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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Os 40 anos do nosso Condomínio: inaugurado pelo Presidente do Brasil e pelo Governador do Estado



O Condomínio, quando da época da sua construção: antes o local era uma chácara de agrião.


Estava lá, na contracapa da edição de sábado, 30 de outubro de 1976 do jornal Correio do Povo, sob o título “Inaugurados Hospital da PUC e Bloco de 944 Apartamentos”:
“O Presidente da República presidiu, na manhã de ontem, os atos de inauguração do Núcleo Habitacional Felizardo Furtado, com 944 apartamentos, e o Hospital Universitário da PUC. Acompanhado pelo governador Sinval Guazzelli, pelo chefe do gabinete militar da Presidência da República, general Hugo de Abreu, e pelos ministros Rangel dos Reis e Arnaldo da Costa Prietto, o presidente chegou ao bairro Jardim Botânico, onde foi construído o núcleo habitacional, às 9 horas e 30 minutos, sendo aguardado pelo prefeito Guilherme Socias Villella, pelo diretor-superintendente do INOCOOP, Renato Eickstaed, e demais autoridades. Estudantes de todo o bairro e bandas marciais saudaram o chefe da Nação em sua chegada ao Núcleo Habitacional Felizardo Furtado. No local, o presidente Ernesto Geisel solicitou amplas informações sobre a obra que custou 130 milhões de cruzeiros, interrogando principalmente o diretor-superintendente da INOCOOP. A seguir entregou a chave de um apartamento a Eduardo Araújo, o primeiro morador do Núcleo”.
PROGRAMAÇÃO ELEITORAL - Na verdade o presidente Geisel havia chegado ao Estado na quinta-feira, seguindo imediatamente a Santo Ângelo, onde abriu oficialmente a colheita do trigo. Em seguida foi a Caxias do Sul e lá inaugurou o Centro de Tecnologia e Pesquisa da Universidade de Caxias do Sul, UCS.Era, em essência, uma agenda política, pois estava-se às vésperas das eleições municipais (as únicas permitidas para cargos executivos) e Geisel queria dar “um empurrãozinho” no seu partido, a Aliança Renovadora Nacional, Arena. Ele também esteve em Estrela, sua terra natal, e em Bom Retiro, onde inaugurou outras obras e fez um discurso sobre a importância de “se votar bem”.
No Conjunto Felizardo Furtado, Geisel e comitiva descerraram a placa de inauguração, conheceram um apartamento e depois seguiram para o Hospital da PUC.Durante a inauguração do conjunto habitacional, o Presidente da República foi saudado pelo presidente da Cooperativa Habitacional que construiu o “núcleo” (INOCOOP), Gilberto Rodrigues. Segundo transcreveu o Correio do Povo, Rodrigues, ao se referir à obra e ao presidente Geisel, falou em “libertação” dos trabalhadores:“Esse momento, consagrado com a presença de Vossa Excelência, significa a libertação de 944 famílias de trabalhadores que passam da condição de inquilinos e peregrinos de tetos alheios, a proprietários da casa própria”.
Na realidade, o Conjunto de 944 unidades, 8 prédios, 62 mil metros quadrados de obras (iniciadas em fevereiro de 1974), beneficiava famílias com renda mensal de cinco a oito salários mínimos – ou seja, era um condomínio para a classe média baixa. As prestações eram relativamente suaves (menores que o aluguel correspondente) e longas, o que atraiu um grande número de interessados.
VENDIDOS NA PLANTA - A maioria dos apartamentos, de um, dois e três dormitórios (poucos), havia sido vendida na planta, antecipadamente. Um empreendimento desssa magnitude, é claro, atraiu a atenção do mercado imobiliário e de muitos especuladores que viram uma boa oportunidade de lucrar com a revenda dos imóveis, como se pode ver pelos anúncios classificados do Correio do Povo (o maior jornal da época). No domingo, 31 de outubro, lia-se no CP:“Transfere-se vários apartamentos com um, dois e três dormitórios, living, banho social, cozinha e área de serviços. Conjunto novo com play-graud, estacionamento e área verde. Conj. Residencial Felizardo Furtado. Chaves em nosso poder. Diversos preços e condições. Tratar Riachuelo, 1513, s/loja, f.244471.” Outro anúncio, na mesma edição, dizia: “Preciso urgente de um apto no parque residencial FF. Negócio direto. Tratar f. 255004”. Dezenas de anúncios desse tipo – bem antes da data oficial da inauguração – saíam regularmente na imprensa.

No alto, o então prefeito Guilherme Socias Villela e João Antonio Dib,  O primeiro é hoje vereador. Abaixo, uma visão do condomínio nos dias de hoje.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Seu Alécio Caselani, figura inesquecível do Jardim Botânico, em seu antigo bar



Que mandar!”. “Apatola!”.




Nesta foto, do arquivo do Conselheiro X, aparece seu Alécio Caselani, uma das figuras mais conhecidas do bairro Jardim Botânico. Descendente de italianos, ele faleceu em um sábado, no dia 13 de setembro de 2008, no Hospital São Lucas da PUC, onde estava internado. Havia alguns anos seu Alécio havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral, enfrentando uma difícil recuperação que, afinal, não se concretizou. Ele tinha pouco mais de 80 anos e sempre trabalhou no ramo de armazém e bar. Deixa dois filhos, sendo um a odontóloga Denise, que trabalha também no Botânico.
Quais os frequentadores do bar do seu Alécio que não lembram do seu jeito cordial e calmo de atender a todos? Personagem das mais queridas do JB, aonde chegou no final dos anos sessenta, seu Alécio Caselani teve um armazém de secos e molhados na Felizardo e, depois, o seu tradicional bar, inicialmente na esquina com a Barão (onde hoje está a farmácia de dona Léa), transferindo-se depois para a metade da quadra, alguns metros adiante (hoje funciona um salão de cabeleireiras no local). Ali trabalhou durante vários anos até enfrentar problemas de saúde e encerrar seu negócio. Natural de Carlos Barbosa, casado com dona Idalina, certamente deixará saudades. Na foto ele aparece ao lado de Ademar, também já falecido.