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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Imagens do JB

 

Rua Felizardo com Serafim Terra: prédio histórico.

Rua Francisco Fraga Feijó, o conhecido Beco que não é beco e que sai na Perimetral.
Rua La Plata, defronte ao Banco do Brasil, na esquina a Guilherme Alves.
Salvador França com a Valparaíso, onde, na esquina, havia o bar e armazém do Paulão.


domingo, 21 de janeiro de 2024

Borregaard, a multinacional nórdica que empestou os ares de Porto Alegre

 

Quem conheceu a Porto Alegre do passado sabe que a Borregaard teve um papel vital na história da capital gaúcha. De propriedade de empresários nórdicos que resolveram investir na fabricação de celulose em terras gaúchas, a "fábrica de fedor" empestou os ares da cidade e de outros municípios em volta, a ponto de ser considerada, de longe, a "inimiga pública número um" dos porto-alegrenses. Cínica e mentirosa, escorada em generais do Exército, em uma época de ditadura, a gigante norueguesa acabou por originar um forte movimento ecológico em terras rio-grandenses, do qual ressalta o nome do célebre ecologista José Lutzenberger. Espraiando seu horrível cheiro de ovo podre por toda a capital, a Borregaard, localizada em Guaíba, depois tomou o nome de Riocell e teve, com a redemocratização do país, que instalar equipamentos antipoluentes em sua fábrica e adaptar-se a um realidade que não condizia com a sua visão de uma terra "habitada por índios selvagens" que não mereceriam qualquer respeito.  

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

 Meninos no antigo Jardim Botânico. A foto possivelmente é dos anos 50, nos anos que precederam a inauguração da Fundação Zoobotânica. Toda a área que ia da Salvador França - então sem acesso à avenida Protásio Alves - até a Cristiano Fisher era tomada de mato nativo. (Foto: coleção de Dona Dorsa).


terça-feira, 9 de abril de 2019

Moradores reclamam do lixo jogado às margens da avenida Ipiranga: 1972

É, quem morre de saudades do velho Jardim Botânico talvez não lembre que o bairro, nos anos sessenta e setenta, padecia de muitos problemas de infraestrutura, entre os quais periódicas inundações. Habitado, à época, por uma população modesta, formada basicamente por barnabés, chacareiros, plantadores de agrião e flores e aposentados, o JB quase não era calçado e a hoje moderna avenida Ipiranga ainda estava em construção. 
Nela - como se vê nesta reprodução de uma nota do jornal Correio do Povo - alguns moradores menos civilizados, e também gente que vinha de fora, depositavam seu lixo à beira de um trecho que é, atualmente, um dos mais urbanizados do Botânico: entre a Salvador França (naquele tempo uma acanhada faixa de asfalto, cercada de modestas casinhas de madeira) e a rua Barão do Amazonas. Os moradores, claro, não gostavam da visão e do odor desses despejos e escreviam aos jornais reclamando da situação.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Em breve, mais moradores para o Jardim Botânico

Novo e imponente edifício que está surgindo na rua Valparaíso, entre a avenida Salvador França e o Bourbon. Considerado Radial Centro, pelo Plano Diretor de Porto Alegre, o Jardim Botânico - nas orlas da Terceira Perimetral - permite a construção de prédios de até 18 andares.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Um cabaré que marcou época na parte alta do bairro

Este belo prédio, onde funcionou o cabaré, foi demolido há alguns anos e deu lugar a um grande edifício de apartamentos.
REPUBLICAÇÃO do Conselheiro X

