Mostrando postagens com marcador bairro jardim botanico de porto alegre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bairro jardim botanico de porto alegre. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Os Velhos Álbuns

* Revirando velhos álbuns de fotos de décadas passadas, da chamada "Idade de Ouro", fui na Internet e descobri que, daqueles meus amigos de colégio lá da urbezinha distante, quase todos se tornaram ou prefeitos, ou vice, ou vereadores, ou secretários municipais, algo desse nível. Não é muito, muita coisa, claro, até porque o cara tem que ser alguma coisa de alguma coisa, até dá um reconforto descobrir isso.Ou seja, quase todos prestavam. Ou tinham ambições políticas. Ou enganavam bem. *Ah, os álbuns de fotografias, com aquelas cores desbotadas dos anos setenta. Pois é, usávamos então calças bocas de sino e, apesar de menores de idade, o que mais apareciam nos retratos eram as festas, os risos e as garrafas de cerveja. *Tempos dos rolos de filmes, da revelação, da espera. *Comprei a minha primeira câmera com uns 15 anos de idade. Curiosamente - mesmo ainda sendo a Guerra Fria, me caiu às mãos uma máquina polonesa meio primitiva porém representativa de um grande avanço: a regulagem, com abertura e velocidade, a base de tudo. *A minha - repassada pelo retratista local (que queria me contratar para trabalhar com ele) - dizia "Made in Polska". Ou seja, era polonesa, ainda do tempo do comunismo e do bloco soviético. Não sei de onde saiu. A abertura máxima era 4.5 e a velocidade ia até 250. Com aquele bichinho, que me dava um certo vaidoso ar profissional, fotografei todos os meus colegas do Banco do Brasil e a boa vida que levavam então. *O BB naqueles tempos tinha o status de maior empresa nacional, maior até do que a Petrobrás. *Os funcionários do BB, todos concursados, ganhavam bem, trabalhavam seis horas por dia e desfrutavam de 14 salários anuais. O sonho de muitas moças do interior era casar com um desses caras. *Falei dos filmes de rolo. Pois estão aqui, arquivados, visíveis, encontráveis, à vista de todo mundo. Hoje, porém, se der um xabu gigantesco no sistema de informática global ou se aparecer um vírus universal terrível, tudo que está na memória dos computadores e no celular, pode ser comido, destruído, apagado - e aí adeus tia Chica, adeus lembranças, adeus selfies. É um risco real. *Nelson Rodrigues se dizia um reacionário, abominava as coisas da juventude e aconselhava os jovens: "Envelheçam." Costumava afirmar que aos 20 anos o sujeito não sabia nem dizer boa noite para sua namorada. Foi publicado aqui no RS na Folha da Tarde, se não me engano, com sua coluna "A Vida como Ela É". * Nelson tinha suas invocações. Uma era com as estagiárias de jornal que ele chamava de "estagiárias de calcanhar sujo", pela movimentação, correrias, jeito descolado e pelas sandálias gastas que usavam. Ou o "idiota de babar na gravata", ou de "saúde de vaca premiada". Nunca saiu do Brasil, seu mundo era o bairro do Méier. *É difícil viver em sociedade, diz uma vizinha. Disse-o quando, em pleno elevador lotado, um sujeito deu um arroto homérico sem o mínimo constrangimento. Fazer o quê. Na China, pelo que falam, é sinal de boa educação e de estar satisfeito com o almoço quando o convidado arrota à mesa. *Na Bahia, uma vez, me deram feijão doce, com açúcar, para provar. é algo de fundo religioso, me explicaram. Consomem numa boa. * Na fronteira era costume - não sei se continua - comer ovo frito com açúcar. Deve ser algo meio uruguaio, meio charrua. *Continuo adorando a palavra "carniceria" para açougue. Dependendo da falta de luz, tão comum, a casa de carnes frescas pode mesmo virar uma carniceria. *Gosto é gosto, costume é costume, já disse aquela velhinha do jegue. Não sou a favor, nem contra, só não me peçam para usar aquele beiço de pau do Cacique Raoni. Como é que se consegue dormir com aquilo, é algo retirável, não entra mosquitos, eis as minhas perguntas. *Os Hunos, feios como o diabo, amarravam e deformavam a cabeça dos bebês, para alongá-las. Ficavam com aparência de ETs, eles que já eram horríveis e fediam mais do que cachorro molhado. *Os antigos romanos, entre os seus conceitos e preconceitos, tinham o de não suportar o fedor dos gauleses, atuais franceses. Não à toa o sistema de abastecimento de Roma era um primor da engenharia e bem distribuído por uma cidade que chegou a mais de 1 milhão de habitantes, quase dois mil anos atrás. *Augusto dos Anjos era um gênio da poesia. Morreu aos 30 anos, em 1912, de tuberculose. É dele, no seu único livro" (Eu) tem "um urubu pousou na minha sorte", "a mão que afaga é a mesma que apedreja", "o beijo, amigo, é a véspera do escarro". Gosto muito do verso em que diz que fez "ultra-epilépticos esforços." *Augusto dos Anjos lia e escrevia em latim e grego e era versado em outras línguas. Pra ver como era o intelectual daquele tempo. Materialista, promovia sessões espíritas. Foi desprezado e até humilhado pelos críticos e intelectuais da época porém caiu no gosto do povo brasileiro, que o consagrou. "Eu, filho do carbono e do amoníaco, monstro de escuridão e rutilância." Seu livro é um clássico. Para editá-lo pediu dinheiro de um irmão ou coisa assim e só tirou mil exemplares. *Morrer aos 30 anos ninguém merece. Já essa história de viver até os 100 é uma bobagem custosa. Chega uma hora em que o indivíduo já viu o filme e só quer mesmo é sair do cinema, mesmo com medo. Dormir é bom, se tiver algo mais, melhor ainda. *Conheço homens simples, sem instrução formal, sem formação em literatura, que o declamam até hoje, em bares, sobretudo. Em butecos populares não faz muito apareciam tais tipos assim, simplórios, de profissões humildes, que falavam apaixonadamente a respeito de um único livro que os impressionou. Conheci um, na fronteira, pai de um amigo meu, louco pelo Hemingway e seu O Velho e o Mar. *Olho pela janela. O povo foi sequestrado daqui e deve estar na praia, praias cada vez mais superlotadas. Turismo em massa é uma praga. Conheci a Camboriú antiga, deliciosa (mesmo já poluída). Hoje está um troço inclassificável. Edifícios de 80 andares não dá pé, chega a oprimir. *Praia é muito bom, porém, como tudo, enjoa. Todavia entrar no mar, nadar, boiar e caminhar em horários desertos faz um bem danado .

