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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O casamento de Brizola e Neusa

Com apenas 28 anos, mas já deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro - do qual era uma das mais promissoras lideranças regionais - Leonel de Moura Brizola saiu na página social do Correio do Povo naquele dia 3 de março de 1950: dois dias antes o jovem político e engenheiro casara-se, em Porto Alegre, com Neusa Goulart Brizola, que vinha a ser irmã de João Goulart - futuro presidente do Brasil, deposto em 1964. Uma importante personalidade (na verdade, padrinho do enlace) se fez presente: Getúlio Vargas, também natural da terra da noiva, São Borja, onde vivia retirado na sua fazenda do Itu (localizada no município de Itaqui e não São Borja). O casal seguiu em viagem de lua-de-mel "para o Prata", como informou o CP.Neste dia 21 Neusa Goulart Brizola faria aniversário. E neste dia 22 de janeiro, hoje, quinta-feira, seria a vez do seu marido. Ela nasceu em 1921, ele em 1922.  A reprodução é do Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Depoimento do saudoso morador Joel Marques Duarte, já falecido sobre o JB no passado. Sua família é da rua Itaboraí

 As duas fotos abaixo foram feitas em dezembro de 1961 ou 1962, por ocasião de uma primeira comunhão da igreja de São Luís (que, na época, ainda não era paróquia). Naquele tempo as comunhões, como é o caso desta, aconteciam na Fundação Zoobotânica, junto ao pórtico. Joel Marques, já falecido, morador da rua Itaboraí, escreveu do próprio punho estas lembranças ainda no ano de 2008. Mantivemos a grafia original devido ao seu valor histórico.




