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quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Primeira transmissão a cores de um jogo de futebol no RS e Brasil


O jogo foi pouco emocionante em Caxias do Sul.

A tarde do dia 20 de fevereiro de 1972, um domingo, marca a primeira transmissão televisiva pública e regular de um jogo de futebol a cores no Brasil. E mais uma vez a primazia coube ao Rio Grande do Sul, em um amistoso entre os times da Associação Caxias de Futebol, o Caxias, e o Grêmio Futebol Portoalegrense. O local era a chamada Baixada Rubra e o público, em grande parte formado por turistas que visitavam a décima segunda Festa da Uva, iniciada no sábado, foi considerado excelente. A partida, porém, não foi lá essas coisas, com o Caxias mostrando até uma certa superioridade sobre o tricolor e tendo mais chances reais de abrir o placar. Associação Caxias que era o resultado da recente fusão do Juventude com o Flamengo local, desfeita três anos depois.
O Grêmio – que havia três anos não ganhava o campeonato gaúcho – teve então a sua bela camisa vista pela primeira vez a cores nas telinhas e nas telonas dos pesados televisores a válvulas da época. E não só no Rio Grande do Sul como em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, locais em que o jogo foi retransmitido pelas TVs Rio e Record – afinal, era um momento de modernidade para as telecomunicações tupiniquins e uma conquista do chamado Milagre Brasileiro.
A transmissão pioneira foi da Tevê Difusora, canal 10, hoje Bandeirantes de Porto Alegre, sendo acompanhada pelos poucos privilegiados que haviam comprado os então caríssimos aparelhos a cores. Transmissão pública colorida em caráter nacional que, aliás, iniciou lá mesmo em Caxias do Sul, pela mesma Difusora, no dia anterior, na abertura da décima segunda Festa da Uva, embora ela tenha existido, de forma experimental, no início dos anos sessenta e durante a Copa do Mundo no México. A propósito, Médici era gaúcho e gremista e seu ministro das Comunicações, Higyno Corsetti, era, além de gaúcho, caxiense de nascimento.
O histórico mas pouco emocionante embate sem gols entre o clube da capital e o do interior talvez tenha passado despercebido pelos seus protagonistas e remanescentes, os gremistas treinados pelo velho Oto Glória: Deca, Espinosa, Ancheta, Beto, Everaldo, Jadir, Dacunto, Torino, Flecha, o argentino Oberti, Caio, Mazinho e Loivo. Os caxienses Nadir, Luis Alberto, Roberto, Antonio Carlos, Paulinho, Zangão, Ênio Chaves, Sidnei, Osvaldo, Fernando e Técchio, todos comandados pelo técnico Pedro Figueiró. A arbitragem daquele 20 de fevereiro de 1972 foi de Agomar Martins, auxiliado por Zeno Barbosa e Airton Bernardoni.

sábado, 7 de setembro de 2024

Grêmo e sua histórica excursão internacional de 1949

 


Em 1949 ainda havia o campeonato metropolitano de futebol, título que era também valorizado por todos os clubes participantes, em uma época em que o campeonato gaúcho - devido às dificuldades de deslocamento - era disputado por regiões. Aquele ano foi particularmente feliz para o Grêmio, que sagrou-se campeão em cima justamente do seu maior rival, o Inter. Também foi o ano em que o tricolor realizou a sua primeira grande excursão internacional, disputando jogos contra selecionados da América Central. Mesmo apanhando muito, e sendo intimidados, os jogadores gremistas voltaram invictos, com importantes vitórias, sendo entusiasticamente recebidos (exceto os colorados  pela população de Porto Alegre. Reprodução do Correio do Povo

terça-feira, 2 de julho de 2024

Telê Santana chega ao Grêmio para interromper a falta de títulos

 


O Brasil já teve grandes técnicos - técnicos de verdade, não improvisados. Um dos que mais se destacaram foi o mineiro Telê Santana, responsável por tirar o tricolor gaúcho de uma fila de oito anos como vice-campeão estadual, o octa colorado, sempre perdendo para o Internacional no último jogo.
Dispensado pelo Botafogo três meses antes, em setembro de 1976 Telê foi anunciado como o novo treinador gremista, substituindo o interino Paulo Lumumba. Ele implantou uma nova filosofia de trabalho e deu o título de 1977 para o time da Azenha e do Olímpico, reestabelecendo o equilíbrio no futebol gaúcho. Em 1982 Santana foi o técnico da seleção brasileira na Espanha - exibindo um futebol alegre e eficiente que teve o azar fatal de perder para a Itália, com os três fatídicos gols de Paolo Rossi. Reprodução do Correio do Povo, Arquivo Histórico de Porto Alegre.

