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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Antigo Vale do Sabão é o Botânico de hoje

Flagrante: primeira comunhão na antiga igreja de São Luís, na rua Guilherme Alves. Esta igreja situava-se onde, hoje, está sendo construída a nova. A foto não está datada.Possivelmente é do final dos anos sessenta. O retrato pertence à coleção pessoal de dona Dorsa, antiga moradora do JB, e foi obtida por intermédio de seu Rui Cintra, comerciante e também antigo morador do bairro, residente na rua Itaboraí.Oficialmente, o Jardim Botânico nasceu no ano de 1959, pela lei número 2022, de autoria do vereador e historiador Ary Veiga Sanhudo. Nesse ano foram oficializados inúmeros outros bairros de Porto Alegre.  A história do Jardim Botânico corre paralela à da avenida Ipiranga e da canalização do riacho Dilúvio, obras que levaram décadas. No passado, toda essa região ribeirinha ao rio, desde a Agronomia até o Beira-Rio, era conhecida como o “Vale do Sabão”, uma área baixa e alagadiça. As constantes inundações do arroio eram um sério problema.
Em seu livro “Crônicas da Minha Cidade”, que parece ter sido escrito na década de 50, o historiador Ary Veiga Sanhudo é profético quando ao futuro promissor da região - “a zona mais próspera da cidade”. Escreveu ele, meio século atrás:“O bairro São Luiz, como aliás foi por muito tempo conhecido, não apresenta verdadeiramente qualquer notabilidade maior do que as ajardinadas terras do nosso futuro horto botânico. É um lugar de condições modestas e pela circunstância de se achar encravado entre o Riacho e o cerro de Petrópolis, viveu sempre jugulado à sua embaraçante situação de bairro sem uma via própria de acesso com maior desenvoltura. A sua radial, todavia, é a perimetral rua Barão do Amazonas. (...) No entanto, não nos cabe dúvida que, no dia em que as formidáveis laterais do Arroio Dilúvio – avenida Ipiranga – estiverem completamente urbanizadas, propiciando o extraordinário tráfego desse imenso Vale do Sabão, desde a Agronomia até a Beira-Rio, todo este bairro, como os demais quarteirões ribeirinhos, tomarão outro aspecto e constituirão a zona mais próspera da cidade”.
QUERO-QUERO – Há menos de vinte anos, o Correio do Povo (23 de maio de 1987), em matéria da jornalista Magda Wagner, traçava um perfil do JB: “É um bairro tranquilo, de ruas largas, que mais parece uma cidade do interior (...) Em frente ao maior conjunto habitacional do bairro, na rua Felizardo Furtado, nos deparamos com uma inesperada plantação de agrião, reforçando a idéia de que o Jardim Botânico é, no mínimo, um bairro diferente. Os quero-queros, ave típica dos descampados, proliferam no bairro, alimentados pelas folhas de agrião.” Antes de ser Vila São Luiz, o JB chamava-se Vila Russa, o que é explicado pela presença de imigrantes russos que chegaram aqui no início do século passado, instalando-se na parte alta, do outro lado da hoje avenida Doutor Salvador França.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

 

Futebol eficiente, aplicação, valentia e preparação: o Grêmio é campeão mundial de 1983