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

No tempo do Força e Luz e do estádio da Timbaúva

Um dos pequenos grandes clubes da capital, o Força e Luz é outra agremiação esportiva que não mais existe. Formado, em sua origem, por funcionários da Carris - empresa pública de bondes - o Força e Luz chegou a ter o melhor estádio de Porto Alegre - localizado onde, dizem, será mais um hipermercado Bourbon, entre a Ipiranga e a Protásio Alves, nas proximidades do quartel dos Bombeiros. O "estádio" da Timbaúva - esse era o nome - sediou grandes jogos, embora fosse uma modestíssima quadra de esportes, como eram todos os centros esportivos da primeira metade do século 20 em Porto Alegre. Mas o "ferrinho" tem suas glórias e sua história, como se vê nesta matéria do Correio do Povo de 1935.

A praga do turismo


Camboriú, nos anos setenta, já era um grande balneário, com muitos edifícios, uma espécie - como repetia a imprensa então - de Copacabana do Sul. O mar era poluído, pois não havia o emissário cloacal que depois se construiu. Mas nós, crianças e adolescentes, não ligávamos muito para isso. Eu gostava especialmente de caçar caranguejos na praia, à noite, junto com um primo meu, já falecido. Todo verão nós íamos veranear lá, no apartamento de um tio, na avenida Atlântica. Depois fiquei muitos anos sem ir a Camboriú, e sigo sem ir faz tempo. Mas fiquei sabendo que agora é uma cidade de inúmeros e altos edifícios, incluindo um, de 81 andares, cuja cobertura foi comprada pelo jogador Neymar. Caramba, 81 andares, o mais alto da América do Sul, dizem, com orgulho, vejam só, os próprios catarinenses. O novo Inferno na Torre. Fala-se que faz sombra e tira o sol da faixa de areia. Pudera: eles se espelham em Miami. Mas a Camboriú que eu gosto não é Miami, era aquela da década de 70, quando a grande praga - o turismo - nem se comparava aos dias de hoje. Sou da opinião de que o turismo em massa é um mal, e que destroi tudo e a tudo reduz a vulgaridades. Um turismo feito, como dizia Nelson Rodrigues, para o "cretino fundamental" - a boiada de 98% da humanidade. Vejam o caso de Florianópolis, que conheci quando tinha uns 150 mil habitantes, uma cidade adorável. Uns dez anos atrás, ou até mais, passei de novo por lá, e encontrei congestionamento de trânsito, custo de vida cada vez mais caro, e uma gente de fora e sem noção caminhando nas ruas. Adeus, bela Floripa do passado. Adeus Camboriú. O turismo é mesmo uma peste. O mau gosto venceu.(V.Minas)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Depoimento do saudoso morador Joel Marques Duarte, já falecido sobre o JB no passado. Sua família é da rua Itaboraí

 As duas fotos abaixo foram feitas em dezembro de 1961 ou 1962, por ocasião de uma primeira comunhão da igreja de São Luís (que, na época, ainda não era paróquia). Naquele tempo as comunhões, como é o caso desta, aconteciam na Fundação Zoobotânica, junto ao pórtico. Joel Marques, já falecido, morador da rua Itaboraí, escreveu do próprio punho estas lembranças ainda no ano de 2008. Mantivemos a grafia original devido ao seu valor histórico.




