Jornal do bairro Jardim Botânico. Porto Alegre, RS. Brasil. Fundado em 25 de março de 2019. jornalofelizardo.blogspot.com - email: vitorminas1@gmail.com
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 5 de março de 2025
O craque Falcão é assaltado e sequestrado em Canoas: 1976
Em 1976, quando era o jovem craque daquele grande time do Internacional que seria novamente campeão brasileiro naquele ano, o jogado Paulo Roberto Falcão foi vítima de um sequestro-relâmpago acontecido na cidade de Canoas, na Grande Porto Alegre. Falcão foi rendido por dois homens com revólveres e teve o seu carro - um modesto Chevette (embora ele já fosse um alto salário no mundo do futebol) roubado e encontrado depois em outro município.
Ao contrário do que muita gente pensa, a Porto Alegre dos anos setenta estava longe de ser uma capital tranquila: os assaltos se sucediam na área central da cidade, taxistas eram assassinados e, tal como hoje, a população reclamava da falta de policiamento ostensivo e da insegurança urbana.
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
Saramandaia, uma novela inesquecível
A novela Saramandaia, da Rede Globo, foi um grande sucesso naquele emblemático ano de 1976 - décadas atrás. Escrita por Dias Gomes, foi ao ar do início de maio ao final de dezembro, no horário das 22 horas, com um grande elenco de atores: Dina Staf, Juca de Oliveira, Yoná Magalhães, Ary Fontoura, Antonio Fagundes (que fazia a sua primeira novela na Globo), Sônia Braga, Wilza Carla, entre outros. Em uma época em que o realismo fantástico fazia sucesso, a trama de passa em um município nordestino chamado Bole-Bole. A cena em que Wilza Carla, ou dona redonda, explode de tão gorda, é antológica. Um remake foi feito recentemente, sem nem de longe igualar o folhetim original. A música Pavão Misterioso, com o cantor Ednardo, também marcou época. Reprodução do CP, anunciando sua estreia na então TV Gaúcha.
domingo, 11 de agosto de 2024
Agrotóxicos atormentavam o RS: 1976
A consciência e também a vigilância a respeito dos pesticidas que são usados nas lavouras melhorou muito nas últimas décadas, embora continue a ser um problema preocupante. No Rio Grande do Sul, Estado agrícola e fabricante de tais produtos agrotóxicos, a questão do uso de tais venenos estava em pauta, diariamente, na imprensa diária, devido ao grande número de trabalhadores que eram acometidos de doenças, distúrbios nervosos - alguns até se suicidaram - e outras consequências nocivas desses inseticidas usados para combater as pragas das lavouras. Nesta matéria, de janeiro de 1976, o Correio do Povo, através de seus correspondentes no interior, noticia a morte de um agricultor e quase 80 reses em função de tais produtos químicos extremamente potentes.
sábado, 10 de agosto de 2024
Tiradores de Sangue não eram uma lenda urbana e rural dos anos setenta
Quem quer que tenha nascido no interior do Rio Grande do Sul ou de outros Estados vizinhos sempre ouviu falar nas histórias dos "tiradores de sangue", espécies de vampiros que atacavam as crianças indefesas, geralmente a caminho da escola, e retiravam-lhes com seringa o sangue à força, ou depois de dopadas. Tais relatos - que muitos interpretavam como lendas rurais, inverossímeis até - de fato aconteceram e foram narrados pelos jornais da época, como nesta reprodução do Correio do Povo, de Porto Alegre, em abril de 1980. Naquela época ainda se comercializava sangue no Brasil e não havia uma política de saúde eficaz nesse sentido, o que tornava o comércio e o tráfico - geralmente com o plasma enviado para os Estados Unidos e Europa - algo muito rentável. Curiosamente, não se tem notícia de que nenhum de tais "vampiros" tivesse sido preso, o que certamente contribuiu para dar aos fatos verídicos um tom de lenda ou de histórias que os pais contam para disciplinar e amedrontar as crianças.
