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quinta-feira, 6 de março de 2025

O riacho que divide e até encanta o bairro

Desde quando se chamava Vila Russa e, depois, Vila São Luís, o Jardim Botânico sempre manteve uma estreita ligação com o Arroio Dilúvio (ou Riacho Ipiranga). Os moradores mais antigos ainda se lembram dos banhos e das pescarias que aconteciam em uma época de poucos automóveis, de chão batido, de bondes, de chácaras - enfim, de uma existência quase rural.
O Riacho de agora é poluído e já não tem peixes - até recentemente (hoje foi saneadoa) apenas toneladas de toda espécie de lixo que ali eram jogados diariamente e que, na ex- "Capital da Qualidade de Vida", correm para o Guaíba sem nenhum tratamento.
A despeito disso, quem percorrer as suas margens (hoje repletas de moradores de rua) ainda encontrará cenas bucólicas como esta - a de uma bela árvore que se debruça sobre as águas, como a mirar-se vaidosamente.

quinta-feira, 28 de março de 2024

Ilhota, a primeira grande favela de Porto Alegre

 A Ilhota - a primeira grande favela de Porto Alegre - estava localizada às margens do arroio Dilúvio, . Habitada, obviamente, por moradores pobres e, em sua maioria, negros ou pardos, era mal vista pelos demais porto-alegrenses, que a consideravam um local de marginais e ladrões - o que, em certa medida, era verdade. Mas o fato é que foi habitada por uma esmagadora maioria de trabalhadores que davam duro para ganhar a vida. Vivendo em sub-habitações, os moradores da Ilhota eram, inevitavelmente, as primeiras vítimas das grandes enchentes que assolavam a capital gaúcha, entre elas a fantástica cheia de 1941. Considerada uma chaga urbana, todos os prefeitos anunciavam que iriam removê-la, o que aconteceu aos poucos e foi consumado durante o governo de Guilherme Socias Villela, na década de 70, quando se construiu o bairro da Restinga, hoje uma verdadeira cidade, e para onde foram transferidas as famílias. Na Ilhota, diga-se de passagem, nasceram gaúchos ilustres, como o compositor Lupicínio Rodrigues e o craque Tesourinha. Nesta reprodução do Correio do Povo de 1966 - portanto, há mais de meio século - o conhecidíssimo fotógrafo Santos Vidarte (uma legenda do fotojornalismo gaúcho) retrata o que era aquela "maloca".



sábado, 14 de maio de 2016

Um poético Riacho Ipiranga ao final da tarde de maio

Visto assim, ao final de uma tarde de outono, o riacho Ipiranga - ou arroio Dilúvio - tem, quem diria, uma inusitada aparência bucólica e até poética. Canalizado, com suas águas plácidas tingidas pelas cores do belo poente porto-alegrense, o principal curso dágua que corta a capital gaúcha chama a atenção pela calma tão destoante do trânsito pesado da avenida e da agitação urbana ao seu redor. Hoje dragado com certa constância, já sem o cheiro fétido de tempos atrás, o riacho que aterrorizava a cidade durante as cíclicas enchentes do passado continua a ser, geograficamente, o que sempre foi: a divisa entre as partes sul e norte de porto Alegre, e a separação entre os bairros Partenon, ao sul, e Jardim Botânico, ao norte. A foto é do Conselheiro X, com sua velha Minolta SRT-101, filme Kodak Pro-imagem, ISO 100.