Jornal do bairro Jardim Botânico. Porto Alegre, RS. Brasil. Fundado em 25 de março de 2019. jornalofelizardo.blogspot.com - email: vitorminas1@gmail.com
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
É, os tempos mudaram mesmo, e o Brasil evoluiu também economicamente, como vemos nesta reprodução do jornal Correio do Povo, de 1941. O artigo fala das exportações brasileiras, que deram um grande salto com a Segunda Guerra Mundial. Note-se que o País era essencialmente uma nação agrária, de produtos primários, já que na lista das principais exportações não aparece nenhum dos industrializados. O café, como sempre. lidera a lista, seguido por algodão e carnes.
sexta-feira, 18 de julho de 2025
Espiridião Amim com cabelos, o mais jovem prefeito
O ex-prefeito de Florianópolis e ex-governador de Santa Catarina, Esperidião Amim, sempre foi conhecido por sua careca reluzente - tão vistosa que alguns, chistosamente, diziam ser postiça, apenas para destacá-lo e chamar a atenção do eleitorado. Mas Amim, no distante passado, tinha, sim, cabelos, e até uma cerrada barba, como se vê nesta foto publicada no jornal Correio do Povo de Porto Alegre, através de sua sucursal na capital catarinense. Na época Esperidião, que ainda não completara 28 anos, era o jovem prefeito de Floripa, uma pacata e "pitoresca" cidade, com cerca de 200 mil habitantes, longe ainda de ser o pólo turístico moderninho (saudade dos velhos tempos) que é hoje em dia. Coleção do Arquivo Histórico Moyses Vellinho da Prefeitura de Porto Alegre.
sexta-feira, 11 de julho de 2025
Mário Quintana, o maior poeta gaúcho, faleceu em 1994. Nascido no Alegrete, em 1906, trabalhou muito tempo na Editora Globo, onde foi tradutor de importantes escritores mundiais - incluindo Marcel Proust. Nesta foto, de 1940, da Revista do Globo, ele aparece em seu ambiente de trabalho, na Livraria do Globo - que não mais existe - um ponto de encontro dos intelectuais gaúchos da primeira metade do século 20. Nesta época ele tinha apenas 34 anos.
quarta-feira, 5 de março de 2025
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
Tramandaí já era a capital das praias em 1962
Há décadas o mais frequentado e agitado balneário gaúcho nos meses de verão, Tramandaí já era uma importante praia no começo dos anos 60 - e também bem antes disso. Se, na atualidade, os edifícios de apartamentos se destacam ao longo de toda a orla e a vida noturna é bastante agitada, antigamente o visual da cidade era bem mais pacato e provinciano, como se vê nesta foto extraída da Revista do Globo, em sua edição de janeiro de 1962, na qual aparecem os carros da época e até algumas lambretas. A 118 km de Porto Alegre, a chamada "capital das praias" ainda pertencia a Osório, do qual se emancipou em 1965. Sua população fixa atual é de cerca de 50 mil habitantes, muitos dos quais são aposentados que saem de outras cidade para lá residirem, aumentando, no verão, para cerca de 250 mil, incluindo aí turistas argentinos e uruguaios.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
Um dos crimes mais famosos dos anos setenta: Flávio Alcaraz Gomes
Em 11 de abril de 1976, à meia-noite de um sábado, o jornalista Flávio Alcaraz Gomes - então um dos maiorais da imprensa gaúcha - matou com um tiro de espingarda a estudante e funcionária pública Maria José Alberton Silva, que namorava com um médico na frente da residência de Alcaraz, na rua Sinke, morro Santa Teresa, em Porto Alegre. Sentindo-se ameaçado, depois de mandá-los embora, Flávio pegou uma espingarda calibre 12, cano serrado, e disparou,atingindo a cabeça da moça. O Crime dois um dos mais comentados de toda aquela década de 70, recebendo a mídia muitas críticas pela forma como tratou do caso - todos os jornais evitaram dar destaque ao ocorrido. Em agosto de 1979 foi condenado a 12 anos de reclusão, que obviamente só cumpriu em pequena parte. Flávio Alcaraz Gomes, primo do então poderoso dono da Caldas Júnior, Breno Caldas, morreu já em idade avançada. Ainda hoje há várias versões sobre a motivação do crime.
quarta-feira, 27 de novembro de 2024
Bondes, cabaré, campinhos de futebol, falta de esgoto...
A casa abaixo, um famoso cabaré, já não mais existe e deu lugar a um grande edifício.