Correio do Povo: chamada de página inteira para a transmissão de Tóquio

Um jogo de muita aplicação e pouca inspiração. Assim a revista Veja de 21 de dezembro de 1983 noticiou a conquista, pelo Grêmio Porto-alegrense, do título mundial de clubes disputado em Tóquio, no Japão. A final, de uma só partida, sem interferência da Fifa, se chamava Copa Toyota – em alusão ao patrocinador – e também Copa Intercontinental, por envolver os dois grandes continentes futebolísticos, Europa e América. Em 2017, a entidade reconheceu o Grêmio como legítimo campeão mundial de clubes daquele ano.
Sob o título “Carnaval em dezembro – o Grêmio Ganha o campeonato Mundial de Clubes e brilha na entre-safra do futebol”, a revista semanal de maior circulação do País destacou o contexto desanimador do futebol brasileiro de então, que vinha da decepcionante derrota da seleção na Copa de 82, disputada na Espanha. “Qual o País que, vivendo uma crise de entressafra como a que estamos atravessando, consegue fazer dois campeões mundiais em apenas três anos?”, perguntava, em tom de desafio, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Giulite Coutinho. Ele se referia não só à conquista do tricolor gaúcho como também, dois anos antes, a do Flamengo, do Rio, que havia se sagrado campeão mundial na capital do Japão ao vencer do Liverpool da Inglaterra por 3 a 0. Desta vez, ao superar o Hamburgo da Alemanha por 2 a 1, o Grêmio de Porto Alegre – ainda segundo Veja – “teve competência suficiente, além de muita valentia, para vencer um adversário que ganhou o campeonato europeu e acaba de ser eleito pela revista inglesa Word Soccer a melhor equipe do ano em todo o mundo”. O Hamburgo havia sido campeão da Liga dos campeões da UEFA ao vencer a Juventus de Turim por 1 a 0. O Grêmio, por sua vez, conquistara pela primeira vez a Libertadores ao bater o Penharol de Montevidéu, no Olímpico Monumental, por 2 a 1 no segundo jogo.
Veja apontava que “sempre exigentes, torcedores de outros clubes lamentaram a falta de grandes jogadas e toques mágicos ao longo de uma partida transmitida pela TV para milhões de espectadores em todo o planeta”, para em seguida ressaltar a apoteose que foi a chegada da delegação tricolor à capital gaúcha: “Os gremistas não tinham do que se queixar: fiéis ao código das paixões do futebol, eles improvisaram um carnaval em dezembro para festejar, em Porto Alegre, o mais luminoso título já alcançado em toda a história do clube”. Traçando uma analogia do futebol eficiente do Grêmio no Japão, no dia 11 de dezembro, com o da seleção canarinho que brilhou na Espanha, mas não chegou ao título ao perder para a Itália no estádio de Sarriá, em Barcelona, a 5 de julho de 82, a revista sentenciou: “De que adianta formar um time de artistas se a vitória não viera?”
O feito do Grêmio, 35 anos atrás, tinha também explicações extra-campo, como destacou a publicação da Editora Abril, ao referir-se à minuciosa preparação do escrete tricolor e à custosa – para a época – infraestrutura que precedeu o confronto no Estádio Nacional de Tóquio: “Até que o zagueiro uruguaio Hugo de León, capitão do Grêmio, pudesse levantar a taça em Tóquio, o time gaúcho teve de cumprir uma dura, demorada trajetória, durante a qual se viu compelido a mexer no time e nos cofres. O atacante Tita, por exemplo, um dos heróis da conquista da Libertadores da América, em julho, foi requisitado pelo Flamengo, que o emprestara ao Grêmio, e abriu vaga para o veterano Paulo César Caju, responsável por uma bisonha atuação no jogo de Tóquio.
A preparação do Grêmio para a decisão em Tóquio havia durado quatro meses, com um gasto de mais de 300 mil dólares, pagos pelos patrocinadores japoneses, e incluía concentrar os jogadores em uma estância climática em Gramado, importar teipes das partidas do Hamburgo e fretar um avião para levar 300 pessoas ao Japão.
Veja aproveitou a ocasião para entrevistar um gremista ilustre que, já longe do poder, pouco falava com a imprensa – o ex-presidente brasileiro, general Emílio Garrastazzu Médici, então com 78 anos. Médici interrompeu o seu retiro de verão em Dom Pedrito, na campanha gaúcha, para seguir de carro, em companhia da mulher, até Porto Alegre, onde, segundo explicou, a televisão pegava bem melhor do que em sua fazenda. Gremista fiel, o general torcia também pelo Flamengo, e pelo São Paulo, que naquele ano havia perdido o título estadual para o Corinthians. Feliz e aliviado, Médici considerou que “o jogo foi muito duro, emocionante durante todo o tempo”, especialmente na prorrogação. Mas comemorou: “Também não é brincadeira, o Grêmio é campeão do mundo!”. E ainda alfinetou a torcida colorada: “O Inter só é campeão gaúcho porque o Grêmio preferiu se poupar para o título mundial.” Para o ex-presidente do regime militar, o Grêmio já tivera times melhores: “O dos últimos anos, por sinal, eram superiores ao atual”.
Com a taça de campeão mundial de clubes nas mãos, uma comitiva gremista seguiu para Brasília no dia 29 de dezembro de 1983 a fim de mostrar ao então presidente João Batista Figueiredo e ao chefe da casa civil da presidência da República e conselheiro do Grêmio, Leitão de Abreu, o troféu conquistado no Oriente. Estavam lá o novo presidente, Alberto Galia, o recém saído Fábio Koff, o patrono Fernando Kroeff e o presidente do conselho deliberativo, Flávio Obino, além de Pajheu Macedo Silva e Pedro da Silva Pereira.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Navios da Costeira para todo o Brasil