Joel e sua história - AO longo dos meus 56 anos de convivência neste(s) lugar(es), muita coisa passou, procuro citar
somente as boas.
NO inicio da minha infância, as margem de arroio e chácaras, localizadas ao londo da Serafim terra
e felizardos;(onde dois felizardo se encontram) rua felizardo e felizardo furtado.
Você já ouviram falar no fim da linha, conhecido também como bar dos mocelins, o PORQUE?
NOS anos 50 a 70 ali era o paradouro dos ônibus da vila, ficando conhecido até hoje como fim da linha.
EXISTIA também no fim da linha, o único colégio da vila\bairro que se chamava, escola estadual Otavio de
Souza, onde cursei o primário de dia depois a sexta serie a noite. Antigamente para se subir ou seja, cursar o ginásio,
cientifico ou clássico, prestava se exames, chamados admissão, depois do cientifico ai se prestava ou concorrido
vestibular;tempos mudaram.
Estou procurando não relatar as mesmas historias dos outros entrevistados, já mencionados neste
blog. conselheiro x......(VAMOS DAR APOIO, ACESSANDO E MANDANDO INFORMAÇÕES, CRITICAS, FOTOS E
SUGESTÕES, ACESSE).
É IMPOSSÍVEL, para eu não mencionar e existências de chácaras, feiras livre, campos de futebol, colônia agrícola, fabrica de carroças, fabrica de gaiola, fabrica de rapadura, fabrica de doces, além do belo e grandioso parque natural
zoobotanico, e outras coisa mais..?
VOCÊ SABIA QUE NOS ANOS 50 A 60 AS NOSSAS MISSAS MENSAISQUINZENAISSEMANAIS
eram primeiramente realizados no hol de entrada do colégio e posteriormente passou para o HOL de entrada do JARDIM
BOTÂNICO, onde realizei minha primeira comunhão , realizados pelo padre, frei capuchinho da igreja Sto Antonio. foto
A COMUNIDADE MUITO LUTOU , PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA IGREJA, QUE SE CHAMOU
SÃO LUIS GONZAGA.
NAminha in INFÂNCIA morei na Serafim terra, onde hoje os amigos, colegas e vizinhos não moram mais,
existia o clube SÃO LUIS, onde se jogava, ping pong, bocha, cartas,, futebol e churrascadas também bailes. terminou tudo
POR QUE?
Continuo a procurar relatar algumas fatos da época; falaram da ind. de carroças, mas também
havia uma industria, fabrica de gaiola, onde trabalhei, localizada na rua Itaboraí;AS GAIOLAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA
TER UMA AVE DE QUALQUER ESPÉCIE. TAMANHOS, ESPAÇAMENTOS, COMEDOUROS E BEBEDOUROS ADEQUADOS.
-Existiam a fabrica de rapadura, localizada na rua Guilherme Alves, produto de ótima qualidade,fabrica
de sabão, localizada na rua roque Gonzaga, fabrica de doces, localizada na trav. municipal e outras caseiras.
-No botânico, ali existia ou existe uma das maiores estufas de cactos, plantas originário de desertos,
e outros fins, quase todos os tipos, uma floresta natural ao longo de sua extensão que ant igamente termina na av.Ipiranga com Cristiano Fischer e Tibiriçá com salvador França e outras ruas. hoje foi tomada, uma parte, pelo hospital da puc, escola, ginásio
clubes, centro metereologico e residências, mesmo com a perda de vários hectares, continua cada vez mais lindo. pouco divulgado
um dos lugares mais calma pelos amantes da natureza e tranqüilidade com segurança.
-Você sabia que na vilabairro existiu um dos maiores carnavais de porto alegre, inclusive tendo elegido
a rainha do carnaval de porto alegre. foram realizados carnavais nas rua surupa, felizardo e barão do amazonas onde encerrou
os anos carnavalesco do povo do bairro. Tempo onde o povo podia se divertir mais nas ruas e havias blocos da alegria, onde qualquer roupa era fantasia.
-Você sabia, que nos anos 60\70 havia feiras livre, localizada na rua Itaboraí, entre a salvador Franca e Serafim terra, onde ali se encontrava quase todos os residente da vila\bairro, com o passar dos anos, foi absorvidas pelas
grandes redes de supermercados, sendo quase extinto esse meio de comercio.
NOS ANOS 90 E SÉCULO, HOUVE UMA TENTATIVA DE REATIVAR COM A FEIRA DOS FRUTOS E
HORTIGRANJEIROS, na mesma rua, nas a burguesia ali existente boicotaram, realizando varios abaixo assinados, guase que
expulsaram os feirantes, que foram colocados agora na RUA felizardo furtado.
você sabia que existia uma delegacia de policia na vila\bairro nos anos 50 a 60, hoje nada, a muito
custo um posto da brigada militar.
você sabia que havia 2 a 3 clubes sócias na vila\bairro e hoje.?
VOCÊ JÁ OUVIA FALAR NO CLUBE RECREATIVO AMERICANO, ele existe;ONDE?TEM LOCALIZAÇÃO? TEM SÓCIOS? TEM PRESIDENTE? ONDE ESTA.......!
Na minha juventude anos 60\70 ainda existia alguns campos de futebol, aos sábados era concorrido
as disputados, para as famosas beladas, no campinho na esef, começa meio dia ia até oito da noite.
Você sabe o que e reunião dançantes, isto era realizados quase todos fins de semanas nas casas
dos colegas, onde bebidas de álcool era proibidos, somente refrigerantes e salgados.
Hoje se fala muito em DJ, pois nos anos 60\70 existia uns dos maiores , SATURNO HI FI, maior
discotecário, quase uma bando de sons. e luzes. aminava os grande bailes no AMERICANO e outros clubes, festas, casamentos
e outros. acho que possui uma das maiores coleções de discos fitas de musicas de todos os gostos, seu Saturno é vivo
ainda, perto de 90 anos, continua fanático por música, deve estar fazendo outra coleção agora de cds, acho.
houve uma turma de jovens, que gostavam de futebol, que fundou um dos melhores time de futebol,
jogadores somente residente no bairro. com idade entre 15 a 20 anos, o primeiro fardamento foi feito de sacos e açúcar
foram tingidos pela dna Antonia, e as camisetas feita pela dna Isaura,ambas vivas, as cores da camiseta eram verdes,
posteriormente apos varios jogos, conseguimos adquirir um fardamento completo, camiseta, calção e meias, de cor branca.
onde surgiu o nome do time JUVENTUS, JOGAMOS VÁRIOS jogos em nosso cAMPO UNIVERSAL, HOJE SUPERMERCADO
BOURBON, FICAMOS quase que 50 jogas sem perder ao longo de quase dois anos, jogos em viamão, alvorada, e outros campos, nossa sede, era na garage do treinador sr. Cloro, que orientava estes atletas, Leandro,Luis(goleiros)Beto, rude(lat. dir)
Joel(zag.cent)HELIAR(quart zag)Gerson(lar.esq)Milton(Centro médio) ferrinhos(meio esq)Ademir(meia dir),negrinho(ponta dir)
joão Carlos(centro avante),NEGO(ponta esq) e outros como, Vilmar,Cleber,marinho,Juarez, Danilo, etc.
você sabia que no bairro havia uma das maiores industria de doces do rs=vontobel sa. no passado
estava localizada na rua trav.municipal, seu proprietário gostava de festas, principalmente juninas, onde havia fogueiras, e farta
distribuição de comidas e bebidas.
O BAIRRO JÁ CRESCIA BASTANTE ANTES, DEVIDA SUA LOCALIZAÇÃO, PERTO DO CENTRO,
BAIRRO CLASSE MEDIA =BAIXA E RESIDENCIAL, AGORA OUTROS TEMPOS; NÃO HÁ MAIS CAMPOS DE FUTEBOL.
CLUBE SOCIAIS,INDUSTRIAS, FEIRAS, CABARÉS; AGORA ELITE, MOTÉIS DE LUXO, EDIF. NOBRES, BANCOS,
SUPERMERCADOS DE LUXOS, LOTAÇÃO, PERIMETRAL E OUTROS........
.
*VIVA OS MORADORES DO JARDIM BOTÂNICO*