Eram os anos cinquenta, que muita gente chama de “anos dourados”, e seu Ruben Carlos Simionovschi vivia a sua infância, adolescência e início da juventude. O local – o bairro Jardim Botânico – nem tinha esse nome, oficialmente.“Em 1950, quando eu tinha oito anos, meu pai comprou uma casa na Guilherme Alves. Naquela época as ruas do bairro eram sem calçamento, somente com o passar dos anos elas foram recebendo melhoramentos, uma a uma – canalização do esgoto, calçamento”, relembra ele.
Aos mais de setenta anos, ainda morador do Botânico (rua Surupá), seu Ruben revive essa época com grande riqueza de detalhes. “Para nos locomovermos, tínhamos a opção de ir até a Protásio Alves, na esquina com a Barão do Amazonas, ou seguir até o final da linha do bonde, que ficava na esquina da rua Carazinho. Interessante que a linha de bonde vinha em dois sentidos, tinha trilhos nos dois lados da Protásio, junto aos postes centrais, mas somente até a Vicente da Fontoura, onde acabava a linha Boa Vista. Os bondes eram tipo “gaiolas”. Depois dali a linha era de um só lado, até o final, na esquina da Carazinho.
"Outra opção era pegar um micro-ônibus na Barão do Amazonas, esquina com a Felizardo. A opção preferida pela maioria era mesmo o bonde para o centro da cidade, já que a passagem saía mais em conta. Lembro que o micro-ônibus era cara. Por exemplo, se a passagem do bonde fosse 0,50 centavos, a do micro-ônibus era 2,00. Depois de alguns anos, a linha de ônibus, já operada pela Secretaria Municipal de Transportes, foi estendida até a esquina da rua Serafim Terra com a Felizardo”.Ele recorda que os ônibus variaram no decorrer dos anos: primeiramente movidos a gasolina, “depois uns ônibus importados, a diesel. Tivemos também ônibus “papa-filas”, cuja dianteira era um cavalinho, o ônibus vinha quase engatado nele”.
FAMOSO CABARÉ – Em uma época em que não havia televisão no Rio Grande do Sul os cinemas dominavam a cena. Ruben lembra: “Tivemos dois cinemas em Petrópolis. Um ficava nos fundos da antiga igreja de São Sebastião, na esquina das ruas Carazinho e João Abott, o Cinema Petrópolis. Já o Ritz, na Protásio, funcionou mais tempo, até ser demolido. Outra lembrança que eu tenho da Colônia Agrícola do Hospital São Pedro que ficava na área ocupada hoje pela SMAN e o Jardim Botânico. Os doentes trabalhavam no cultivo de hortaliças e alguns fugiam e ficavam perambulando pelo bairro.
No bairro, a “Vila São Luiz”, havia também muitos campos de futebol. Onde hoje é a ESEF, por exemplo, tínhamos quatro campos, muito frequentados, onde aconteciam torneios de futebol aos finais de semana. Além deste havia o campo da SMT, no final da Felizardo, esquina com a Buenos Aires. Onde hoje é a rua Pedro Pieretti existia o campo do Clube Amazonas e onde está o Bourbon eram dois campos também”.
Simionovschi recorda que na rua Cervantes, subindo a Dona Inocência, funcionava um famoso cabaré da cidade, o “Casa Branca”, cujo prédio ainda existe, “porém sem o charme de antigamente.“Sei dizer era frequentado por pessoas de algum poder aquisitivo. Lembro que a proprietária era uma senhora que tinha uma filha adolescente, como nós, uma filha muito promissora. Aquela parte alta do bairro era conhecida como Vila Russa”.
DOUTOR TÁCITO – Nos anos 50 não havia esgoto canalizado – os despejos corriam a céu aberto. A maioria das casas tinham latrinas e, algumas, fossa negra. “No início, cavei muito buraco para a nossa latrina”, revela Ruben. Quanto á água, naqueles tempos, já era tratada e canalizada, embora existissem determinados locais onde ela aflorava naturalmente do solo – os moradores mais antigos lembram das “bicas” da Praça Ararigbóia e da praça Nações Unidas.Por esse tempo o arroio Dilúvio – hoje praticamente um esgoto urbano – exibia águas claras, boas para o banho e para a pesca. Ruben presenciou as obras de canalização e o calçamento da avenida Ipiranga. Ex-aluno do colégio Otávio de Souza, lembra dele todo de madeira - “construído no governo Leonel Brizola” - feito com táboas de “macho-e-fêmea” sobre pilares de concreto. Outra recordação é a da Chácara das Camélias, de cultivo de flores, e que começava na Ferreira Viana e terminava na altura do número 200 da Guilherme Alves. “Outra chácara era onde está o Conjunto Felizardo Furtado, de hortigranjeiros, os donos eram uma família, só recordo do nome de um dos filhos, chamado Raul. Outra ficava onde hoje está sendo anunciada a construção do Condomínio Allure, na Felizardo, uma chára de agrião, principalmente, do seu Ângelo, que tem descendentes no bairro – Zé, Luiz, filhos, noras, genros, netos”.Outra pessoa da qual seu Ruben Simionovschi não esquece é do doutor Tácito Castro de Castro, um médico que atendia os pacientes em sua própria casa, na rua La Plata, defronte ao hoje Supermercado Gecepel. “Depois ele manteve o consultório em uma sala no prédio da Barão do Amazonas, em frente ao Posto Ipiranga, esquina Valparaíso. Ali, em uma das lojas, havia a Farmácia Ideal, do casal Frontelmo e Léa e mais um sócio”.
exemplo, tínhamos quatro campos, muito frequentados, onde aconteciam torneios de futebol aos finais de semana. Além deste havia o campo da SMT, no final da Felizardo, esquina com a Buenos Aires. Onde hoje é a rua Pedro Pieretti existia o campo do Clube Amazonas e onde está o Bourbon eram dois campos também”.
Simionovschi recorda que na rua Cervantes, subindo a Dona Inocência, funcionava um famoso cabaré da cidade, o “Casa Branca”, cujo prédio ainda existe, “porém sem o charme de antigamente.“Sei dizer era frequentado por pessoas de algum poder aquisitivo. Lembro que a proprietária era uma senhora que tinha uma filha adolescente, como nós, uma filha muito promissora. Aquela parte alta do bairro era conhecida como Vila Russa”.