Navios da Costeira. O termo era mais do que usual no Rio Grande do Sul - e também no Brasil - na primeira metade do século, época em que a navegação de cabotagem, ao longo da extensa costa marítima brasileira, transportava centenas de milhares de passageiros, em viagens longas, fatigantes e também extremamente agradáveis. Porto Alegre, a última capital brasileira, ao sul, vivia tudo isso intensamente, com grande movimentação de pessoas no cais do porto, no centro, um local ainda elegante e que centralizava, verdadeiramente, a vida da cidade. Em 1935, ano do centenário da Revolução Farroupilha, a Revista do Globo, da família Bertaso, publicava este anúncio, informando sobre a saída de vapores, de passageiros e de cargas, que seguiriam para outros destinos ao longo do litoral brasileiro. A Costeira, da família Lage, era a maior e mais prestigiosa companhia de navegação nacional naquela época.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

 

A Valparaíso é hoje um rua importante do bairro e nela, lado sul, está situado o Bourbon Shopping Ipiranga, inaugurado em 1998 e que modificou o perfil do JB. Porém antes, bem anfes, nos anos 60 e 70, a Valparaíso sequer tinha calçamento decente e servia como depósito clandestino e irregular do lixo que aqui depositavam moradores do próprio Botânico ou de outros bairros, aproveitando para isso a via expressa chamada avenida Ipiranga, ainda incompleta. É o que vemos nesta matéria do Correio do Povo, na seção destinada a queixas e reclamos dos moradores da capital, na metade dos anos setenta.



sexta-feira, 18 de julho de 2025

Espiridião Amim com cabelos, o mais jovem prefeito

O ex-prefeito de Florianópolis e ex-governador de Santa Catarina, Esperidião Amim, sempre foi conhecido por sua careca reluzente - tão vistosa que alguns, chistosamente, diziam ser postiça, apenas para destacá-lo e chamar a atenção do eleitorado. Mas Amim, no distante passado, tinha, sim, cabelos, e até uma cerrada barba, como se vê nesta foto publicada no jornal Correio do Povo de Porto Alegre, através de sua sucursal na capital catarinense. Na época Esperidião, que ainda não completara 28 anos, era o jovem prefeito de Floripa, uma pacata e "pitoresca" cidade, com cerca de 200 mil habitantes, longe ainda de ser o pólo turístico moderninho (saudade dos velhos tempos) que é hoje em dia. Coleção do Arquivo Histórico Moyses Vellinho da Prefeitura de Porto Alegre. 

O misterioso incêndio do Tribunal de Justiça completou 75 snos


A notícia do incêndio da Praça da Matriz e a absurda fuga do "Major Aragon": ele escapou do presídio para "falar á reportagem" do Correio do Povo.