EM TEMPO; DESCOBRIRAM QUE SOU...........

GRATO
JOEL MARQUES DUARTE, morador da rua Itaboraí, Jardim Botânico

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Mister Barrick, um inglês que apitava Grenais


Mister Barrick, o Velho Jack, deixou saudades nos gramados gaúchos



Luís Fernando Veríssimo lembra dele apitando grenais, e o citou em uma de suas crônicas. Carlos Heitor Cony, jornalista e escritor, já falecido, recordava o gol do Brasil contra o Uruguai que ele anulou pela antiga Copa Rio Branco. O certo é que sua figura faz parte da história do futebol gaúcho, brasileiro e sul-americano nos anos que se seguiram ao término da Segundo Guerra Mundial.
Seu nome: Cyril John Barrick, o “velho Jack”, que o Correio do Povo definiu como “o consagrado e fleumático árbitro britânico que tanto bem anda fazendo ao futebol gaúcho”, o “número 1 do mundo”.
Ninguém sabe exatamente – ou talvez alguém ainda saiba – como o “velho Jack” chegou ao Rio Grande do Sul naquela segunda metade dos anos quarenta, já consagrado como um juiz de primeira grandeza no futebol inglês. O que se presume é que numa Inglaterra devastada e empobrecida pela Segunda Grande Guerra ele tenha resolvido procurar trabalho em querências mais pacíficas e ensolaradas e onde o esporte bretão também era amado, o que já acontecia com colegas seus. O velho Jack, a julgar pelas fotos, já deveria contar os seus quarenta e tantos anos quando deixou a Velha Albion castigada pelos bombardeios nazistas e veio para a América do Sul ganhar uns trocados para sustentar a família que ficara na Europa.
O certo é que aqui o “velho Jack” ganhou respeito e deixou saudades por onde passou e apitou, em especial no Rio Grande do Sul, estado que foi, tudo indica, sua porta de ingresso no mundo futebolístico sul-americano. Versátil e disposto a tudo por um punhado de libras que remetia todo mês para a família, Mister Barrick apitou tanto jogos da seleção brasileira como partidas amistosas em surrados e toscos campos de futebol. Ter Mister Barrick apitando era uma espécie de certificado de qualidade. Exótico e famoso, o Velho Jack virava uma atração à parte.
Ao que parece, Mister Barrick foi inicialmente contratado pela Federação Rio-grandense de Futebol para apitar os jogos do campeonato citadino. Mas, malandramente, bem no jeitinho brasileiro, esta passou a emprestá-lo a outros centros do País. Assim o velho Jack apitou nos Eucaliptos, na Baixada, em São Januário, no Pacaembu, no Maracanã, no estádio da Timbaúva, na Chácara das Camélitas, na Colina Melancólica... Apitou jogos do Brasil contra outras seleções e apitou clássicos platinos, onde também tinha fama. A Federação gaúcha o emprestava, cobrava por isso, e nem sempre repassava o dinheiro ao fleumático e tolerante inglês.
Quantos anos ficou Mister Barrick no Brasil? Será que voltou para a sua Inglaterra ou resolveu se aclimatar nos trópicos? O mais provável é que tenha voltado: cansado da desorganização do futebol brasileiro e das promessas não cumpridas, às vezes o Velho Jack botava a boca no trombone, como em abril de 1950, alguns meses antes da Copa no Brasil. Conforme o Correio do Povo noticiou, Barrick estava insatisfeito e, pior, sentia-se explorado pelos dirigentes esportivos gaúchos:
“Por ocasião de sua recente ida a Caxias do Sul, a convite do presidente do Nacional, que é também presidente do Departamento de Futebol da Capital, o laureado apitador britânico queixou-se amargamente da maratona a que estava sendo submetido, atuando várias vezes em uma semana, por ocasião da temporada do Peñarol em nossos gramados. A um dos nossos cronistas, Mister Barrick alegou sentir dores na coxa direita, à altura dos rins, dizendo a impossibilidade em que se achava de continuar a apitar partidas fora dos termos do compromisso, ou seja, mais de três durante uma semana. Mister Barrick chegou a falar em rescisão do contrato, caso fosse obrigado a trabalhar além das suas forças. Agora o Departamento de Futebol da Capital acaba de tomar outra deliberação que está merecendo crítica nos círculos esportivos. É que os clubes uruguaios, Nacional e Peñarol, solicitaram por empréstimo a presença do Velho Jack em campos orientais para um torneio quadrangular que pretendem realizar juntamente com clubes brasileiros. Os maiorais do nosso futebol de pronto aquiesceram, condicionando-o a uma questão de data e, mais, exigiram 25 mil cruzeiros por arbitragem, devendo o apitador, por sua vez, perceber 5 mil cruzeiros em cada uma.”
“Isso quer dizer, pura e simplesmente, que o Departamento de Futebol da Capital resolveu que os clubes uruguaios venham a pagar os honorários de Mister Barrick pelos próximos quatro meses, com a visível economia de 100 mil cruzeiros para os clubes”
E assim conclui o Correio do Povo: “Ora, Mister Barrick não é nenhuma criança, e qualquer dia, quando achar que está sendo mal empregado, não terá dúvida alguma em pedir a rescisão do seu contrato a fim de continuar o seu verdadeiro apostolado esportivo em qualquer outro centro mais adiantado do que o nosso e onde não sirva unicamente de atração para rendas, ou – o que é pior – para evitar que os clubes tenham que entrar com dinheiro para suprir as modestas arrecadações auferidas com as não menos modestas exibições de seus esquadrões de profissionais..." 
É, o Velho Jack, o apitador número 1 do Mundo, deixou saudades em terras gaúchas, mas será que nós deixamos saudades nele?