Jardim Botânico, oásis verde que deu nome a todo um bairro de Porto Alegre

REPUBLICAÇaO

Entrar e permanecer aqui é uma terapia: árvores e plantas por todos os lados, um laguinho onde se avistam grandes carpas e tartarugas nadando e mergulhando, sem nenhum receio de serem incomodadas. A quietude natural desse espaço verde só é quebrada pelo som dos passarinhos ou quando tartarugas saem do seu banho de sol e jogam-se novamente na água. Em volta, ouve-se o vento sacudir a copa das árvores e zunir entre as taquaras e os bambus. De vez em quando a voz de crianças, de casais de namorados, de colegiais em excursão.
Instituição que deu nome ao bairro, um dos cinco mais importantes do País, o Jardim Botânico é o refúgio perfeito para quem busca uma ilha de tranquilidade em meio à agitação urbana. Localizado junto à Terceira Perimetral (avenida Salvador França), a história desse local confunde-se com a da comunidade à sua volta. Com 41 hectares de área total, perdeu muito da sua extensão original, que já foi de mais de 8O hectares. Parte de suas terras foi repassada à ESEF, outro tanto à PUC e ao Círculo Militar. Mesmo assim, abriga a mais completa coleção da fauna nativa do Rio Grande do Sul – e é esta, justamente, a filosofia da instituição.