Pesquisa e texto: Vitor Minas

    Se havia – naquela segunda metade dos anos cinquenta do século 20 - realmente um incendiário a postos para queimar prédios públicos, tal pessoa, ou pessoas, sabiam muito bem o que queriam: depois do Tribunal de Justiça (ver matéria neste blog), em novembro de 1949, e do prédio da Imprensa Oficial, em 1947, foi a vez da Repartição Central de Polícia, na Rua Duque de Caxias, sinistro histórico que destruiu milhares de inquéritos policiais e quase matou mais de 50 presos desesperadamente trancafiados em um dos xadrezes da construção. Foi mais um duríssimo golpe nos serviços de segurança pública do Estado e seria apontado como uma das causas do grande aumento da criminalidade registrado na Capital aquele ano.
    O incêndio da RCP aconteceu também em um sábado, às 2 horas da madrugada de 14 de janeiro de 1950, transcorridos apenas 55 dias depois do acontecido com o Foro, com a diferença de que se alastrou de maneira muito mais violenta e causou temores redobrados em toda a população do centro, aterrorizada com a sequência de explosões de granadas de mão armazenadas no depósito de munições e com a possibilidade ainda mais dramática de tudo aquilo, inclusive os colégios femininos situados nas vizinhanças, como o Sevigné, ir pelos ares caso as chamas atingissem um depósito de gasolina e diesel existente nos fundos do prédio, sem contar um grande paiol de explosivos.  No final, felizmente, os danos foram somente materiais e judiciários, pois ninguém morreu queimado.
   Dos 52 presos na cela cujo cadeado teve que ser arrombado a pé-de-cabra apenas um, detido por vadiagem, fugiu. A população, por sua vez, acordou sobressaltada e surpresa, receando, quem sabe, a eclosão de um movimento militar ou de uma nova revolução: o estampido das granadas, acomodadas em um cofre, e o barulho de balas explodindo, bem como a altura das chamas, faziam prever pelo pior, até mesmo uma guerra. Afinal, na Duque, na parte alta da cidade, hoje considerada centro histórico, está também o Palácio Piratini, sede do governo estadual, e a Catedral Metropolitana.
    Tal como o casarão do Tribunal de Justiça e da Secretaria do Interior, o prédio da chefia da Polícia também era quase um pardieiro, uma construção antiga, repleta de paredes, divisórias e tabiques de madeira servidos por arremedos de instalação elétrica. Sem dinheiro e endividado, o Estado gaúcho, comandado por Valter Jobim, havia interrompido ou adiado a construção ou reforma de grande parte dos seus prédios públicos. Pedindo providências para solucionar o problema, o jornal Correio do Povo, ao noticiar o fato, lembrava que, caso isso não acontecesse e não se desse fim a casos daquela natureza, “ninguém mais convencerá a opinião pública que esses eventos não são provocados por mãos criminosas, ou que se verificam pura e simplesmente devido à negligência e ao indiferentismo do poder executivo.”
PREJUIZOS INCALCULÁVEIS – O fogo teria começado na parte alta, no sótão do segundo andar do prédio, provavelmente em uma sala que servia de depósito de colchões e papéis, o que facilitou extraordinariamente a propagação das chamas, percebidas somente por alguns policiais de plantão e por um carpinteiro que dormia ao lado. Um deles comunicou o fato ao inspetor-chefe Nuno Alves Guimarães – neste momento as chamas já saíam pelas janelas. O delegado Geraldo Monteiro Alves, que estava de plantão momentos antes e fora deitar em uma das camas, acionou os bombeiros, os quais, mesmo chegando em grande número, pouco puderam fazer.
    O incêndio da Repartição Central de Polícia consumiu milhares de processos, destruindo sobretudo aqueles que diziam respeito aos réus soltos afetos aos “atentados à propriedade”, que foram beneficiados pelo fato de não haver cópias dos documentos, ao contrários dos dossiês dos réus presos. O Instituto de Polícia Técnica também amargou grandes prejuízos de equipamentos e de material, embora o seu responsável, José Lubianca, garantisse que 95% dos prontuários criminais estavam apenas chamuscados nas bordas e poderiam ser aproveitados. De tudo o que havia no plantão daquela noite apenas se conseguiu salvar duas máquinas de escrever, duas mesas, duas cadeiras e o livro de ocorrências.
     Bem ao espírito da época (Guerra Fria e polarização ideológica em um ano de eleições presidenciais no Brasil), as autoridades da segurança pública estadual se apressaram em tentar jogar a culpa nas costas de militantes do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, o quarto mais importante e votado no País, proscrito recentemente pelo General Eurico Gaspar Dutra. O líder comunista Flávio Argolo, um cirurgião dentista que passava férias na praia de Capão da Canoa com a sua família, foi preso como suspeito e teve de recorrer a advogados, os quais impetraram um habeas-corpus a fim de libertá-lo. As cópias do processo contra ele, trancadas no cofre do gabinete da chefia de Polícia, mostraram-se intactas quando se abriu o cofre, na quinta-feira, 19. Tal peça, mesmo queimada e avariada, ainda assim resistiu.
    Meses mais tarde o mesmo “Major Aragón” – aquele que se declarou o incendiário do Tribunal de Justiça - chamou para si a autoria do fato e transformando-se em uma das personagens mais comentadas do ano de 1950 em todo o Rio Grande do Sul. Ele morreu dois anos depois, assassinado na Casa de Correção da Ponta do Gasômetro.  