quinta-feira, 8 de agosto de 2024
Agosto, mês dos cachorros loucos
O mês de agosto, antigamente (nem tão antigamente assim) era considerado o mês dos cachorros loucos, em referência ao grande número de raiva canina, ou hidrofobia, que acontecia nesse período do ano, sabe-se lá o porquê.. Até mesmo os pais alertavam as crianças para não se aproximarem de cães vadios e observarem, de longe, se tais bichos estavam babando ou com espuma na boca - sintoma da raiva. Hoje, com tantas vacinas e cuidados aos animais, nem mais se fala nisso e não se registram casos de transmissão da raiva do cachorro para o ser humano através da mordida - algo terrível, se não houvesse a imediata aplicação de injeções dolorosas em volta do umbigo. Nesta matéria, de 1976 - publicada pelo Correio do Povo - noticia-se o grande número de cães hidrófobos que vagavam pela badalada praia do Laranjal, em Pelotas, causando temor entre os moradores e os veranistas.
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
Caçapava, do Inter, já comprou um fusca "incrementado": 1976
Que diferença! Se hoje qualquer jogador, mesmo de nível médio, desfruta de um altíssimo padrão de vida e ganha salários astronômicos - sem falar os carrões - em 1976, quando o Inter conquistou o seu segundo título nacional, Caçapava, volante, "exibia-se" com seu fusca "incrementadíssimo", com direito a rádio FM e até, vejam só, toca-fitas... A nota foi dada na coluna de João Carlos Belmonte, no Correio do Povo de 12 de setembro de 1976. Caçapava se chamava Luiz Carlos Melo Lopes, nasceu em Caçapava do Sul e lá morreu, em 2016, aos 61 anos, vítima de um infarto fulminante. Ele ainda jogou por outros grandes clubes, como o Corinthians e o Palmeiras, até retornar à sua terra natal.
Kojak diz que mulheres só querem o amor de um homem
A série de televisão Kojak fez grande sucesso nos anos 70 em todo o mundo. Produzida pela CBS, tinha como protagonista o ator Telly Savalas, o careca charmoso que fazia o papel de um tenente da polícia de Nova Iorque conhecido por seus métodos peculiares de investigação. Nascido em 1922 e falecido em 1994, Savalas, em 1976, tinha 54 anos e estava no auge do sucesso, o que fez com que rodasse o mundo com um show caça-níquel do qual participavam diversas belas mulheres. Ele esteve no Brasil no final de 1975 (declarado pela ONU o Ano Internacional da Mulher) e, em entrevistas, debochava do movimento feminista e dizia que as mulheres só queriam mesmo era o amor de um homem, fosse "careca, cabeludo, branco ou negro". A reprodução é do Correio do Povo.
Mulheres gregas não podem subir ao Monte Athos
Passaram apenas algumas décadas, e fica um pouco difícil entender o mundo daqueles anos setenta, especialmente no caso de ser mulher hoje em dia. Pois na Grécia, em 76 , as mulheres não podia subir ao Monte Athos, um dos lugares mais referenciais daquela nação que é considerada o berço da civilização ocidental. A proibição era oficial e, a despeito do veemente protesto dos movimentos feministas (1975 havia sido declarado, pela ONU, o Ano Internacional da Mulher), não foi revogada pelo parlamento da época. Hoje isso parece absurdo, mas tal era a realidade em uma época na qual o bicho fêmea tinha um status inferior ao bicho homem. Reprodução do Correio do Povo, Arquivo Histórico Moysés Vellinho, da Prefeitura de Porto Alegre. Data de 11 de Junho de 1976.
