unidos, carregado com cerca de 20 mil latas de maconha (22 toneladas), (1,25 kg cada lata), das quais apenas 10% foram apreendidas - o restante foi jogado ao mar e acabou chegando às praias brasileiras, no trecho entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul.
O episódio do Solana Star virou lenda: navio procedente da Austrália (outros dizem que da Indonésia), com destino aos Estados Unidos, carregado com cerca de 20 mil latas de maconha (22 toneladas), (1,25 kg cada lata), das quais apenas 10% foram apreendidas - o restante foi jogado ao mar e acabou chegando às praias brasileiras, no trecho entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul.
As latas continuaram chegando à costa até o mês de março, fazendo daquele verão (1988) o "verão da lata". Acondicionados em latas de alumínio, fechadas a vácuo, com canabis sativa de altíssima qualidade, foram - dizem muitos - o "último suspiro hippie do Rio de Janeiro" ("A maconha vinha do mar, como dádiva de Deus", comentou um consumidor). O carregamento teria sido feito no porto de Cingapura - o Solana Star tinha bandeira panamenha.
O "verão da lata" jamais foi esquecido pelos apreciadores do produto, dentre os quais se incluem muitos gaúchos e catarinenses. Levada pelas correntes oceânicas, a maconha chegou com fartura ao litoral do Rio Grande do Sul e ensejou viagens alucinadas à sua procura. Muitos a revenderam e, ilegalmente, ganharam dinheiro com isso. A maioria, porém, apenas fumou uma erva de elevado teor de THC. O Verão da Lata acabou virando filme - com o diretor João Falcão - e livro ("O Verão da Lata", de Oscar Cesarotto, editora Iluminuras, 2005). Muitos comentam que "fora do País, ninguém acredita que isso aconteceu". Mas aconteceu. Veja o depoimento de alguns que viveram esse episódio e assumem que o fizeram.
"Eu encontrei em Cidreira, naquele tempo ia pros butecos todo dia. Encontrei uma lata, o restante do pessoal pegou o resto. Aí veio a Polícia Civil. Mas não tinha como segurar todo mundo. A maconha vinha vedada, totalmente vedada, se abria com abridor de lata. Da nossa turma só pegamos uma, mas a notícia se espalhou. Quem tinha automóvel em Porto Alegre saiu adoidado percorrendo a orla e se deu bem. A lata era amarelada. Foi a melhor maconha que até hoje entrou no Brasil".
Hélio, "Mão", 46 anos, morador do Jardim Botânico.
"Encontrei surfando, em Magistério. Vi a lata boiando, peguei e fui ver o que era. Fechamos dois e fumamos. Foi de dia. De noite é que soubemos da notícia. Era uma paulada. Coisa boa"
Alex, 40 anos, morador do Jardim Botânico
"Me falaram que tinha um bagulho forte na praia, em Pinhal. Fui de moto ver e encontrei. Trouxe umas cinco latas de lá. Era só camarão. Peguei um quase nada e ele molhou. Foi o melhor bagulho que eu fumei em 50 anos, dizem que era indiano, era melhor que manga-rosa e cabeça-de-negro. A cor do bagulho era amarela, tinha que abrir com abridor de lata. Dava um cheirão, era prensada a vácuo."
G.B., morador do Jardim Botânico
"Fumei a da lata. Daquele, nunca mais vai aparecer. Eram umas latas parecidas com azeite, amarelas. O efeito era melhor do que cocaína. Não existia coisa melhor. Era um tempo de curtição. Tinha gente que saía de carro daqui, para ir ao litoral, buscar".
C.P., morador do Jardim Botânico.
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
Bebeto Alves e Leo Ferlauto em 1976
Bebeto Alves,já falecido, é um músico muito conhecido do cenário musical gaúcho, e Leo Ferlauto uma referência na área de arranjos e percussão. Em 1976 os dois eram jovens (Bebeto mal havia completado 22 anos) e estreavam, naquele mês de novembro, um novo espetáculo no teatro da Escola de Artes, em Porto Alegre. O show teria duas únicas apresentações, noticiou o Correio do Povo, conforme a reprodução acima.
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