  

 

domingo, 29 de junho de 2025

O primeiro Dia dos Namorados comemorado em Porto Alegre


Quando surgiu a comemoração do Dia dos Namorados, hoje uma das datas mais representativas do comércio no Brasil? Pois o 12 de Junho, ao contrário do que alguns pensam, não é tão antigo assim, e surgiu como algo importados dos países do chamado Primeiro Mundo. Pesquisando nos arquivos do Correio do Povo, O Felizardo descobriu que tal evento, no Brasil, teve sua primeira edição no dia 12 de Junho de 1950, graças, sobretudo, ao apoio da então poderosa Companhia Jornalística Caldas Júnior, de Breno Caldas. Em sintonia com o comércio porto-alegrense, os jornais da empresa promoveram uma campanha para implantar a data, certamente seguindo o exemplo de São Paulo. A escolha de 12 de junho foi feita pelo empresário do ramo da publicidade, João Dória (pai do ex-prefeito de São Paulo), por se tratar de uma data que antecede em um dia o Dia dos Namorados e, é claro, nasceu como um artifício para alavancar  as vendas do comércio. No resto do mundo a comemoração acontece em 14 de fevereiro, Dia de São Valentim. 

domingo, 23 de março de 2025

Agricultor morre por causa dos pesticidas: anos setenta

A consciência e também a vigilância a respeito dos pesticidas que são usados nas lavouras melhorou muito nas últimas décadas, embora continue a ser um problema preocupante. No Rio Grande do Sul, Estado agrícola e fabricante de tais produtos agrotóxicos, a questão do uso de tais venenos estava em pauta, diariamente, na imprensa diária, devido ao grande número de trabalhadores que eram acometidos de doenças, distúrbios nervosos - alguns até se suicidaram - e outras consequências nocivas desses inseticidas usados para combater as pragas das lavouras. Nesta matéria, de janeiro de 1976, o Correio do Povo, através de seus correspondentes no interior, noticia a morte de um agricultor e quase 80 reses em função de tais produtos químicos extremamente potentes.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Jardim Botânico foi o antigo Vale do Sabão e se tornou bairro em 1959

 Flagrante: primeira comunhão na antiga igreja de São Luís, na rua Guilherme Alves. Esta igreja situava-se onde, hoje, está sendo construída a nova. A foto não está datada.Possivelmente é do final dos anos sessenta. O retrato pertence à coleção pessoal de dona Dorsa, antiga moradora do JB, e foi obtida por intermédio de seu Rui Cintra, comerciante e também antigo morador do bairro, residente na rua Itaboraí.