Joel e sua história - AO longo dos meus 56 anos de convivência neste(s) lugar(es), muita coisa passou, procuro citar
somente as boas.
NO inicio da minha infância, as margem de arroio e chácaras, localizadas ao londo da Serafim terra
e felizardos;(onde dois felizardo se encontram) rua felizardo e felizardo furtado.
Você já ouviram falar no fim da linha, conhecido também como bar dos mocelins, o PORQUE?
NOS anos 50 a 70 ali era o paradouro dos ônibus da vila, ficando conhecido até hoje como fim da linha.
EXISTIA também no fim da linha, o único colégio da vila\bairro que se chamava, escola estadual Otavio de
Souza, onde cursei o primário de dia depois a sexta serie a noite. Antigamente para se subir ou seja, cursar o ginásio,
cientifico ou clássico, prestava se exames, chamados admissão, depois do cientifico ai se prestava ou concorrido
vestibular;tempos mudaram.
Estou procurando não relatar as mesmas historias dos outros entrevistados, já mencionados neste
blog. conselheiro x......(VAMOS DAR APOIO, ACESSANDO E MANDANDO INFORMAÇÕES, CRITICAS, FOTOS E
SUGESTÕES, ACESSE).
É IMPOSSÍVEL, para eu não mencionar e existências de chácaras, feiras livre, campos de futebol, colônia agrícola, fabrica de carroças, fabrica de gaiola, fabrica de rapadura, fabrica de doces, além do belo e grandioso parque natural
zoobotanico, e outras coisa mais..?
VOCÊ SABIA QUE NOS ANOS 50 A 60 AS NOSSAS MISSAS MENSAISQUINZENAISSEMANAIS
eram primeiramente realizados no hol de entrada do colégio e posteriormente passou para o HOL de entrada do JARDIM
BOTÂNICO, onde realizei minha primeira comunhão , realizados pelo padre, frei capuchinho da igreja Sto Antonio. foto
A COMUNIDADE MUITO LUTOU , PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA IGREJA, QUE SE CHAMOU
SÃO LUIS GONZAGA.
NAminha in INFÂNCIA morei na Serafim terra, onde hoje os amigos, colegas e vizinhos não moram mais,
existia o clube SÃO LUIS, onde se jogava, ping pong, bocha, cartas,, futebol e churrascadas também bailes. terminou tudo
POR QUE?
Continuo a procurar relatar algumas fatos da época; falaram da ind. de carroças, mas também
havia uma industria, fabrica de gaiola, onde trabalhei, localizada na rua Itaboraí;AS GAIOLAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA
TER UMA AVE DE QUALQUER ESPÉCIE. TAMANHOS, ESPAÇAMENTOS, COMEDOUROS E BEBEDOUROS ADEQUADOS.
-Existiam a fabrica de rapadura, localizada na rua Guilherme Alves, produto de ótima qualidade,fabrica
de sabão, localizada na rua roque Gonzaga, fabrica de doces, localizada na trav. municipal e outras caseiras.
-No botânico, ali existia ou existe uma das maiores estufas de cactos, plantas originário de desertos,
e outros fins, quase todos os tipos, uma floresta natural ao longo de sua extensão que ant igamente termina na av.Ipiranga com Cristiano Fischer e Tibiriçá com salvador França e outras ruas. hoje foi tomada, uma parte, pelo hospital da puc, escola, ginásio
clubes, centro metereologico e residências, mesmo com a perda de vários hectares, continua cada vez mais lindo. pouco divulgado
um dos lugares mais calma pelos amantes da natureza e tranqüilidade com segurança.
-Você sabia que na vilabairro existiu um dos maiores carnavais de porto alegre, inclusive tendo elegido
a rainha do carnaval de porto alegre. foram realizados carnavais nas rua surupa, felizardo e barão do amazonas onde encerrou
os anos carnavalesco do povo do bairro. Tempo onde o povo podia se divertir mais nas ruas e havias blocos da alegria, onde qualquer roupa era fantasia.
-Você sabia, que nos anos 60\70 havia feiras livre, localizada na rua Itaboraí, entre a salvador Franca e Serafim terra, onde ali se encontrava quase todos os residente da vila\bairro, com o passar dos anos, foi absorvidas pelas
grandes redes de supermercados, sendo quase extinto esse meio de comercio.
NOS ANOS 90 E SÉCULO, HOUVE UMA TENTATIVA DE REATIVAR COM A FEIRA DOS FRUTOS E
HORTIGRANJEIROS, na mesma rua, nas a burguesia ali existente boicotaram, realizando varios abaixo assinados, guase que
expulsaram os feirantes, que foram colocados agora na RUA felizardo furtado.
você sabia que existia uma delegacia de policia na vila\bairro nos anos 50 a 60, hoje nada, a muito
custo um posto da brigada militar.
você sabia que havia 2 a 3 clubes sócias na vila\bairro e hoje.?
VOCÊ JÁ OUVIA FALAR NO CLUBE RECREATIVO AMERICANO, ele existe;ONDE?TEM LOCALIZAÇÃO? TEM SÓCIOS? TEM PRESIDENTE? ONDE ESTA.......!
Na minha juventude anos 60\70 ainda existia alguns campos de futebol, aos sábados era concorrido
as disputados, para as famosas beladas, no campinho na esef, começa meio dia ia até oito da noite.
Você sabe o que e reunião dançantes, isto era realizados quase todos fins de semanas nas casas
dos colegas, onde bebidas de álcool era proibidos, somente refrigerantes e salgados.
Hoje se fala muito em DJ, pois nos anos 60\70 existia uns dos maiores , SATURNO HI FI, maior
discotecário, quase uma bando de sons. e luzes. aminava os grande bailes no AMERICANO e outros clubes, festas, casamentos
e outros. acho que possui uma das maiores coleções de discos fitas de musicas de todos os gostos, seu Saturno é vivo
ainda, perto de 90 anos, continua fanático por música, deve estar fazendo outra coleção agora de cds, acho.
houve uma turma de jovens, que gostavam de futebol, que fundou um dos melhores time de futebol,
jogadores somente residente no bairro. com idade entre 15 a 20 anos, o primeiro fardamento foi feito de sacos e açúcar
foram tingidos pela dna Antonia, e as camisetas feita pela dna Isaura,ambas vivas, as cores da camiseta eram verdes,
posteriormente apos varios jogos, conseguimos adquirir um fardamento completo, camiseta, calção e meias, de cor branca.
onde surgiu o nome do time JUVENTUS, JOGAMOS VÁRIOS jogos em nosso cAMPO UNIVERSAL, HOJE SUPERMERCADO
BOURBON, FICAMOS quase que 50 jogas sem perder ao longo de quase dois anos, jogos em viamão, alvorada, e outros campos, nossa sede, era na garage do treinador sr. Cloro, que orientava estes atletas, Leandro,Luis(goleiros)Beto, rude(lat. dir)
Joel(zag.cent)HELIAR(quart zag)Gerson(lar.esq)Milton(Centro médio) ferrinhos(meio esq)Ademir(meia dir),negrinho(ponta dir)
joão Carlos(centro avante),NEGO(ponta esq) e outros como, Vilmar,Cleber,marinho,Juarez, Danilo, etc.
você sabia que no bairro havia uma das maiores industria de doces do rs=vontobel sa. no passado
estava localizada na rua trav.municipal, seu proprietário gostava de festas, principalmente juninas, onde havia fogueiras, e farta
distribuição de comidas e bebidas.
O BAIRRO JÁ CRESCIA BASTANTE ANTES, DEVIDA SUA LOCALIZAÇÃO, PERTO DO CENTRO,
BAIRRO CLASSE MEDIA =BAIXA E RESIDENCIAL, AGORA OUTROS TEMPOS; NÃO HÁ MAIS CAMPOS DE FUTEBOL.
CLUBE SOCIAIS,INDUSTRIAS, FEIRAS, CABARÉS; AGORA ELITE, MOTÉIS DE LUXO, EDIF. NOBRES, BANCOS,
SUPERMERCADOS DE LUXOS, LOTAÇÃO, PERIMETRAL E OUTROS........
.
*VIVA OS MORADORES DO JARDIM BOTÂNICO*