Eram os anos cinquenta, que muita gente chama de “anos dourados”, e seu Ruben Carlos Simionovschi vivia a sua infância, adolescência e início da juventude. O local – o bairro Jardim Botânico – nem tinha esse nome, oficialmente.“Em 1950, quando eu tinha oito anos, meu pai comprou uma casa na Guilherme Alves. Naquela época as ruas do bairro eram sem calçamento, somente com o passar dos anos elas foram recebendo melhoramentos, uma a uma – canalização do esgoto, calçamento”, relembra ele.
Aos quase setenta anos, ainda morador do Botânico (rua Surupá), seu Ruben revive essa época com grande riqueza de detalhes. “Para nos locomovermos, tínhamos a opção de ir até a Protásio Alves, na esquina com a Barão do Amazonas, ou seguir até o final da linha do bonde, que ficava na esquina da rua Carazinho. Interessante que a linha de bonde vinha em dois sentidos, tinha trilhos nos dois lados da Protásio, junto aos postes centrais, mas somente até a Vicente da Fontoura, onde acabava a linha Boa Vista. Os bondes eram tipo “gaiolas”. Depois dali a linha era de um só lado, até o final, na esquina da Carazinho.
"Outra opção era pegar um micro-ônibus na Barão do Amazonas, esquina com a Felizardo. A opção preferida pela maioria era mesmo o bonde para o centro da cidade, já que a passagem saía mais em conta. Lembro que o micro-ônibus era cara. Por exemplo, se a passagem do bonde fosse 0,50 centavos, a do micro-ônibus era 2,00. Depois de alguns anos, a linha de ônibus, já operada pela Secretaria Municipal de Transportes, foi estendida até a esquina da rua Serafim Terra com a Felizardo”.Ele recorda que os ônibus variaram no decorrer dos anos: primeiramente movidos a gasolina, “depois uns ônibus importados, a diesel. Tivemos também ônibus “papa-filas”, cuja dianteira era um cavalinho, o ônibus vinha quase engatado nele”.
"Outra opção era pegar um micro-ônibus na Barão do Amazonas, esquina com a Felizardo. A opção preferida pela maioria era mesmo o bonde para o centro da cidade, já que a passagem saía mais em conta. Lembro que o micro-ônibus era cara. Por exemplo, se a passagem do bonde fosse 0,50 centavos, a do micro-ônibus era 2,00. Depois de alguns anos, a linha de ônibus, já operada pela Secretaria Municipal de Transportes, foi estendida até a esquina da rua Serafim Terra com a Felizardo”.Ele recorda que os ônibus variaram no decorrer dos anos: primeiramente movidos a gasolina, “depois uns ônibus importados, a diesel. Tivemos também ônibus “papa-filas”, cuja dianteira era um cavalinho, o ônibus vinha quase engatado nele”.
FAMOSO CABARÉ – Em uma época em que não havia televisão no Rio Grande do Sul os cinemas dominavam a cena. Ruben lembra: “Tivemos dois cinemas em Petrópolis. Um ficava nos fundos da antiga igreja de São Sebastião, na esquina das ruas Carazinho e João Abott, o Cinema Petrópolis. Já o Ritz, na Protásio, funcionou mais tempo, até ser demolido. Outra lembrança que eu tenho da Colônia Agrícola do Hospital São Pedro que ficava na área ocupada hoje pela SMAN e o Jardim Botânico. Os doentes trabalhavam no cultivo de hortaliças e alguns fugiam e ficavam perambulando pelo bairro.
No bairro, a “Vila São Luiz”, havia também muitos campos de futebol. Onde hoje é a ESEF, por exemplo, tínhamos quatro campos, muito frequentados, onde aconteciam torneios de futebol aos finais de semana. Além deste havia o campo da SMT, no final da Felizardo, esquina com a Buenos Aires. Onde hoje é a rua Pedro Pieretti existia o campo do Clube Amazonas e onde está o Bourbon eram dois campos também”.
No bairro, a “Vila São Luiz”, havia também muitos campos de futebol. Onde hoje é a ESEF, por exemplo, tínhamos quatro campos, muito frequentados, onde aconteciam torneios de futebol aos finais de semana. Além deste havia o campo da SMT, no final da Felizardo, esquina com a Buenos Aires. Onde hoje é a rua Pedro Pieretti existia o campo do Clube Amazonas e onde está o Bourbon eram dois campos também”.
Simionovschi recorda que na rua Cervantes, subindo a Dona Inocência, funcionava um famoso cabaré da cidade, o “Casa Branca”, cujo prédio ainda existe, “porém sem o charme de antigamente.“Sei dizer era frequentado por pessoas de algum poder aquisitivo. Lembro que a proprietária era uma senhora que tinha uma filha adolescente, como nós, uma filha muito promissora. Aquela parte alta do bairro era conhecida como Vila Russa”.