Oficialmente, o Jardim Botânico nasceu no ano de 1959, pela lei número 2022, de autoria do vereador e historiador Ary Veiga Sanhudo. Nesse ano foram oficializados inúmeros outros bairros de Porto Alegre.  A história do Jardim Botânico corre paralela à da avenida Ipiranga e da canalização do riacho Dilúvio, obras que levaram décadas. No passado, toda essa região ribeirinha ao rio, desde a Agronomia até o Beira-Rio, era conhecida como o “Vale do Sabão”, uma área baixa e alagadiça. As constantes inundações do arroio eram um sério problema.
Em seu livro “Crônicas da Minha Cidade”, que parece ter sido escrito na década de 50, o historiador Ary Veiga Sanhudo é profético quando ao futuro promissor da região - “a zona mais próspera da cidade”. Escreveu ele, meio século atrás:“O bairro São Luiz, como aliás foi por muito tempo conhecido, não apresenta verdadeiramente qualquer notabilidade maior do que as ajardinadas terras do nosso futuro horto botânico. É um lugar de condições modestas e pela circunstância de se achar encravado entre o Riacho e o cerro de Petrópolis, viveu sempre jugulado à sua embaraçante situação de bairro sem uma via própria de acesso com maior desenvoltura. A sua radial, todavia, é a perimetral rua Barão do Amazonas. (...) No entanto, não nos cabe dúvida que, no dia em que as formidáveis laterais do Arroio Dilúvio – avenida Ipiranga – estiverem completamente urbanizadas, propiciando o extraordinário tráfego desse imenso Vale do Sabão, desde a Agronomia até a Beira-Rio, todo este bairro, como os demais quarteirões ribeirinhos, tomarão outro aspecto e constituirão a zona mais próspera da cidade”.
QUERO-QUERO – Há menos de vinte anos, o Correio do Povo (23 de maio de 1987), em matéria da jornalista Magda Wagner, traçava um perfil do JB: “É um bairro tranquilo, de ruas largas, que mais parece uma cidade do interior (...) Em frente ao maior conjunto habitacional do bairro, na rua Felizardo Furtado, nos deparamos com uma inesperada plantação de agrião, reforçando a idéia de que o Jardim Botânico é, no mínimo, um bairro diferente. Os quero-queros, ave típica dos descampados, proliferam no bairro, alimentados pelas folhas de agrião.” Antes de ser Vila São Luiz, o JB chamava-se Vila Russa, o que é explicado pela presença de imigrantes russos que chegaram aqui no início do século passado, instalando-se na parte alta, do outro lado da hoje avenida Doutor Salvador França.

sábado, 18 de janeiro de 2025

Imagens do JB

 

Marco na avenida Ipiranga com Guilherme Alves, por ocasião da inauguração da ponte sobre o riacho.

Edifício na rua La Plata.
Banco do Brasil no final da La Plata, anos atrás, vendo-se o edifício residencial na esquina com a Pedro Pieretti, já concluído e habitado.



Casa na rua Serafim Terra.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Pesticidas nas lavouras eram um problema sério nos anos setenta

 

A consciência e também a vigilância a respeito dos pesticidas que são usados nas lavouras melhorou muito nas últimas décadas, embora continue a ser um problema preocupante. No Rio Grande do Sul, Estado agrícola e fabricante de tais produtos agrotóxicos, a questão do uso de tais venenos estava em pauta, diariamente, na imprensa diária, devido ao grande número de trabalhadores que eram acometidos de doenças, distúrbios nervosos - alguns até se suicidaram - e outras consequências nocivas desses inseticidas usados para combater as pragas das lavouras. Nesta matéria, de janeiro de 1976, o Correio do Povo, através de seus correspondentes no interior, noticia a morte de um agricultor e quase 80 reses em função de tais produtos químicos extremamente potentes.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Imagens do JB

 

Rua Felizardo com Serafim Terra: prédio histórico.

Rua Francisco Fraga Feijó, o conhecido Beco que não é beco e que sai na Perimetral.
Rua La Plata, defronte ao Banco do Brasil, na esquina a Guilherme Alves.
Salvador França com a Valparaíso, onde, na esquina, havia o bar e armazém do Paulão.


segunda-feira, 25 de novembro de 2024

18 de setembro: começava a tv no Brasil

  