sábado, 25 de maio de 2024

Telê Santana chega ao Grêmio para interromper jejum

 


O Brasil já teve grandes técnicos - técnicos de verdade, não improvisados. Um dos que mais se destacaram foi o mineiro Telê Santana, responsável por tirar o tricolor gaúcho de uma fila de oito anos como vice-campeão estadual, o octa colorado, sempre perdendo para o Internacional no último jogo.
Dispensado pelo Botafogo três meses antes, em setembro de 1976 Telê foi anunciado como o novo treinador gremista, substituindo o interino Paulo Lumumba. Ele implantou uma nova filosofia de trabalho e deu o título de 1977 para o time da Azenha e do Olímpico, reestabelecendo o equilíbrio no futebol gaúcho. Em 1982 Santana foi o técnico da seleção brasileira na Espanha - exibindo um futebol alegre e eficiente que teve o azar fatal de perder para a Itália, com os três fatídicos gols de Paolo Rossi. Reprodução do Correio do Povo, Arquivo Histórico de Porto Alegre.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

O último jogo de Everaldo




Everaldo Marques da Silva é hoje uma estrela dourada na bandeira do Grêmio, forma encontrada pelo então tricolor da Azenha para homenagear esse lateral esquerdo aplicado, eficiente e discreto que se consagrou tricampeão mundial de futebol pela seleção brasileira no México em 1970. A sua morte trágica, na noite de domingo, 27 de outubro de 1974, comoveu o povo gaúcho, o mesmo que o havia recebido em apoteose quando a seleção canarinho voltou do México trazendo consigo, em definitivo, a cobiçada Taça Jules Rimet. Único dos nossos no selecionado nacional, titular na lateral-direita quase de última hora em lugar de Marco Antonio, virou um ídolo popular acima das paixões clubísticas, motivo de orgulho em uma época em que os jogadores de futebol andavam nas ruas, não ganhavam milhões e nem andavam em Ferraris e Lamborguinis.
Foi, aliás, dirigindo um Dodge-Dart nacional que havia ganho de presente de uma concessionária de veículos, ao retornar da Copa, que Everaldo encerrou precocemente a sua vida, pouco mais de um mês depois de completar 30 anos de idade.  E nem foi na Porto Alegre onde havia nascido e onde crescera e sim na terra do arroz, Cachoeira do Sul, a quase 200 quilômetros da capital.  Com ele faleceram sua esposa Gleci, a filhinha Deise, de apenas 3 anos e, mais tarde, a irmã de Everaldo, Romilda, tripulantes de um automóvel lotado com sete pessoas. O culpado pelo acidente foi um motorista de Santa Maria chamado Vergílio, com 48 anos de idade e mais de 20 de profissão, casado, pai de três filhos, por ironia, um “gremista doente”, como diria mais tarde aos jornalistas. O caminhoneiro havia abastecido seu Mercedes-Benz, carregado com 24 toneladas de arroz, em um posto de gasolina à margem da BR-290 e retornou abruptamente para a rodovia, sem ver o Dodge que seguia no sentido de Porto Alegre. Eram 22 horas e 30 minutos de 27 de outubro daquele ano em que o Brasil apenas havia se classificado em quarto lugar na Copa vencida pela Alemanha, iniciando um jejum de títulos que duraria duas décadas.
Everaldo: estrela no pavilhão tricolor.


O lateral-esquerdo impecável, o marcador cerrado da Copa de 70 nem sequer teve chance de desfrutar a sua aposentadoria – que na verdade já acontecera, precocemente. Everaldo, agora, pretendia trocar os gramados por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado, pela Arena, Aliança Renovadora Nacional, o partido situacionista que disputava as eleições no próximo dia 15 de novembro. Para isso tinha ido a Cachoeira com a família, participar do jogo dos veteranos do Grêmio contra um time do colégio marista local, evento que lhe seria útil na busca de mais votos. Transmitida pela rádio local, a Princesa, a partida atraiu um grande público e terminou com 6 a 3 para o Grêmio, às 18 horas e 15 minutos. Everaldo teve uma atuação discreta, jogou além dos 15 minutos prometidos e meteu uma bola na trave. Depois participou de um coquetel, deu autógrafos, distribuiu a revista do Grêmio e santinhos da sua candidatura, visitou alguns amigos e partiu no seu “Dojão” amarelo de volta a Porto Alegre. Mal sabia que havia jogado o seu último jogo e fazia agora a sua última viagem.
Loivo, ponteiro esquerdo gremista, que o acompanhava como amigo e cabo eleitoral, hoje com 73 anos de idade, foi o último colega de clube e profissão a falar com o ídolo tricolor. Abastecendo o seu Chevete no Posto Constante, no entroncamento da BR-153 com 290, Loivo gritou para o amigo: “Nos encontramos em Butiá para tomar uma champanha com os amigos”. Não deu tempo.    

