Jornal do bairro Jardim Botânico. Porto Alegre, RS. Brasil. Fundado em 25 de março de 2019. jornalofelizardo.blogspot.com - email: vitorminas1@gmail.com
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domingo, 14 de setembro de 2025
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
Friendenreich, o mito, esteve em POA em outubro de 53
Arthur Friendenreich, filho de pai alemão e mãe negra, foi o primeiro grande astro do futebol brasileiro e um dos jogadores mais habilidosos de todos os tempos - dizem aqueles que o viram jogar, especialmente no Paulistano e no São Paulo. Nascido em 18 de julho de 1892 El Tigre - Friendenreich foi um centro-avante de rara inteligência, tendo feito muitos gols entre as décadas de 10 e 30 do século passado, quando abandonou o futebol, já devido à idade e ao fato de não concordar com a profissionalização da atividade. Pertencente à época romântica do "esporte bretão", não ganhou nenhum dinheiro com o futebol, tanto que, ao se afastar dos campos, passou a trabalhar em uma fábrica de bebidas. Morreu em setembro de 1969, morando em uma casa que o São Paulo, clube, lhe havia dado.
Em outubro de 1953, já com 51 anos de idade, Friendenreich esteve em Porto Alegre, onde assistiu a um jogo do Grêmio contra o Floriano (Novo Hamburgo) e foi alvo de uma série de homenagens. A reprodução acima é da Revista do Globo. El Tigre faleceu em 1969, aos 77 anos
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
Caçapava, do Inter, já comprou um fusca "incrementado": 1976
Que diferença! Se hoje qualquer jogador, mesmo de nível médio, desfruta de um altíssimo padrão de vida e ganha salários astronômicos - sem falar os carrões - em 1976, quando o Inter conquistou o seu segundo título nacional, Caçapava, volante, "exibia-se" com seu fusca "incrementadíssimo", com direito a rádio FM e até, vejam só, toca-fitas... A nota foi dada na coluna de João Carlos Belmonte, no Correio do Povo de 12 de setembro de 1976. Caçapava se chamava Luiz Carlos Melo Lopes, nasceu em Caçapava do Sul e lá morreu, em 2016, aos 61 anos, vítima de um infarto fulminante. Ele ainda jogou por outros grandes clubes, como o Corinthians e o Palmeiras, até retornar à sua terra natal.
sábado, 27 de julho de 2024
Cardeal, mito, jogava sem um pulmão
Cardeal foi um dos maiores jogadores do futebol gaúcho – isso na época romântica, em que o profissionalismo mal iniciava no esporte brasileiro. Nascido em Santa Vitória do Palmar a 7 de novembro de 1912, Sezefredo Ernesto da Costa era atacante e ganhou o apelido de Cardeal pelo fato de jogar com um gorro vermelho. Cardeal – assim como o grande Lara, do Grêmio – morreu de tuberculose, em Montevidéu, em 4 de agosto de 1949, com apenas 36 anos de idade, depois de ter passado por muitos clubes, pequenos e grandes – o Nono Regimento, clube de origem militar de Pelotas, rebatizado de Farroupilha em 1941, o Brasil de Pelotas, o São Paulo de Rio Grande, o Fluminense do Rio e Nacional de Montevidéu, entre outros.
Naqueles tempos não havia campeonato brasileiro de clubes, até pelas dificuldades de deslocamento em um Brasil primitivo e sem rápidos meios de transporte. Mas Cardeal, vice campeão brasileiro de 1936 pelo selecionado gaúcho (em uma decisão contra os paulistas em que, dizem os gaúchos, o árbitro deu uma mão ao pessoal da terra da garoa), foi convocado pelo técnico Ademar Pimenta para disputar o sul-americano de 1936, o que chamou a atenção dos uruguaios do Nacional, que o contrataram no ano seguinte. Em 1939 foi para o Fluminense, retornando para o Regimento de Pelotas menos de dois anos depois, clube pelo qual ganhou o histórico título estadual de 1935, o ano festivo das comemorações do centenário farroupilha. A decisão foi contra o Grêmio, em Porto Alegre, e Cardeal fez dois gols na vitória de 2 a 1 contra a equipe tricolor.
Segundo a lenda, Cardeal só tinha um pulmão, já que o outro havia sido extraído quando se descobriu tuberculoso. Mesmo assim ele jogava e se impunha na grande área – era o que se chama hoje de “matador”. Parou de jogar em 1943 e faleceu em Montevidéu, com toda assistência médica que lhe ofereceu o Nacional, onde também brilhou.
A fonte básica desta pesquisa inicial é o buscador do Google. A parte abaixo é pesquisa nossa.