A primeira transmissão de televisão no Brasil aconteceu em 18 de setembro de 1950 (nome de uma rua do Botânico, a do 35 ctg), em São Paulo, com a TV Tupi pertencente aos Diários Associados de Assis Chautebriandt, seguida, um ano depois, pelo Rio de Janeiro, a capital federal. Foi um pioneirismo no Brasil e também na América do Sul, marcando a entrada do País em uma nova era tecnológica e dando a arrancada para tudo o que existe hoje - com mais de uma centena de milhões de aparelhos espalhados de norte a sul (em novembro de 1951 eram apenas 16 mil). A preto e branco, rudimentar, feita ao vivo, a televisão - caríssima em seu início - assumiu aos poucos um papel que ainda exerce: o de manter as pessoas em casa e "tirar" muitos maridos da rua, como se vê nesta reprodução do Correio do Povo, via agência Meridional, do Rio, de novembro de 1951. Note-se que o Rio Grande do Sul somente teria a sua primeira emissora do gênero no final de 1959, a TV Piratini, canal 5.

sábado, 23 de novembro de 2024

Desfile pelas ruas do Botânico neste domingo à tarde

 

Grupo Afro-Sul de Música e Dança celebra 50 anos de história em cortejo no domingo (24)

Evento terá show do Bloco Afro-Sul e da Imperadores do Samba, exposição, gastronomia e feira de economia criativa

O desfile do Bloco Afro Odomode propõe as cores preto, verde, vermelho ou amarelo, representando a diversidade dos projetos do Instituto - Maciel Goelzer

Neste domingo (24), as ruas do Jardim Botânico de Porto Alegre (RS) se tornarão uma grande avenida de carnaval. A partir das 14h, o Bloco Afro-Sul Odomode estará reunido na Praça das Nações para um cortejo em comemoração aos 50 anos do coletivo. O destino final será a sede do Afro-Sul, na Avenida Ipiranga, 3850. No local, serão feitas apresentações musicais e culturais, exposições e lançamentos de projetos que fazem parte do cinquentenário, além de um festival de gastronomia no Ajeum, em uma programação que exalta a cultura, as raízes e o legado construído pelo povo negro no Rio Grande do Sul.

O Grupo Afro-Sul de Música e Dança é uma instituição cultural que funciona como movimento de luta e de valorização da cultura negra e do direito à livre expressão. Para celebrar as cinco décadas, o coletivo preparou uma série de comemorações que iniciam em novembro deste ano e seguem em 2025, em homenagens, atividades para adultos e crianças, criação, apresentação de um novo espetáculo e muito mais.

A largada será em 24 de novembro, celebrando com as cores do Afro-Sul, muita música e dança. E um cortejo vibrante com bateria e brincantes que percorre o bairro Jardim Botânico desde a Praça das Nações até a sede do grupo, na Av. Ipiranga.


O Afro-Sul de Música e Dança é uma instituição cultural que funciona como movimento de luta e de valorização da cultura negra e do direito à livre expressão / Foto: Maciel Goelzer

O desfile do Bloco Afro Odomode propõe as cores preto, verde, vermelho ou amarelo, representando a diversidade dos projetos do Instituto. No dia, também haverá feira de economia criativa, com produtos de um mercado que une tradição e inovação; exposição Nossos passos, de longe pra longe, uma viagem pelas cinco décadas do Afro-Sul com imagens que resgatam memórias afetivas; o Conversas em Roda, reflexões sobre a construção do sujeito negro a partir da arte, com histórias e vivências do Afro-Sul; apresentação de dança, com toda a energia da Cia Afro-Sul, convidando o grupo afro de Nova Prata e a E.S. Realeza; o Ajeum e as delícias da culinária servidas em um coquetel com o sabor de afeto e acolhimento; a apresentação do vídeo 50 Anos, um documentário comemorativo, seguido da entrega do troféu Afro-Sul.

A honraria vai homenagear duas personalidades da cultura afro-gaúcha. O troféu será entrega pelas mãos dos lanceirinhos negros, simbolizando o legado para as gerações futuras. Em seguida, apresentação de final de ano das crianças do Projeto Cultural Nossa Identidade.

Finalizando as celebrações de domingo, a Imperadores do Samba fará uma apresentação com seu grupo Show Imperadores do Samba, o Mar Vermelho e Branco. O encerramento das atividades ficará a cargo da Banda Afro-Sul, com músicas que marcaram os 50 anos do grupo e a participação de músicos convidados que fizeram parte dessa trajetória.