EM TEMPO; DESCOBRIRAM QUE SOU...........

GRATO
JOEL MARQUES DUARTE, morador da rua Itaboraí, Jardim Botânico

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Carlos Nobre deixou saudades

José Evaristo Villalobos Júnior - mais conhecido como Carlos Nobre - faleceu no dia 16 de dezembro de 1985 e deixou saudades em quem tem hoje mais de meio século de vida. Natural de Guaíba, Nobre foi, sem dúvida, o maior humorista gaúcho depois do Barão do Itararé, ou talvez até rivalizasse com ele. Sua página na Zero Hora, sempre com fotos de muitas mulheres bonitas e preferencialmente com pouca roupa, era a mais lida do jornal. Suas tiradas e aforismos hilários misturam o humor gaiato do povo com a crítica social e a sofisticação da inteligência crítica. Por exemplo, nada mais atual do que esta, de um humor amargo: "Já está na hora do Brasil voltar a brincar de "pega ladrão". 
Nesta reprodução da Revista do Globo, de abril de 1961, Nobre aparece assinando o contrato de sua renovação com a Rádio Gaúcha, já que era um humorista completo, de jornal, rádio e televisão.(V.Minas) 
Nem faz tanto tempo assim: era o final de 1994, Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha tomado posse como novo presidente e o Brasil se preparava para receber a rede mundial de computadores em seu território, a Internet. Em uma época em que os computadores eram, pelos padrões atuais, pesadas geringonças domésticas e que o "disquete" reinava como última palavra em tal tecnologia, a nova ferramenta prometia um "paraíso para quem precisa de informações". Já antevista como um salto para o futuro, a Internet - vejam só - contava com apenas 30 milhões de usuários em todo o mundo e talvez nem mesmo os mais otimistas imaginariam que se transformaria no que é hoje. A revista Veja, em 21 de dezembro daquele ano, publicou esta matéria intitulada "uma janela para o mundo". Note-se que o acesso era feito por telefone.(V.M.)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Mister Barrick, um inglês que apitava Grenais