Em janeiro de 1976, em uma das suas crônicas dominicais na coluna Esporte Especial do Correio do Povo, Cid Pinheiro Cabral contou uma pitoresca historieta envolvendo esse craque do passado, que reproduzimos aqui na íntegra e que se chamava “Dali, Cardeal não errava...” .
“Conhecido é o episódio do Carruíra, em Rio Grande, na década de 30. Atirando um pênalti contra o Botafogo, raspando a trave, mas pelo lado de fora, teve-o transformado em gol, sob a desculpa de que “Carruíra nunca errou nem errava um bola daquelas...”
Agora recebo do advogado Afif Jorge Simões Filho, de São Sepé, o relato de outro episódio envolvendo Cardeal – que aí vai como nos chegou.
“ – Há poucos dias esteve aqui em São Sepé, fazendo-nos uma visita, o distinto advogado de Bagé, Dr. Edgar Pinto, torcedor doente e alto prócer do Guarani. Contou-nos fatos interessantes do futebol bajeense, desde 1939, quando, guri, começou a frequentar os estádios da sua terra.
Esta aconteceu em Bagé, segundo relata o dr. Edgar, no início da década de 40 (1941 ou 42, por aí), quando o Farroupilha de Pelotas foi ali disputar um amistoso com o Guarani, levando como grande atração o inesquecível Cardeal já em fim de carreira, com um pulmão só e capacidade para jogar apenas um tempo, a pau e corda. Apitava a partida o ex-craque do próprio Guarani, conhecido por Gancho.
Ao terminar o primeiro tempo, ganhava o Guarani de 1 a 0. Faltando uns 30 minutos para o final, o Farroupilha apelou para o seu grande trunfo: colocou o Cardeal em campo para equilibrar (ou desiquilibrar) a partida. O Cardeal (e o sr. o viu jogar muitas vezes, certamente) dava a impressão de ser etéreo, imaterial, tal a facilidade e leveza com que passava pela zaga. Em fim de carreira, não tinha sequer força para grandes chutes, mas fazia o seu carnaval com a bola nos pés. Lá pelas tantas, pega a bola e derruba a dribles toda a defesa do Guarani, enquanto o árbitro Gancho, de apito na boca, segue atentamente o lance. Quando o Cardeal ficou na cara do goleiro, ouviu um tremendo apito e parou a jogada, pisando em cima da bola. Voltou para interpelar o Gancho, inconformado:
- Pomba, gancho, no hora em que eu ia fazer o gol, tu apitas.
- Olha, Cardeal, foi uma coisa estranha que aconteceu. Eu fiquei tão emocionado com a tua jogada que apitei sem querer. Foi um apito bobo que saiu da boca sem qualquer motivo. Mas podes ficar tranquilo: o gol não saiu... mas valeu!
E apontou o centro de campo, para nova saída. Os jogadores e a diretoria do Guarani cercaram o juiz, protestando aos gritos:
- É um absurdo! Onde é que estamos!
O Gancho argumentava:
- O gol estava quase feito, era só chutar.
Mas o pessoal do Guarani não se conformou:
- É um absurdo! O Cardeal podia chutar fora ou por cima, o goleiro podia defender...
E o Gancho, imperturbável:
- Vocês não conhecem o Cardeal... Joguei anos ao lado dele e contra ele, e gol como aquele ele nunca perdeu. Não haveria de ser hoje que iria perder...
E o jogo terminou empatado, apesar de todos os protestos do Guarani.
quinta-feira, 25 de julho de 2024
Com o Grêmio onde estiver o Grêmio
Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver. Muita gente pode imaginar que tal verso, contido no hino do imortal tricolor, é de autoria de Lupicínio Rodrigues: “Até a pé nós iremos, com o Grêmio onde o Grêmio estiver” Na verdade os torcedores mais antigos – bem mais antigos – devem recordar da faixa que a torcida levava, religiosamente, a todos os jogos do Grêmio, fosse onde fosse, e que Lupi – no ano de 53, o cinquentenário do clube da Baixada, modificou um pouco da frase original “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio”.
Com o Grêmio onde estiver o Grêmio, aliás, é o título de uma grande reportagem que Cid Pinheiro Cabral fez para a Revista do Globo em dezembro de 1951: “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio: é o lema da torcida do clube gaúcho mais vezes campeão”. Acima do título, uma grande foto de Santos Vidarte mostrava os jogadores em campo sendo abraçados pela torcida. Ao lado, lia-se a legenda feita por Cid: “Esta comemoração é pela conquista de um campeonato? Não, trata-se apenas de um gol do Grêmio. Não raro a torcida tricolor, que é a torcida gaúcha de maior espírito de colaboração, rompe os cordões de isolamento, escapa ao controle da polícia e vai comemorar o feito em pleno gramado com os autores diretos da façanha.”