CAIXINHA DE SURPRESAS – No local funciona, além do Jardim, a administração central da Fundação Zoobotânica (que engloba o Zoológico de Sapucaia) e o Museu de Ciências Naturais. “O pessoal não sabe o que é isto aqui, nós somos uma caixinha de surpresa”, afirma Elisabete.
Poucas pessoas sabem, mas, além de local de visitação e lazer, há importantes trabalhos de pesquisa, de educação ambiental e até um serpentário (aberto à visitação pública) com mais de 400 cobras e serpentes, cujos venenos são extraídos e enviados para institutos fisioterápicos a fim de se produzir soros e medicamentos, trabalho executado pelo Núcleo Regional de Ofiologia de Porto Alegre, NOPA. A maior parte desses ofídios é capturada por pesquisadores, embora muitas pessoas disponham-se espontaneamente a trazer exemplares e doá-los à instituição.
São 11 mil metros quadradxemVE, Canal 7 – que, aliás, nunca chegou a funcionar no Botânico.
TRISTE MEMÓRIA - Idéias equivocadas por parte dos administradores públicos estaduais quase destruíram a concepção original do Jardim Botânico. Inaugurado em 10 de setembro de 1958, o período que vai de 1964 a 1974, especialmente, é de triste memória para os funcionários da casa. Esta ficou quase sem investimentos, desprestigiada, a área original foi repartida e pensou-se até em construir aqui um grande Centro de Convenções, como estacionamento para mais de mil veículos, o que seria o caos.
A partir de 1974, com a administração do professor Albano Backes, a situação melhorou, organizou-se novas coleções, retomou-se as expedições em busca de novas plantas e houve a definição – que vigora hoje – de se focar os trabalhos na flora nativa. Nos final dos anos 80 implantou-se um núcleo de educação e, em 1997, foram construídas as instalações para o Banco de Sementes e novas casas de vegetação, além de novos prédios, da compra de equipamentos modernos e contratação de mais funcionários (hoje são cerca de 100).
Outra importante atividade são os estudos para licenciamento de empreendimentos de geração de energia eólica (ventos) no Estado, uma fonte de energia limpa em crescente valorização.
Em 2003, através de lei estadual, o Jardim Botânico foi declarado Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul.
ÁREAS TEMÁTICAS - Passear pelo Botânico é conhecer a flora nativa do Estado, embora existam espécies de muitas partes do mundo. A criação de “áreas temáticas” foi muito importante para a sistematização dos trabalhos. Hoje existem muitas delas, como a de plantas perfumadas, a de plantas medicinas, a das ameaçadas de extinção, etc. Biológos – e muitos fazem estágio aqui – partem para o interior, à cata de novas espécies, as chamadas “expedições”. Também merece destaque o trabalho com fósseis nativos.
Não só a flora como a fauna recebe atenção dos pesquisadores. “Nós temos o registro de 105 aves nossas e, inclusive, vamos fazer uma publicação destinada a elas”, conta Elisabete. Os biólogos e outros pesquisadores igualmente desenvolvem um trabalho de educação ambiental, proferindo palestras em colégios, para estudantes de todas as idades.
Outra coisa que pouca gente sabe é que o Museu tem um setor destinado à comercialização de mudas da flora nativa para qualquer pessoa interessada. Há também um anfiteatro, destinado a shows, concertos e apresentações musicais que já chegou a reunir 10 mil pessoas alguns anos atrás, conquanto hoje não esteja sendo muito usado.
Aberto ao público de terça a domingo, integrado à comunidade, tanto o Jardim Botânico quanto o Museu de Ciências Naturais (chamado Museu Padre Balduíno Rambo, em homenagem a um dos fundadores e primeiro diretor da Fundação Zoobotânica) recebem milhares de visitantes a cada mês. Mesmo assim, a segurança não chega a ser um problema (até porque é uma área policiada e cercada) e não se registram invasões de seus limites. A Vila Juliano Moreira, localizada nos seus fundos, com dois hectares, já foi desapropriada pelo Governo do Estado e deverá ser regularizada e entregue aos seus moradores atuais de forma legal. A idéia é urbanizá-la.
COLÔNIA AGRICOLA - Falar em Juliano Moreira é falar no passado do local, quando aqui funcionava a Colônia Agrícola do Hospital Psiquiátrico São Pedro, conhecida como “Casa de Passagem Juliano Moreira”. Destinada a pacientes com problemas mentais (que muitas vezes fugiam e vagavam pelas ruas do bairro), junto a ela foram construídas residências para os funcionários que trabalhavam no local. Com a desativação da estrutura maior, as casas foram passando dos pais para os filhos, originando a pequena vila em direção à avenida Cristiano Fischer.


Serviço:
JARDIM BOTÂNICO – Av. Salvador França, 1427. Tel.:3320.2024 – Email: jbotanico@fzb.rs.gov.br – Serpentário aberto de terça a domingo, das 10 às 16 horas