Mister Barrick, o Velho Jack, deixou saudades nos gramados gaúchos



Luís Fernando Veríssimo lembra dele apitando grenais, e o citou em uma de suas crônicas. Carlos Heitor Cony, jornalista e escritor, já falecido, recordava o gol do Brasil contra o Uruguai que ele anulou pela antiga Copa Rio Branco. O certo é que sua figura faz parte da história do futebol gaúcho, brasileiro e sul-americano nos anos que se seguiram ao término da Segundo Guerra Mundial.
Seu nome: Cyril John Barrick, o “velho Jack”, que o Correio do Povo definiu como “o consagrado e fleumático árbitro britânico que tanto bem anda fazendo ao futebol gaúcho”, o “número 1 do mundo”.
Ninguém sabe exatamente – ou talvez alguém ainda saiba – como o “velho Jack” chegou ao Rio Grande do Sul naquela segunda metade dos anos quarenta, já consagrado como um juiz de primeira grandeza no futebol inglês. O que se presume é que numa Inglaterra devastada e empobrecida pela Segunda Grande Guerra ele tenha resolvido procurar trabalho em querências mais pacíficas e ensolaradas e onde o esporte bretão também era amado, o que já acontecia com colegas seus. O velho Jack, a julgar pelas fotos, já deveria contar os seus quarenta e tantos anos quando deixou a Velha Albion castigada pelos bombardeios nazistas e veio para a América do Sul ganhar uns trocados para sustentar a família que ficara na Europa.
O certo é que aqui o “velho Jack” ganhou respeito e deixou saudades por onde passou e apitou, em especial no Rio Grande do Sul, estado que foi, tudo indica, sua porta de ingresso no mundo futebolístico sul-americano. Versátil e disposto a tudo por um punhado de libras que remetia todo mês para a família, Mister Barrick apitou tanto jogos da seleção brasileira como partidas amistosas em surrados e toscos campos de futebol. Ter Mister Barrick apitando era uma espécie de certificado de qualidade. Exótico e famoso, o Velho Jack virava uma atração à parte.
Ao que parece, Mister Barrick foi inicialmente contratado pela Federação Rio-grandense de Futebol para apitar os jogos do campeonato citadino. Mas, malandramente, bem no jeitinho brasileiro, esta passou a emprestá-lo a outros centros do País. Assim o velho Jack apitou nos Eucaliptos, na Baixada, em São Januário, no Pacaembu, no Maracanã, no estádio da Timbaúva, na Chácara das Camélitas, na Colina Melancólica... Apitou jogos do Brasil contra outras seleções e apitou clássicos platinos, onde também tinha fama. A Federação gaúcha o emprestava, cobrava por isso, e nem sempre repassava o dinheiro ao fleumático e tolerante inglês.
Quantos anos ficou Mister Barrick no Brasil? Será que voltou para a sua Inglaterra ou resolveu se aclimatar nos trópicos? O mais provável é que tenha voltado: cansado da desorganização do futebol brasileiro e das promessas não cumpridas, às vezes o Velho Jack botava a boca no trombone, como em abril de 1950, alguns meses antes da Copa no Brasil. Conforme o Correio do Povo noticiou, Barrick estava insatisfeito e, pior, sentia-se explorado pelos dirigentes esportivos gaúchos:
“Por ocasião de sua recente ida a Caxias do Sul, a convite do presidente do Nacional, que é também presidente do Departamento de Futebol da Capital, o laureado apitador britânico queixou-se amargamente da maratona a que estava sendo submetido, atuando várias vezes em uma semana, por ocasião da temporada do Peñarol em nossos gramados. A um dos nossos cronistas, Mister Barrick alegou sentir dores na coxa direita, à altura dos rins, dizendo a impossibilidade em que se achava de continuar a apitar partidas fora dos termos do compromisso, ou seja, mais de três durante uma semana. Mister Barrick chegou a falar em rescisão do contrato, caso fosse obrigado a trabalhar além das suas forças. Agora o Departamento de Futebol da Capital acaba de tomar outra deliberação que está merecendo crítica nos círculos esportivos. É que os clubes uruguaios, Nacional e Peñarol, solicitaram por empréstimo a presença do Velho Jack em campos orientais para um torneio quadrangular que pretendem realizar juntamente com clubes brasileiros. Os maiorais do nosso futebol de pronto aquiesceram, condicionando-o a uma questão de data e, mais, exigiram 25 mil cruzeiros por arbitragem, devendo o apitador, por sua vez, perceber 5 mil cruzeiros em cada uma.”
“Isso quer dizer, pura e simplesmente, que o Departamento de Futebol da Capital resolveu que os clubes uruguaios venham a pagar os honorários de Mister Barrick pelos próximos quatro meses, com a visível economia de 100 mil cruzeiros para os clubes”
E assim conclui o Correio do Povo: “Ora, Mister Barrick não é nenhuma criança, e qualquer dia, quando achar que está sendo mal empregado, não terá dúvida alguma em pedir a rescisão do seu contrato a fim de continuar o seu verdadeiro apostolado esportivo em qualquer outro centro mais adiantado do que o nosso e onde não sirva unicamente de atração para rendas, ou – o que é pior – para evitar que os clubes tenham que entrar com dinheiro para suprir as modestas arrecadações auferidas com as não menos modestas exibições de seus esquadrões de profissionais..." 
É, o Velho Jack, o apitador número 1 do Mundo, deixou saudades em terras gaúchas, mas será que nós deixamos saudades nele?

domingo, 10 de agosto de 2025

Quintana aos 34

 

Mário Quintana, o maior poeta gaúcho, faleceu em 1994. Nascido no Alegrete, em 1906, trabalhou muito tempo na Editora Globo, onde foi tradutor de importantes escritores mundiais - incluindo Marcel Proust. Nesta foto, de 1940, da Revista do Globo, ele aparece em seu ambiente de trabalho, na Livraria do Globo - que não mais existe - um ponto de encontro dos intelectuais gaúchos da primeira metade do século 20. Nesta época ele tinha apenas 34 anos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Agosto, no tempo dos cachorros loucos