Serviço

Celebração dos 50 anos do Afro-Sul

Data: 24 de novembro

14h – Concentração e saída do Bloco Afro-Sul Odomode / Praça das Nações - Jardim Botânico

16h – Início das atividades na sede do Afro-Sul Odomode – Av. Ipiranga, 3850

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Ele ajudou a construir o condomínio Felizardo Furtado, em 1976

 O Condomínio Residencial Felizardo Furtado, o maior do Jardim Botânico, comemora a sua inauguração, em outubro de 1976. Até o presidente Ernesto Geisel veio, com uma grande comitiva de ministros.

Seu Manoel Barros da Silva, 81 anos,  (já falecido, de boné), nesta foto, no bar do saudoso seu Alécio Caselni,, nasceu em Portugal e morava no Jardim Botânico desde os 13 anos de idade. Entre outras coisas, foi testemunha ocular da construção do Conjunto Residencial Felizardo Furtado. Mais que testemunha: trabalhou na obra, do seu início, no verão de 1974, até o término desta, em 1976. “Comecei e terminei. Foi uma obra rápida. Tinha mais de 2.500 pessoas trabalhando, em certa época”, conta ele. “A construtora foi buscar gente no interior e veio até uma turma de Santa Catarina”.
Funcionário do almoxarifado, durante 20 anos empregado da empreiteira Gus Livonius (que não mais existe, tal como era), ele recorda do ritmo intenso da construção e da seriedade como ela foi feita.“A obra não parou nunca, eram dez horas da noite e tava chegando concreto. E o fiscal do Inocoop estava sempre junto, conferia pessoalmente cada detalhe e às vezes mandava desfazer e refazer porque não estava de acordo. Também havia muito cuidado com a segurança, tanto que não me lembro de nenhum acidente sério”, relata.
Outra coisa: os peões tinham alojamento no local e refeições no local, com café da manhã, almoço e janta. Seguindo um cronograma rígido, cada edifício era concluído inteiramente, partindo-se então para a execução de outro dos oito prédios. Um posto de vendas, no lado da rua Ferreira Viana, recebia a visitas dos interessados, que adquiriam os apartamentos confiando nas especificações da própria planta arquitetônica.”Quando terminou, tava quase tudo vendido”, assinala seu Manoel.
AMAZONAS – Residindo por anos na Barão do Amazonas, seu Manoel pegou o Jardim Botânico em um tempo quase rural, a época da Vila Russa. “Meu pai tinha uma chácara na Salvador França. Lembro do Chico Tatão, os filhos dele tinham vacas de leite, no lado de cá da Salvador, que era de chão batido, quase não tinha casas, eu caçava passarinhos ali. A Ipiranga não existia, era só um caminho, e o arroio Dilúvio era um riacho desgovernado.” As águas do arroio Dilúvio da década de 40 e 50 eram então límpidas, garante ele, e nelas se pegava cascudos, que alguns meninos vendiam nas ruas.“Era uma água branquinha, limpinha”, recorda o saudoso Manoel.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Um aparelho de ar condicionado para a Santa Casa: 1975

 Que tempos antigos, hein!... A Santa Casa de Porto Alegre era notícia porque ganhava um aparelho de ar condicionado para a sua maternidade! Foi em 1975, quando a maioria dos aparelhos de televisão ainda eram em preto-e-branco e Porto Alegre mal passava de um milhão de habitantes (não que agora tenha muito mais do que isso).

Hoje pode parecer até risível isso tudo, mas somente para nós, que vivemos em uma época de incomparável conforto face aos inenarráveis velhos tempos. Tempos em que até uma ligação telefônica interurbana, caso fosse completada, era digna de ser festejada, e a maioria das vilas populares não contava com água encanada e nem linhas regulares de ônibus. Tempos também em que se vendia sangue nos hospitais e clínicas. Imaginem então o que era dar à luz um bebê no verão implacável da capital gaúcha sem a refrigeração comum aos nossos dias. Fonte: Correio do Povo, RS.