Cid Pinheiro Cabral, que, como todos sabem, era colorado, enchia o tricolor de elogios e o chamava de “autêntico papão de campeonatos”. Na verdade, a Revista do Globo estava publicando uma série chamada Os Grandes do Futebol, na qual contava a história dos clubes do Rio e de São Paulo e também, é claro, da dupla Grenal.
Em uma época em que tanto Grêmio como Internacional eram olhados com certo desdém pelo centro do País e não faziam parte do chamado “futebol arte” e sim da viril escola platina, o Grêmio, sobretudo, representava essa fibra gaúcha. Foi assim na famosa excursão que o tricolor realizou por vários países da América Central no final de 1949. Os gaúchos jogaram contra selecionados nacionais, como da Guatemala, Honduras e El Salvador, e não perderam nenhum dos nove jogos que disputados. Ou melhor, venceram oito e empataram um. Até os presidentes de tais países compareciam aos estádios, onde o Grêmio era tratado como um inimigo a ser caçado.
O cronista Cid lembrava desse feito, ainda tão recente: “O maior feito em serie de um clube gaúcho no exterior cumpriu-o o Grêmio, em 1949, quando passou invicto, na América Central, por nada menos de nove cotejos. Sua enorme e entusiástica legião de admiradores recebeu-o com uma das maiores e mais carinhosas manifestações de que já foi teatro a Rua da Praia de Porto Alegre”. O jornalista lembrava o fato do Grêmio ter ganho 25 campeonatos em 48 anos de vida.
Na época da reportagem o Estádio Olímpico já estava em fase de construção, e Cid lembrava que isso – ter um grande estádio - era uma necessidade: “Há vários decênios que o clube mais vezes campeão do Brasil se acomoda num recanto, histórico e tradicional na verdade, mas incompatível com as necessidades mínimas atuais, de agremiação modelar, praticante de quase todas as modalidades de esporte terrestre, o “Fortim da Baixada”.
Naquele ano de 51 estavam iniciando as obras de terraplanagem do Olímpico Monumental, e muitas campanhas vinham sendo feitas para tornar a nova casa do Grêmio uma realidade. Quanto à torcida tricolor, o mais lido jornalista esportivo daquela época confessava sua admiração: “Quem for assistir a um jogo do Grêmio Porto-alegrense verá, como tela de fundo do cenário onde se aglomera a sua grande torcida, enorme faixa de pano onde se lê: “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio.” Esse slogan, consagrado já entre os torcedores do clube das três cores, caracteriza perfeitamente as relações entre a veterana e tradicional agremiação e seus simpatizantes”.
Como se vê, o grande Lupicínio Rodrigues, com seu senso estético e ouvido musical, apenas adaptou a velha frase para a hoje conhecida “com o Grêmio onde o Grêmio estiver”. (V.Minas)
domingo, 21 de julho de 2024
Internacional, tricampeão gaúcho
Internacional de 1971, Tricampeão gaúcho. Figueroa e Carpeggiani já estavam no time. Foto da revista Placar.
sábado, 25 de maio de 2024
Telê Santana chega ao Grêmio para interromper jejum
O Brasil já teve grandes técnicos - técnicos de verdade, não improvisados. Um dos que mais se destacaram foi o mineiro Telê Santana, responsável por tirar o tricolor gaúcho de uma fila de oito anos como vice-campeão estadual, o octa colorado, sempre perdendo para o Internacional no último jogo.
Dispensado pelo Botafogo três meses antes, em setembro de 1976 Telê foi anunciado como o novo treinador gremista, substituindo o interino Paulo Lumumba. Ele implantou uma nova filosofia de trabalho e deu o título de 1977 para o time da Azenha e do Olímpico, reestabelecendo o equilíbrio no futebol gaúcho. Em 1982 Santana foi o técnico da seleção brasileira na Espanha - exibindo um futebol alegre e eficiente que teve o azar fatal de perder para a Itália, com os três fatídicos gols de Paolo Rossi. Reprodução do Correio do Povo, Arquivo Histórico de Porto Alegre.
sexta-feira, 15 de março de 2024
Felipão quer reforços para o Brasil de Pelotas: 1983.
Em 1983 o jovem técnico de futebol Luis Felipe Scolari certamente não imaginava - nem em sonhos - que um dia seria o comandante do selecionado brasileiro e que ganharia uma Copa do Mundo. Naquele ano Felipão treinava o time do Brasil, de Pelotas, que disputava a Copa do Brasil - o atual campeonato brasileiro. Pretensioso, Scolari já falava em montar um bom time, para os padrões do seu clube, capaz de não fazer feio no certamente, e anunciava nomes com os quais queria contratar. A reprodução é do Correio do Povo.
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