 

O mês de agosto, antigamente (nem tão antigamente assim) era considerado o mês dos cachorros loucos, em referência ao grande número de raiva canina, ou hidrofobia, que acontecia nesse período do ano, sabe-se lá o porquê.. Até mesmo os pais alertavam as crianças para não se aproximarem de cães vadios e observarem, de longe, se tais bichos estavam babando ou com espuma na boca - sintoma da raiva. Hoje, com tantas vacinas e cuidados aos animais, nem mais se fala nisso e não se registram casos de transmissão da raiva do cachorro para o ser humano através da mordida - algo terrível, se não houvesse a imediata aplicação de injeções dolorosas em volta do umbigo. Nesta matéria, de 1976 - publicada pelo Correio do Povo - noticia-se o grande número de cães hidrófobos que vagavam pela badalada praia do Laranjal, em Pelotas, causando temor entre os moradores e os veranistas. 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

O misterioso incêndio do Tribunal de Justiça completou 75 snos


A notícia do incêndio da Praça da Matriz e a absurda fuga do "Major Aragon": ele escapou do presídio para "falar á reportagem" do Correio do Povo.



Pesquisa e texto: Vitor Minas

    Se havia – naquela segunda metade dos anos cinquenta do século 20 - realmente um incendiário a postos para queimar prédios públicos, tal pessoa, ou pessoas, sabiam muito bem o que queriam: depois do Tribunal de Justiça (ver matéria neste blog), em novembro de 1949, e do prédio da Imprensa Oficial, em 1947, foi a vez da Repartição Central de Polícia, na Rua Duque de Caxias, sinistro histórico que destruiu milhares de inquéritos policiais e quase matou mais de 50 presos desesperadamente trancafiados em um dos xadrezes da construção. Foi mais um duríssimo golpe nos serviços de segurança pública do Estado e seria apontado como uma das causas do grande aumento da criminalidade registrado na Capital aquele ano.
    O incêndio da RCP aconteceu também em um sábado, às 2 horas da madrugada de 14 de janeiro de 1950, transcorridos apenas 55 dias depois do acontecido com o Foro, com a diferença de que se alastrou de maneira muito mais violenta e causou temores redobrados em toda a população do centro, aterrorizada com a sequência de explosões de granadas de mão armazenadas no depósito de munições e com a possibilidade ainda mais dramática de tudo aquilo, inclusive os colégios femininos situados nas vizinhanças, como o Sevigné, ir pelos ares caso as chamas atingissem um depósito de gasolina e diesel existente nos fundos do prédio, sem contar um grande paiol de explosivos.  No final, felizmente, os danos foram somente materiais e judiciários, pois ninguém morreu queimado.
   Dos 52 presos na cela cujo cadeado teve que ser arrombado a pé-de-cabra apenas um, detido por vadiagem, fugiu. A população, por sua vez, acordou sobressaltada e surpresa, receando, quem sabe, a eclosão de um movimento militar ou de uma nova revolução: o estampido das granadas, acomodadas em um cofre, e o barulho de balas explodindo, bem como a altura das chamas, faziam prever pelo pior, até mesmo uma guerra. Afinal, na Duque, na parte alta da cidade, hoje considerada centro histórico, está também o Palácio Piratini, sede do governo estadual, e a Catedral Metropolitana.
    Tal como o casarão do Tribunal de Justiça e da Secretaria do Interior, o prédio da chefia da Polícia também era quase um pardieiro, uma construção antiga, repleta de paredes, divisórias e tabiques de madeira servidos por arremedos de instalação elétrica. Sem dinheiro e endividado, o Estado gaúcho, comandado por Valter Jobim, havia interrompido ou adiado a construção ou reforma de grande parte dos seus prédios públicos. Pedindo providências para solucionar o problema, o jornal Correio do Povo, ao noticiar o fato, lembrava que, caso isso não acontecesse e não se desse fim a casos daquela natureza, “ninguém mais convencerá a opinião pública que esses eventos não são provocados por mãos criminosas, ou que se verificam pura e simplesmente devido à negligência e ao indiferentismo do poder executivo.”
PREJUIZOS INCALCULÁVEIS – O fogo teria começado na parte alta, no sótão do segundo andar do prédio, provavelmente em uma sala que servia de depósito de colchões e papéis, o que facilitou extraordinariamente a propagação das chamas, percebidas somente por alguns policiais de plantão e por um carpinteiro que dormia ao lado. Um deles comunicou o fato ao inspetor-chefe Nuno Alves Guimarães – neste momento as chamas já saíam pelas janelas. O delegado Geraldo Monteiro Alves, que estava de plantão momentos antes e fora deitar em uma das camas, acionou os bombeiros, os quais, mesmo chegando em grande número, pouco puderam fazer.
    O incêndio da Repartição Central de Polícia consumiu milhares de processos, destruindo sobretudo aqueles que diziam respeito aos réus soltos afetos aos “atentados à propriedade”, que foram beneficiados pelo fato de não haver cópias dos documentos, ao contrários dos dossiês dos réus presos. O Instituto de Polícia Técnica também amargou grandes prejuízos de equipamentos e de material, embora o seu responsável, José Lubianca, garantisse que 95% dos prontuários criminais estavam apenas chamuscados nas bordas e poderiam ser aproveitados. De tudo o que havia no plantão daquela noite apenas se conseguiu salvar duas máquinas de escrever, duas mesas, duas cadeiras e o livro de ocorrências.
     Bem ao espírito da época (Guerra Fria e polarização ideológica em um ano de eleições presidenciais no Brasil), as autoridades da segurança pública estadual se apressaram em tentar jogar a culpa nas costas de militantes do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, o quarto mais importante e votado no País, proscrito recentemente pelo General Eurico Gaspar Dutra. O líder comunista Flávio Argolo, um cirurgião dentista que passava férias na praia de Capão da Canoa com a sua família, foi preso como suspeito e teve de recorrer a advogados, os quais impetraram um habeas-corpus a fim de libertá-lo. As cópias do processo contra ele, trancadas no cofre do gabinete da chefia de Polícia, mostraram-se intactas quando se abriu o cofre, na quinta-feira, 19. Tal peça, mesmo queimada e avariada, ainda assim resistiu.
    Meses mais tarde o mesmo “Major Aragón” – aquele que se declarou o incendiário do Tribunal de Justiça - chamou para si a autoria do fato e transformando-se em uma das personagens mais comentadas do ano de 1950 em todo o Rio Grande do Sul. Ele morreu dois anos depois, assassinado na Casa de Correção da Ponta do Gasômetro.  