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Táxi Aéreo procura mais clientes em 1949

No final da década de 40, logo depois do término da Segunda Grande Guerra, o Brasil era o segundo país em linhas aéreas em todo o mundo, chegando a ter mais de 60 empresas nessa área. Em tal época heroica da aviação os aviões eram pequenos, barulhentos e desconfortáveis, transportando muitas vezes quatro ou cinco passageiros em viagens perigosas e emocionantes que terminavam em precárias e quase impraticáveis pistas de pouso. Os acidentes eram muitos e os pilotos se orientavam por referências geográficas ou inscrições que as comunidades colocavam no alto das casas e dos prédios.
O Rio Grande do Sul, pioneiro na navegação aérea com a Varig, destacava-se neste aspecto. O aeroporto São João, atual Salgado Filho, movimentava uma média de 60 vôos diários, com aeronaves de grandes companhias e de pequenos táxis aéreos ou linhas regionais. Nesta reprodução do Correio do Povo de julho de 1949 vemos o anúncio da empresa Táxi Aéreo Guarany, que seguiria em "vôos especiais" para "qualquer lugar onde haja campo de pouso" - leia-se, locais de terra batida e nenhuma infraestrutura. Para a cidade de Estrela, por exemplo, a Guarany voava diariamente. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Agosto, no tempo dos cachorros loucos

 