DOUTOR TÁCITO – Nos anos 50 não havia esgoto canalizado – os despejos corriam a céu aberto. A maioria das casas tinham latrinas e, algumas, fossa negra. “No início, cavei muito buraco para a nossa latrina”, revela Ruben. Quanto á água, naqueles tempos, já era tratada e canalizada, embora existissem determinados locais onde ela aflorava naturalmente do solo – os moradores mais antigos lembram das “bicas” da Praça Ararigbóia e da praça Nações Unidas.Por esse tempo o arroio Dilúvio – hoje praticamente um esgoto urbano – exibia águas claras, boas para o banho e para a pesca. Ruben presenciou as obras de canalização e o calçamento da avenida Ipiranga. Ex-aluno do colégio Otávio de Souza, lembra dele todo de madeira - “construído no governo Leonel Brizola” - feito com táboas de “macho-e-fêmea” sobre pilares de concreto. Outra recordação é a da Chácara das Camélias, de cultivo de flores, e que começava na Ferreira Viana e terminava na altura do número 200 da Guilherme Alves. “Outra chácara era onde está o Conjunto Felizardo Furtado, de hortigranjeiros, os donos eram uma família, só recordo do nome de um dos filhos, chamado Raul. Outra ficava onde hoje está sendo anunciada a construção do Condomínio Allure, na Felizardo, uma chára de agrião, principalmente, do seu Ângelo, que tem descendentes no bairro – Zé, Luiz, filhos, noras, genros, netos”.Outra pessoa da qual seu Ruben Simionovschi não esquece é do doutor Tácito Castro de Castro, um médico que atendia os pacientes em sua própria casa, na rua La Plata, defronte ao hoje Supermercado Gecepel. “Depois ele manteve o consultório em uma sala no prédio da Barão do Amazonas, em frente ao Posto Ipiranga, esquina Valparaíso. Ali, em uma das lojas, havia a Farmácia Idela, do casal Frontelmo e Léa e mais um sócio”.
terça-feira, 17 de setembro de 2024
Um aparelho de ar condicionado para a Santa Casa: 1975
Que tempos antigos, hein!... A Santa Casa de Porto Alegre era notícia porque ganhava um aparelho de ar condicionado para a sua maternidade! Foi em 1975, quando a maioria dos aparelhos de televisão ainda eram em preto-e-branco e Porto Alegre mal passava de um milhão de habitantes (não que agora tenha muito mais do que isso).
Hoje pode parecer até risível isso tudo, mas somente para nós, que vivemos em uma época de incomparável conforto face aos inenarráveis velhos tempos. Tempos em que até uma ligação telefônica interurbana, caso fosse completada, era digna de ser festejada, e a maioria das vilas populares não contava com água encanada e nem linhas regulares de ônibus. Tempos também em que se vendia sangue nos hospitais e clínicas. Imaginem então o que era dar à luz um bebê no verão implacável da capital gaúcha sem a refrigeração comum aos nossos dias. Fonte: Correio do Povo, RS.
quarta-feira, 31 de julho de 2024
As Amigas Tricoteiras mostram seus trabalhos neste domingo
As Amigas Tricooteiras se reúnem em uma grande feira neste domingo , 4 de agosto. O Felizardo, há algum tempo, lembrou deste animado grupo, matéria que reproduzimos agora.
| As Amigas Tricoteiras: desde 2012 formaram uma confraria de cerca de 15 mulheres no Condomìnio Felizardo Furtado. |
| Mesa com alguns dos itens confeccionados: gorros, xales, mantas, luvas... |
Elas se reúnem todas as quintas-feiras pela tarde no salão do Condomínio Residencial Felizardo Furtado – o maior do Jardim Botânico, com oito edifícios de 10 andares – para fazer trabalhos manuais como tricô e crochê, os quais, todos, são doados para pessoas carentes das mais variadas instituições de Porto Alegre. Chamam-se Grupo das Amigas Tricoteiras, uma confraria com cerca de 15 mulheres que, desde 2012, desenvolvem um importante trabalho assistencial. No início, sete anos atrás, eram cinco ou seis participantes.
Nesta quinta-feira, com o tempo ameaçando temporal lá fora, no recinto amplo e iluminado, estava dona Jane Catarina Alencastro Moreira, moradora há 42 anos do Condomínio. Em volta de uma mesa, outras senhoras, como a Dalva, a Vera, a Leonilda, a Lia, a Marilene, a Maria Inês, a Teresinha. Mais adiante, uma mesinha com alguns doces e quitutes, café e água mineral – o chamado “lanchinho das quatro” desse grupo na faixa da Terceira Idade e que, mais do que fazer crochê e tricô, se vale de tais encontros para conversar, interagir e sentir-se útil. Aos poucos, como o nome diz, tornaram-se amigas.