  

 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Tesourinha, o craque quase esquecido no tempo

 



Tesourinha, em matéria da Revista do Globo de 1946, escrita por Cid Pinheiro Cabral.

17 de junho de 1979, uma noite de sábado para domingo, é uma data triste para o futebol gaúcho e brasileiro. Nesse dia, em Porto Alegre, falecia Osmar Fortes Barcelos, mais conhecido por Tesourinha. Um dos maiores pontas-direitas do futebol brasileiro encerrava a vida com apenas 57 anos, vítima de um câncer no estômago, deixando, atrás de si, uma lenda futebolística e um modelo a ser seguido. Mito do Internacional, carro-chefe do famoso Rolo Compressor que foi hexacampeão gaúcho, de 1940 a 1945, Tesourinha ganhou esse apelido pelo fato de seu pai integrar um famoso bloco carnavalesco da capital, o Tesouras, formado em sua maioria por negros, e que marcou época nos anos 20, 30 e 40. Ele foi o primeiro jogador negro da história do Grêmio Porto-alegrense, onde também jogou, dando fim a um período de discriminação racial no hoje popular e democrático clube gaúcho.
Tesourinha foi campeão sul-americano pela Seleção Brasileira nos anos quarenta, formando ao lado de Heleno de Freitas, Zizinho, Jair e Ademir, e só não participou da malograda Copa do Mundo de 1950 no Brasil, aquela do Maracanaço, por ter estourado os meniscos quando jogava pelo Vasco, clube para o qual se transferiu no início daquele ano, naquela que foi considerada a maior transação do futebol brasileiro da época. Muitos consideram que sua ausência foi uma das causas da perda do título para o Uruguai.
Nascido em 3 de outubro de 1921, de família pobre, no bairro pobre da Ilhota, a primeira grande favela de Porto Alegre, era filho de um motorista e de uma dona de casa. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas 12 anos. Começou a jogar futebol em criança, em um dos times da famosa Liga da Canela Preta, uma associação de jogadores de cor que se contrapunha ao racismo imperante no esporte de então. Em 1940 Tesourinha já estava no Internacional de Porto Alegre, onde ficaria por dez anos, formando o temível ataque colorado com Vilalba, Russinho, Ruy e Carlitos. Em 1946, ao final do campeonato sul-americano, atual Copa América, vencido pelo Brasil, Tesourinha foi escolhido pela crítica “o maior ponteiro da América”. Mais tarde ganhou o título de “Craque Melhoral”, distinção concedido por uma empresa de medicamentos ao melhor jogador brasileiro do ano,
Tesourinha foi comprado pelo Vasco no final de 1949, e o Vasco era o mais caro e vitorioso time da época, a base da seleção brasileira. Porém o problema no joelho fez com que pouco durasse em São Januário. Em 1952, já com seus trinta anos, foi contratado pelo Grêmio, Grêmio que no ano seguinte completaria 50 anos de glórias. O garoto pobre da Ilhota voltava à terrinha.
Mas Tesourinha era colorado de coração e foi no Inter onde jogou o fino. Em 1969, quando da inauguração do Gigante da Beira-Rio, foi homenageado pela nação colorada. Com lágrimas nos olhos, retirou, como merecido troféu, as redes das goleiras do velho Estádio dos Eucaliptos, palco das suas grandes atuações pelo Internacional. Defensor da classe esportiva e do futebol varzeano, onde se formou, Osmar Fortes Barcelos foi laureado postumamente com a Copa Tesourinha de Futebol Amador da Federação Gaúcha de Futebol e com um centro esportivo que leva seu nome. Ele sempre dizia, com orgulho: “Vim da várzea, me torneio ídolo e não posso negar meu apoio visando melhorar a estrutura desse futebol varzeano, de onde saem os grandes craques. É lá onde tudo começa”
Logo após a sua morte, em uma crônica no velho Correio do Povo, o jornalista e colorado Valter Galvani fala da honra de ter conhecido Tesourinha, o craque fabuloso, e Osmar Fortes Barcelos, o homem afável de sorriso largo. Menino vindo do interior, lembrando da primeira vez que o viu jogar, Galvani escreveu a 24 de junho de 1979 a crônica “Tesoura, um Certo Sorriso”: “Eu diria que o vi em campo, naquela longínqua tarde de 1944, com o seu largo sorriso. Tesourinha foi um herói a seu modo, um herói modesto, simples e calmo, capaz de levar as plateias até o delírio. Nunca esqueci suas jogadas, mas jamais esquecerei o seu sorriso de bondade.”