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Com o Grêmio onde o Grêmio estiver, frase que Lupicínio aproveitou e consagrou no hino tricolor em 1953

 



Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver. Muita gente pode imaginar que tal verso, contido no hino do imortal tricolor, é de autoria de Lupicínio Rodrigues: “Até a pé nós iremos, com o Grêmio onde o Grêmio estiver” Na verdade os torcedores mais antigos – bem mais antigos – devem recordar da faixa que a torcida levava, religiosamente, a todos os jogos do Grêmio, fosse onde fosse, e que Lupi – no ano de 53, o cinquentenário do clube da Baixada, modificou um pouco da frase original “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio”.
Com o Grêmio onde estiver o Grêmio, aliás, é o título de uma grande reportagem que Cid Pinheiro Cabral fez para a Revista do Globo em dezembro de 1951: “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio: é o lema da torcida do clube gaúcho mais vezes campeão”. Acima do título, uma grande foto de Santos Vidarte mostrava os jogadores em campo sendo abraçados pela torcida. Ao lado, lia-se a legenda feita por Cid: “Esta comemoração é pela conquista de um campeonato? Não, trata-se apenas de um gol do Grêmio. Não raro a torcida tricolor, que é a torcida gaúcha de maior espírito de colaboração, rompe os cordões de isolamento, escapa ao controle da polícia e vai comemorar o feito em pleno gramado com os autores diretos da façanha.”
Cid Pinheiro Cabral, que, como todos sabem, era colorado, enchia o tricolor de elogios e o chamava de “autêntico papão de campeonatos”. Na verdade, a Revista do Globo estava publicando uma série chamada Os Grandes do Futebol, na qual contava a história dos clubes do Rio e de São Paulo e também, é claro, da dupla Grenal.
Em uma época em que tanto Grêmio como Internacional eram olhados com certo desdém pelo centro do País e não faziam parte do chamado “futebol arte” e sim da viril escola platina, o Grêmio, sobretudo, representava essa fibra gaúcha. Foi assim na famosa excursão que o tricolor realizou por vários países da América Central no final de 1949. Os gaúchos jogaram contra selecionados nacionais, como da Guatemala, Honduras e El Salvador, e não perderam nenhum dos nove jogos que disputados. Ou melhor, venceram oito e empataram um. Até os presidentes de tais países compareciam aos estádios, onde o Grêmio era tratado como um inimigo a ser caçado.
O cronista Cid lembrava desse feito, ainda tão recente: “O maior feito em serie de um clube gaúcho no exterior cumpriu-o o Grêmio, em 1949, quando passou invicto, na América Central, por nada menos de nove cotejos. Sua enorme e entusiástica legião de admiradores recebeu-o com uma das maiores e mais carinhosas manifestações de que já foi teatro a Rua da Praia de Porto Alegre”.  O jornalista lembrava o fato do Grêmio ter ganho 25 campeonatos em 48 anos de vida.
Na época da reportagem o Estádio Olímpico já estava em fase de construção, e Cid lembrava que isso – ter um grande estádio - era uma necessidade: “Há vários decênios que o clube mais vezes campeão do Brasil se acomoda num recanto, histórico e tradicional na verdade, mas incompatível com as necessidades mínimas atuais, de agremiação modelar, praticante de quase todas as modalidades de esporte terrestre, o “Fortim da Baixada”.
Naquele ano de 51 estavam iniciando as obras de terraplanagem do Olímpico Monumental, e muitas campanhas vinham sendo feitas para tornar a nova casa do Grêmio uma realidade. Quanto à torcida tricolor, o mais lido jornalista esportivo daquela época confessava sua admiração: “Quem for assistir a um jogo do Grêmio Porto-alegrense verá, como tela de fundo do cenário onde se aglomera a sua grande torcida, enorme faixa de pano onde se lê: “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio.” Esse slogan, consagrado já entre os torcedores do clube das três cores, caracteriza perfeitamente as relações entre a veterana e tradicional agremiação e seus simpatizantes”.
Como se vê, o grande Lupicínio Rodrigues, com seu senso estético e ouvido musical, apenas adaptou a velha frase para a hoje conhecida “com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.