terça-feira, 30 de julho de 2024
No tempo em que o Festival de Gramado era em janeiro
Em 1976 o Festival de Cinema de Gramado, então em sua quarta edição, acontecia no mês de janeiro, nesta cidade da Serra gaúcha cujos principais encantos naturais e climáticos se revelam justamente no inverno - hoje o Festival é realizado obviamente nessa estação. O quarto festival, no entanto, foi um dos mais badalados e comprovava que, decididamente, o evento se consolidava como o principal em seu gênero no País. No Hotel Serrano, com sua disputada piscina, a nata da sétima arte nacional badalava, namorava e dava entrevistas como se fossem astros de uma holiúde tupiniquim. Os homenageados daquele ano foram Grande Otelo e Alberto Cavalcanti, mas a dupla que mais chamou a atenção, pela beleza, foi a modelo e, digamos, atriz Rose di Primo e aquele que era considerado "o homem mais bonito do Brasil", Pedro Aguinaga. Futilidades à parte, o festival daquele ano teve também discussões sérias, como a que envolveu o então ministro do Trabalho, o gaúcho Arnaldo Prieto, que foi lá discutir a regulamentação da profissão de ator - algo que ainda não existia.
quinta-feira, 4 de julho de 2024
Seu Manoel, já falecido, e as obras do condomínio Felizardo Furtado, em 1976
Seu Manoel Barros da Silva (de boné), nesta foto, no bar do saudoso seu Alécio Caselni, com 81 anos (já é falecido), nasceu em Portugal e morava no Jardim Botânico desde os 13 anos de idade. Entre outras coisas, foi testemunha ocular da construção do Conjunto Residencial Felizardo Furtado. Mais que testemunha: trabalhou na obra, do seu início, no verão de 1974, até o término desta, em 1976. “Comecei e terminei. Foi uma obra rápida. Tinha mais de 2.500 pessoas trabalhando, em certa época”, conta ele. “A construtora foi buscar gente no interior e veio até uma turma de Santa Catarina”.Funcionário do almoxarifado, durante 20 anos empregado da empreiteira Gus Livonius (que não mais existe, tal como era), ele recorda do ritmo intenso da construção e da seriedade como ela foi feita.“A obra não parou nunca, eram dez horas da noite e tava chegando concreto. E o fiscal do Inocoop estava sempre junto, conferia pessoalmente cada detalhe e às vezes mandava desfazer e refazer porque não estava de acordo. Também havia muito cuidado com a segurança, tanto que não me lembro de nenhum acidente sério”, relata.
Outra coisa: os peões tinham alojamento no local e refeições no local, com café da manhã, almoço e janta. Seguindo um cronograma rígido, cada edifício era concluído inteiramente, partindo-se então para a execução de outro dos oito prédios. Um posto de vendas, no lado da rua Ferreira Viana, recebia a visitas dos interessados, que adquiriam os apartamentos confiando nas especificações da própria planta arquitetônica.”Quando terminou, tava quase tudo vendido”, assinala seu Manoel.
AMAZONAS – Residindo por anos na Barão do Amazonas, seu Manoel pegou o Jardim Botânico em um tempo quase rural, a época da Vila Russa. “Meu pai tinha uma chácara na Salvador França. Lembro do Chico Tatão, os filhos dele tinham vacas de leite, no lado de cá da Salvador, que era de chão batido, quase não tinha casas, eu caçava passarinhos ali. A Ipiranga não existia, era só um caminho, e o arroio Dilúvio era um riacho desgovernado.” As águas do arroio Dilúvio da década de 40 e 50 eram então límpidas, garante ele, e nelas se pegava cascudos, que alguns meninos vendiam nas ruas.“Era uma água branquinha, limpinha”, recorda o saudoso Manoel.
quinta-feira, 30 de maio de 2024
Porto Alegre violenta
Se Porto Alegre é, hoje, uma terra sem lei, onde todos - menos os bandidos - caminham nas ruas receando pelo pior, quarenta anos atrás a capital gaúcha já tinha sérios problemas na área de segurança. Embora, logicamente, não chegasse aos níveis de hoje, especialmente no que tange à crueldade dos marginais, o centro da cidade já era um território agitado, com muitos assaltos, roubos e pungas. Em 1976, conforme se vê nesta matéria do Correio do Povo, a onda de crimes nas ruas atemorizava a população, que se voltava, irritada, contra as autoridades estaduais - exatamente como se faz hoje. A Brigada Militar, por sua vez, já se queixava do efetivo insuficiente - e olha que se vivia então sob o regime da ditadura militar.