domingo, 9 de março de 2025

Enquanto eu for presidente, mulher aqui não entra...

Se hoje a presença da mulher é absoluta em todos os setores da vida brasileira, tempos atrás isso era visto como, no mínimo, algo estranho, quando não recebia a mais peremptória objeção, como se vê nesta nota do Correio do Povo de agosto de 1972: segundo a notícia, o acadêmico e presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Athaíde, simplesmente não admitia a presença do belo sexo na instituição criada por Machado de Assis. Vista hoje de forma humorística, a nota reflete o pensamento dominante em uma época não tão distante assim. As coisas, porém, evoluíram: cinco anos depois, em agosto de 1977, a escritora cearense Rachel de Queiroz se tornou a primeira mulher a ser eleita para a ABL, dando fim a um tempo em que somente os homens eram admitidos na casa. "Enquanto eu for vivo, mulher não entra para a Academia", teria dito Austregésilo. O presidente, no entanto, teve de voltar atrás - da posse de Rachel, e até 1993, data da sua morte, viu muitas coisas mudarem no Brasil e no mundo. Quanto a Rachel, morreu em 2003, aos 92 anos de idade.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Um alemão nu desfila pela praia de Ipanema, em Porto Alegre

Nas primeiras décadas do século vinte Porto Alegre era uma cidade com a presença de um grande número de imigrantes, muitos deles recentes e que fugiam ao nazismo e à guerra na Europa. Por sua vez os alemães que haviam emigrado para o Rio Grande do Sul no século anterior dominavam a indústria e o chamado "alto comércio". Em 1941 havia, na capital gaúcha, muitos destes germânicos que para cá vieram, fugindo da situação europeia - eram o que a população local chamava de "neuróticos de guerra", os quais não raro se caracterizavam pelo comportamento exótico e até bizarro, como se vê nesta reprodução do Correio do Povo de abril de 1941: um alemão que passeava nu pela praia de Ipanema, na zona sul porto-alegrense e então muito frequentada no verão. 

terça-feira, 4 de março de 2025

Bourbon e os reflexos nas águas do riacho

A imagem de uma grande placa de publicidade da rede norte-americana McDonalds (um dos símbolos da cultura de massa e das refeições rápidas), contrasta com a sede de madeira do 35 CTG - baluarte da tradição gaúcha e defensor da vida simples e natural.
A placa, note-se, está no pátio do Bourbon Shopping. Projetada, porém, sobre o espelho das águas do arroio Dilúvio, não deixa de formar uma bela moldura.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Ciclismo de resistência: a prova Porto Alegre-Taquara em 1950

 Andar de bicicleta, hoje, é uma atividade corriqueira, especialmente em grandes cidades. Vista como uma alternativa sustentável e saudável frente ao poluente e agressivo automóvel, ela reúne grupos de ciclistas e aficcionados desse meio de transporte que, na primeira metade do século 20, era visto bem


mais como um esporte. E nisso o Rio Grande do Sul também se destacava, com a realização de inúmeras provas de pequeno, médio e longo curso que atraíam muitas pessoas - os "circuitos ciclísticos". Um dos mais famosos de então era a prova "de resistência" Porto Alegre-Taquara, ligando as duas cidades que distam cerca de 70 quilômetros. Eventos como esse eram amplamente noticiados nos jornais, como se vê nesta matéria do Correio do Povo de julho de 1950.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Os vampiros que agiam antigamente

  

Quem quer que tenha nascido no interior do Rio Grande do Sul ou de outros Estados vizinhos sempre ouviu falar nas histórias dos "tiradores de sangue", espécies de vampiros que atacavam as crianças indefesas, geralmente a caminho da escola, e retiravam-lhes com seringa o sangue à força, ou depois de dopadas. Tais relatos - que muitos interpretavam como lendas rurais, inverossímeis até - de fato aconteceram e foram narrados pelos jornais da época, como nesta reprodução do Correio do Povo, de Porto Alegre, em abril de 1980. Naquela época ainda se comercializava sangue no Brasil e não havia uma política de saúde eficaz nesse sentido, o que tornava o comércio e o tráfico - geralmente com o plasma enviado para os Estados Unidos e Europa - algo muito rentável. Curiosamente, não se tem notícia de que nenhum de tais "vampiros" tivesse sido preso, o que certamente contribuiu para dar aos fatos verídicos um tom de lenda ou de histórias que os pais contam para disciplinar e amedrontar as crianças.