O mês de agosto, antigamente (nem tão antigamente assim) era considerado o mês dos cachorros loucos, em referência ao grande número de raiva canina, ou hidrofobia, que acontecia nesse período do ano, sabe-se lá o porquê.. Até mesmo os pais alertavam as crianças para não se aproximarem de cães vadios e observarem, de longe, se tais bichos estavam babando ou com espuma na boca - sintoma da raiva. Hoje, com tantas vacinas e cuidados aos animais, nem mais se fala nisso e não se registram casos de transmissão da raiva do cachorro para o ser humano através da mordida - algo terrível, se não houvesse a imediata aplicação de injeções dolorosas em volta do umbigo. Nesta matéria, de 1976 - publicada pelo Correio do Povo - noticia-se o grande número de cães hidrófobos que vagavam pela badalada praia do Laranjal, em Pelotas, causando temor entre os moradores e os veranistas. 

quarta-feira, 5 de março de 2025

Do cine Miramar ao menos restou o prédio na Aparício Borges


Nos velhos tempos - anos 50, 60 e 70 - quando não se sonhava com shoppings centers (e muito menos com as 8 salas do Cinemark do Bourbon), o Cine Miramar era uma das opções de lazer dos moradores do Jardim Botânico.

Muita gente que está hoje na casa dos cinquenta ou sessenta anos, lembra bem dele - das películas em "tecnicolor", dos seriados que passavam antes do filme, do Canal 100... Cinema popular, um dia - como aconteceu com outros milhares no Brasil todo - fechou as portas e ficou na saudade.

Felizmente, o velho prédio (na avenida Coronel Aparício Borges, 2730, no Partenon, quase defronte à igreja de São Jorge) ainda não foi demolido - lá funciona hoje uma agência do banco HSBC e uma filial das Lojas Colombo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Inaugurado o primeiro semáforo de Porto Alegre

Quando teria sido inaugurado o primeiro semáforo de Porto Alegre? Essa pergunta poucos se fizeram, embora tais sinaleiras, como chamam os gaúchos, sejam vitais para o sistema de trânsito e façam parte do cotidiano não só de motoristas como também de pedestres que circulam pela capital gaúcha. Pois a resposta à pergunta é: o primeiro semáforo de Porto Alegre foi inaugurado no dia 11 de novembro de 1940, durante a gestão do prefeito José Loureiro da Silva, quando a cidade mal chegava a 300 mil habitantes, e mereceu destaque nos jornais da época, que ressaltaram a importância da modernidade, que nos comparava aos grandes centros urbanos - Rio de Janeiro e São Paulo. A "sinalização automática" vinha substituir os guardas de trânsito, aquelas figuras pitorescas que ficavam sobre uma espécie de picadeiro, com um apito na boca e fazendo gestos com os braços, muito comuns em cenas do cinema mudo. A matéria acima foi extraída da coleção do Correio do Povo do Arquivo Histórico de Porto Alegre. 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Luiz Carvalho, legenda gremista, vascaína e botafoguense

 

Luiz Carvalho é hoje o nome do centro de treinamentos do Grêmio Football Portoalegrense. Mas o que poucos sabem é que Luiz Leão de Carvalho foi um dos maiores jogadores do tricolor gaúcho - e depois também do Vasco da Gama e do Botafogo do Rio - tendo integrado a seleção gaúcha várias vezes nos anos vinte e trinta e também a seleção brasileira. Considerado o "rei da virada", por suas fintas desconcertantes, grande atleta, Carvalho mais tarde se tornou treinador e um dos dirigentes da "tradicional agremiação da Baixada", que depois se transferiu para o Olímpico, casa própria, e para a sua residência atual - a Arena. nesta reprodução do Correio do Povo é noticiado o seu aniversário, ocorrido a primeiro de setembro. Luiz Carvalho nasceu em Cachoeira do Sul e faleceu em Porto Alegre, a 17 de janeiro de 1985, aos 77 anos. Curiosamente, poucos dias depois de completar seus 28 anos, em 1935, aconteceu a morte do maior ídolo gremista de todos os tempos - Eurico Lara.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Televisão, em 1950, fixava os maridos em casa e agradava as mulheres

  

A primeira transmissão de televisão no Brasil aconteceu em 18 de setembro de 1950 (nome, aliás, de uma rua do JB,, ao lado do 35 CTG), em São Paulo, com a TV Tupi pertencente aos Diários Associados de Assis Chautebriandt, seguida, um ano depois, pelo Rio de Janeiro, a capital federal. Foi um pioneirismo no Brasil e também na América do Sul, marcando a entrada do País em uma nova era tecnológica e dando a arrancada para tudo o que existe hoje - com mais de uma centena de milhões de aparelhos espalhados de norte a sul (em novembro de 1951 eram apenas 16 mil). A preto e branco, rudimentar, feita ao vivo, a televisão - caríssima em seu início - assumiu aos poucos um papel que ainda exerce: o de manter as pessoas em casa e "tirar" muitos maridos da rua, como se vê nesta reprodução do antigo Diário de Notícias, via agência Meridional, do Rio, de novembro de 1951. Note-se que o Rio Grande do Sul somente teria a sua primeira emissora do gênero no final de 1959, a TV Piratini, canal 5.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