sábado, 25 de maio de 2024
Telê Santana chega ao Grêmio para interromper jejum
O Brasil já teve grandes técnicos - técnicos de verdade, não improvisados. Um dos que mais se destacaram foi o mineiro Telê Santana, responsável por tirar o tricolor gaúcho de uma fila de oito anos como vice-campeão estadual, o octa colorado, sempre perdendo para o Internacional no último jogo.
Dispensado pelo Botafogo três meses antes, em setembro de 1976 Telê foi anunciado como o novo treinador gremista, substituindo o interino Paulo Lumumba. Ele implantou uma nova filosofia de trabalho e deu o título de 1977 para o time da Azenha e do Olímpico, reestabelecendo o equilíbrio no futebol gaúcho. Em 1982 Santana foi o técnico da seleção brasileira na Espanha - exibindo um futebol alegre e eficiente que teve o azar fatal de perder para a Itália, com os três fatídicos gols de Paolo Rossi. Reprodução do Correio do Povo, Arquivo Histórico de Porto Alegre.
domingo, 21 de abril de 2024
Um dos crimes mais famosos do Estado
Em 11 de abril de 1976, à meia-noite de um sábado, o jornalista Flávio Alcaraz Gomes - então um dos maiorais da imprensa gaúcha - matou com um tiro de espingarda a estudante e funcionária pública Maria José Alberton Silva, que namorava com um médico na frente da residência de Alcaraz, na rua Sinke, morro Santa Teresa, em Porto Alegre. Sentindo-se ameaçado, depois de mandá-los embora, Flávio pegou uma espingarda calibre 12, cano serrado, e disparou,atingindo a cabeça da moça. O Crime dois um dos mais comentados de toda aquela década de 70 sem Porto Alegre, recebendo a mídia muitas críticas pela forma como tratou do caso - todos os jornais evitaram dar destaque ao ocorrido. Em agosto de 1979 foi condenado a 12 anos de reclusão, que obviamente só cumpriu em pequena parte. Flávio Alcaraz Gomes, primo do então poderoso dono da Caldas Júnior, Breno Caldas, morreu já em idade avançada. Ainda hoje há várias versões sobre a motivação do crime.
sexta-feira, 15 de março de 2024
No tempo em que os cachorros loucos aterrorizavam no mês de agosto
O mês de agosto, antigamente (nem tão antigamente assim) era considerado o mês dos cachorros loucos, em referência ao grande número de raiva canina, ou hidrofobia, que acontecia nesse período do ano. Até mesmo os pais alertavam as crianças para não se aproximarem de cães vadios e observarem, de longe, se tais bichos estavam babando ou com espuma na boca - sintoma da raiva. Hoje, com tantas vacinas e cuidados aos animais, nem mais se fala nisso e não se registram casos de transmissão da raiva do cachorro para o ser humano através da mordida - algo terrível, se não houvesse a imediata aplicação de injeções dolorosas em volta do umbigo. Nesta matéria, de janeiro de 1976 - publicada pelo Correio do Povo noticia-se o grande número de cães hidrófobos que vagavam pela badalada praia do Laranjal, em Pelotas, causando temor entre os moradores e os veranistas.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
Festival de cinema de Gramado acontecia no verão
Pouca gente lembra, mas o Festival de Cinema Brasileiro de Gramado, no RS, já foi realizado em pleno verão, isso nos seus primórdios, nos anos setenta, como se vê nesta edição de número 4, em janeiro de 1976. Talvez com maior importância e glamour do que hoje, o Festival - naquela data - homenageou Grande Otelo, um dos maiores nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileira. As reproduções são do Correio do Povo.
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