TERAPIA – Jane, residente no Bloco G, é, por assim dizer, uma das líderes do movimento, e mantém uma pasta na qual arquiva fotos, documentos e até medalhas que ganharam de hospitais e instituições as mais diversas em função do trabalho benemérito. Pode não ser uma quantidade muito grande – são luvas, mantas, gorros, xales, meias, conjuntinhos – mas é algo realmente feito de coração e que será de grande utilidade para enfermos sem recursos internados em hospitais, para mães e bebês de maternidade e para muitos idosos. Jane dedica-se ao trabalho assistencial também fora daqui e tem tudo documentado em fotos. Ela apenas lamenta que a mais idosa do grupo, dona Bernadete, de quase 95 anos (fará em maio) não esteja presente por problemas de saúde – está internada, mas espera-se que volte à ativa muito em breve.
Aqui tudo é feito em parceria, incluindo o lanche das 16 horas, trazido por cada uma das tricoteiras a cada semana. O espaço é cedido pelo Condomínio, entre as 14 e as 17 horas. Já o material usado para as confecções (lã, especialmente) provem de doações e de algumas rifas que o grupo promove eventualmente. “Não mexemos com dinheiro”, informa Jane. Ou seja, nada está à venda – tudo é doado. Já doaram para o Hospital São Lucas, para casas espíritas, e agora irão se voltar para o hospital do câncer infantil do Hospital de Clínicas. Algumas das tricoteiras estão no grupo há muitos anos, outras há questão de um mês, dois meses.
Com 88 anos – mas não parece – Dalva Silva Gomes, moradora do Condomínio há sete anos (Bloco F), é uma das pioneiras. “Sempre fiz tricô, embora não seja a que faz melhor”, explica. Mais do que ajudar pessoas carentes, elas usam o trabalho manual e a convivência mútua como uma espécie de terapia. “Para mim é um trabalho de terapia, a gente se distrai e deixa de lado os problemas.”
O mesmo vale para a Vera Debiasi (Bloco H, onde mora há 25 anos), há quatro anos aqui, e que – conforme diz – entrou para “fazer uma terapia, eu estava passando por um problema grave de saúde, e foi a melhor coisa que eu fiz. Estou aprendendo o crochê e me sinto muito melhor.” Vera é formada em Turismo pela Pontifícia Universidade Católica, PUC, mas ultimamente era dona de casa e cuidava da mãe.
| Jane |
| Marilene |
| Vera |
TARJA PRETA - O Grupo das Tricoteiras Amigas também fez muito bem para Lia Nunes, a mais brincalhona de todas. Natural de Soledade, com 16 anos de CRFF e há oito na confraria, não esconde que entrou devido a uma forte depressão causada por um trabalho extenuante e estressante – ela era operadora de tele-marketing. “Eu trabalhava 12 horas por dia, de segunda a sábado e acabei entrando em depressão. Durante quatro anos tomei oito medicamentos de tarja-preta e precisei de acompanhamento psicológico”.
| Leonilda |
| Maria Inês |
| Teresinha |
| Dalva |
Convidada pela amiga Nilva, entrou para o grupo – onde faz tricô e crochê – e isso teve importância fundamental para superar seu problema. “Hoje não tenho mais nada”. Ela é esposa do zelador do Bloco H, Jucemar, ou Chico.Já Leonilda Vieira, do F (os edifícios vão do A ao H) foi convidada por Maria Inês – colega de ginástica no Ginásio Ararigbóia -e orgulha-se de ter, antes, feito curso de Tear e Tecelagem. “Eu tinha me aposentado e estava cansada de ficar em casa, comendo, me entediando e engordando. Aqui a gente se ajuda, conversa”. Ao seu lado está Teresinha Lorbitzki (Bloco F), porto-alegrense, integrante das Amigas há um ano, “entre idas e vindas”. Ela também concorda que isso “é meio uma terapia”. Há apenas um mês no grupo, pode ser considerada a caçula.Uma das poucas que não reside no Condomínio é Maria Inês Oliveira, residente na Barão do Amazonas, entre a Itaboraí e a Felizardo. Natural de Iraí, também faz ginástica no Ararigbóia “e acabei me entrosando com o pessoal daqui”. Maria Inês admite que, para ela, é mais do que um trabalho manual: “Faço como terapia também”.Uma coisa importante a destacar é que o grupo sempre está necessitando de material para fazer suas peças – fios de lã, sobretudo – e doações são bem vindas. Com o material que armazenaram, elas irão fazer uma exposição dia 28 deste mês de abril, um domingo, no mesmo salão do CRFF, para o qual todos estão convidados.
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