A nossa lentidão mental

 "Esta uniformidade do calor tropical pode ser propícia à saúde e permitir a vida até elevada idade, mas creio que também provoca certa lentidão intelectual. Existe uma relação evidente entre a meteorologia e o cérebro; os espíritos enérgicos medram melhor onde se alternam o calor e o frio, as calmarias e as tempestades. Sinto uma crescente tendência à ociosidade, tanto mental quanto física, e posso compreender facilmente por que as pessoas que visitam os trópicos se cansem da verdura invariável e anseiam pela neve e o gelo, assim como pela renovadora influência da primavera setentrional."

 
Por acaso retirei da biblioteca municipal um livro chamado Vida no Brasil, do norte-americano Thomas Ewbank, que esteve no Brasil em 1846, durante o Império, quando tinha 54 anos. Quer dizer, esteve no Rio de Janeiro e anos depois, de volta à sua terra, escreveu e publicou suas impressões sobre a terrinha. O livro é, de fato, muito bom e fruto de observações inteligentes de um homem que não manifestava preconceito com o Brasil, país onde vivia um irmão seu, casado com uma brasileira, mas também não se furtava a observar as coisas sem medo de tocar nas feridas, inclusive as coisas ruins não percebidas pelos tupiniquins  (e que, vendo bem, são formadoras do caráter nacional e ainda subsistem em diferentes e várias formas, ainda que difusas). Por exemplo, a crueldade com os escravos da parte de senhores cruéis, a indolência tropical das classes superiores, a má vontade, ou mesmo ojeriza, para com os trabalhos braçais, os costumes, a paisagem, as festas religiosas e as superstições religiosas envolvendo os santos. Ainda não acabei de ler a obra, que não deve ser lida de corrido e sim saltando algumas descrições muito técnicas e  específicas sobre coisas brasileiras.
Em certo trecho do livro Thomas se surpreende com o hábito brasileiro de se retirar o chapéu na presença de pessoas importantes ou ao se entrar em uma casa de família, algo que ele considera uma coisa meio oriental e que o divertia. Depois disso comecei a notar que, realmente, nos filmes americanos ninguém tira chapéu em respeito a ninguém - se entra com ele em qualquer local, em casas, bares etc.
Apesar de ser uma obra de primeira, muito bem escrita, só foi publicada no Brasil em 1973, mais de cem anos depois de ter saído na terra do Tio Sam. Só aí dá para perceber um pouco do nosso caráter e da nossa lentidão intelectual... Na página 66 da edição da editora Itatiaia, de São Paulo, encontrei o trecho acima, que assino embaixo.  Resolvi transcrever, por lentidão intelectual... (V.M.)

Carlos Nobre não teve substitutos

 

José Evaristo Villalobos Júnior - mais conhecido como Carlos Nobre - faleceu no dia 16 de dezembro de 1985 e deixou saudades em quem tem hoje mais de meio século de vida. Natural de Guaíba, Nobre foi, sem dúvida, o maior humorista gaúcho depois do Barão do Itararé, ou talvez até rivalizasse com ele. Sua página na Zero Hora, sempre com fotos de muitas mulheres bonitas e preferencialmente com pouca roupa, era a mais lida do jornal. Suas tiradas e aforismos hilários misturam o humor gaiato do povo com a crítica social e a sofisticação da inteligência crítica. Por exemplo, nada mais atual do que esta, de um humor amargo: "Já está na hora do Brasil voltar a brincar de "pega ladrão". 
Nesta reprodução da Revista do Globo, de abril de 1961, Nobre aparece assinando o contrato de sua renovação com a Rádio Gaúcha, já que era um humorista completo, de jornal, rádio e televisão. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Censo de 2000 e os domicícios do Jardim Botânico

 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, o Jardim Botânico contava (Censo do ano 2000), 11.494 habitantes, o que representava 0,84% da população do município. Destes, a maioria eram mulheres: 5.163 contra 6.331 homens, dos quais, no geral, 1,61% eram analfabetos.

Considerando a pequena área do bairro (2,03 kms quadrados, ou 0,43% da área de Porto Alegre), a densidade demográfica chegava a 5.662,07 habitantes por quilômetro quadrado. O JB integra a Região 16 do Orçamento Participativo. Oito anos atrás, tínhamos aqui 4.171 domicílios, com um rendimento médio dos responsáveis de 12,32 salários mínimos mensais – menor do que Petrópolis e superior ao do Partenon.
CIDADE RADIOCÊNTRICA – O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental, datado de 1999, divide o território de Porto Alegre em nove macrozonas.
O Jardim Botânico faz parte da Macrozona 1, a chamada “Cidade Radiocêntrica”, englobando o território compreendido pelo centro histórico até a Terceira Perimetral.Esta é considerada a zona mais bem estruturada do município, uma região mista, residencial, comercial, de prestação de serviços e até de pequenas indústrias, com proteção ao patrimônio cultural. Ou seja, pode-se fazer muitas coisas por aqui, mas sempre dentro de regras que não alterem o perfil do bairro, a chamada “miscigenação”, ou “mistura de atividades”.
A Cidade Radiocêntrica inicia junto ao Laçador e segue pelas avenidas D. Pedro II, Carlos Gomes, Senador Tarso Dutra, avenida Salvador França, Aparício Borges, seguindo por Teresópolis, avenida Campos Velho (faixa preta) e Icaraí.Oficialmente, a Prefeitura Municipal estimula, nesta área, uma grande variedade de usos dos terrenos e atividades, como hospitais, shopping centers, universidades, parques, centros culturais, sempre com o objetivo de que a população local tenha como atender as suas necessidades sem fazer grandes deslocamentos. É o que a Secretaria de Planejamento chama de “Corredores de centralidade”.
Já a região entre a avenida Protásio Alves e o Porto Seco, por exemplo, é chamada de “Corredor da Produção”. Lá, são estimuladas as atividades produtivas juntamente com as residenciais.
UMA DAS QUE MAIS CRESCEM – O Plano Diretor, que deverá ser modificado e adaptado em não muito tempo, permite que se construa, em certas partes do Botânico, edifícios com até 18 andares (altura de 52 metros máximos).
É o caso, por exemplo, das margens da Salvador França e de alguns trechos de esquina da Ipiranga. Porém, para se fazer uma construção desse porte é preciso dispor de um espaço amplo – ou quatro lotes de 11 metros.Conforme o arquiteto Hermes Puricelli, da Secretaria do Planejamento Urbano, o Jardim Botânico “é uma das zonas que mais está crescendo na cidade, embora ainda não tenha explodido. É uma zona em crescente valorização e daqui a algum tempo vai ser difícil, por exemplo, sobreviveram as velhas casas de madeira que sempre existiram no Botânico. O setor imobiliário está de olho nesta região da cidade”.
Bairro Jardim Botânico
Foi criado pela Lei 2022 de 7/12/59
Limites atuais: do ponto de convergência da Av. Ipiranga (talvegue do Arroio Dilúvio) com a Rua Gen. Tibúrcio; desta pela Rua Eça de Queiroz, Rua Itaboraí e Rua Machado de Assis; desta até a Rua Felizardo até encontrar a Rua Felizardo Furtado; desta até o limite norte com o Jardim Botânico e por este limite sempre por uma linha reta, seca e imaginária, direção oeste/leste, até a Avenida Cristiano Fischer; por esta até a Av. Ipiranga seguindo pela linha do Arroio Dilúvio até o ponto de convergência com a Rua Gen. Tibúrcio.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Pesticidas nas lavouras eram um problema sério nos anos setenta

 

A consciência e também a vigilância a respeito dos pesticidas que são usados nas lavouras melhorou muito nas últimas décadas, embora continue a ser um problema preocupante. No Rio Grande do Sul, Estado agrícola e fabricante de tais produtos agrotóxicos, a questão do uso de tais venenos estava em pauta, diariamente, na imprensa diária, devido ao grande número de trabalhadores que eram acometidos de doenças, distúrbios nervosos - alguns até se suicidaram - e outras consequências nocivas desses inseticidas usados para combater as pragas das lavouras. Nesta matéria, de janeiro de 1976, o Correio do Povo, através de seus correspondentes no interior, noticia a morte de um agricultor e quase 80 reses em função de tais produtos químicos extremamente potentes.

sábado, 11 de janeiro de 2025

O "Verão da Lata" que enlouqueceu as praias gaúchas

 No dia 22 de setembro de 1987 um navio chamado Solana Star estava sendo perseguido pela Marinha Brasileira, apoiada por agentes do Drug Enforcement Agency ((DEA), órgão anti-drogas norte-americano. Acuados no litoral do Rio de Janeiro - Angra dos Reis - eles largaram toda a sua carga ao mar, a uma distância de 100 milhas marítimas do litoral e, em seguida, se dirigiram sorrateiramente ao porto do Rio, onde abandonaram o navio. A bordo ficou apenas o cozinheiro da embarcação, o norte-americano Stephen Shelkon - imediatamente detido e, depois, condenado a 20 anos de cadeia, cumpridos no presídio Ari Franco, do RJ.

O episódio do Solana Star virou lenda: navio procedente da Austrália (outros dizem que da Indonésia), com destino aos Estados Unidos, carregado com cerca de 20 mil latas de maconha (22 toneladas), (1,25 kg cada lata), das quais apenas 10% foram apreendidas - o restante foi jogado ao mar e acabou chegando às praias brasileiras, no trecho entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul.
As latas continuaram chegando à costa até o mês de março, fazendo daquele verão (1988) o "verão da lata". Acondicionados em latas de alumínio, fechadas a vácuo, com canabis sativa de altíssima qualidade, foram - dizem muitos - o "último suspiro hippie do Rio de Janeiro" ("A maconha vinha do mar, como dádiva de Deus", comentou um consumidor). O carregamento teria sido feito no porto de Cingapura - o Solana Star tinha bandeira panamenha.
O "verão da lata" jamais foi esquecido pelos apreciadores do produto, dentre os quais se incluem muitos gaúchos e catarinenses. Levada pelas correntes oceânicas, a maconha chegou com fartura ao litoral do Rio Grande do Sul e ensejou viagens alucinadas à sua procura. Muitos a revenderam e, ilegalmente, ganharam dinheiro com isso. A maioria, porém, apenas fumou uma erva de elevado teor de THC. O Verão da Lata acabou virando filme - com o diretor João Falcão - e livro ("O Verão da Lata", de Oscar Cesarotto, editora Iluminuras, 2005). Muitos comentam que "fora do País, ninguém acredita que isso aconteceu". Mas aconteceu. Veja o depoimento de alguns que viveram esse episódio e assumem que o fizeram.

"Eu encontrei em Cidreira, naquele tempo ia pros butecos todo dia. Encontrei uma lata, o restante do pessoal pegou o resto. Aí veio a Polícia Civil. Mas não tinha como segurar todo mundo. A maconha vinha vedada, totalmente vedada, se abria com abridor de lata. Da nossa turma só pegamos uma, mas a notícia se espalhou. Quem tinha automóvel em Porto Alegre saiu adoidado percorrendo a orla e se deu bem. A lata era amarelada. Foi a melhor maconha que até hoje entrou no Brasil".
Hélio, "Mão", 46 anos, morador do Jardim Botânico.


"Encontrei surfando, em Magistério. Vi a lata boiando, peguei e fui ver o que era. Fechamos dois e fumamos. Foi de dia. De noite é que soubemos da notícia. Era uma paulada. Coisa boa"
Alex, 40 anos, morador do Jardim Botânico


"Me falaram que tinha um bagulho forte na praia, em Pinhal. Fui de moto ver e encontrei. Trouxe umas cinco latas de lá. Era só camarão. Peguei um quase nada e ele molhou. Foi o melhor bagulho que eu fumei em 50 anos, dizem que era indiano, era melhor que manga-rosa e cabeça-de-negro. A cor do bagulho era amarela, tinha que abrir com abridor de lata. Dava um cheirão, era prensada a vácuo."
G.B., morador do Jardim Botânico


"Fumei a da lata. Daquele, nunca mais vai aparecer. Eram umas latas parecidas com azeite, amarelas. O efeito era melhor do que cocaína. Não existia coisa melhor. Era um tempo de curtição. Tinha gente que saía de carro daqui, para ir ao litoral, buscar".
C.P., morador do Jardim Botânico.