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sábado, 24 de janeiro de 2026

Veja bem o spoiler

Teve uma época do "veja mais". Os sujeitos começavam, sempre, com o "veja bem". Inclusive intelectuais incensados. Hoje a mídia fala em "spoiler" pra tudo. "Vou dar um spoiler" é comum nestes tempos obscuros. Os do futebol não dizem mais "corresponder" e sim entregar. entregar, que era sinônimo do jogador mal intencionado, quer dizer que fez ou não fez o esperado. Oportunizar, que nem existe no dicionário, é moeda comum. Já algumas palavras sumiram, devido ao politicamente correto, caso de Mulata, ou de Cabrocha, ou - no caso do RS - acabou-se o uso da palavra "chinoca". Clichês que se revezam. Uma das que sumiramé "salafrário" para o indivíduo escroque, mau caráter. A mídia não quer a simplicidade. Perguntem para o cidadão comum, aquele que compra um livro por ano na feira do livro, e ele não saberá explicar. Bom, mude-se para os EUA, como os mineiros, fujam da polícia - vocês que preferem ser humilhados lá fora em troca de um punhado de dólares em vez de ficarem na própria terra, boa ou má, mas a sua terra. Aliás, não sou tão contra o Trump quando manda caçar essa gente. Humilhação não tem preço. Finalizando: 40 por cento dos médicos brasileiros não "entregam" o necessário (pesquisa deles próprios), porém a mídia (imprensa) e suas faculdades de jornalismo são ainda piores.(V.M)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Festival de Gramado no verão



Pouca gente lembra, mas o Festival de Cinema Brasileiro de Gramado, no RS, já foi realizado em pleno verão, isso nos seus primórdios, nos anos setenta, como se vê nesta edição de número 4, em janeiro de 1976. Talvez com maior importância e glamour do que hoje, o Festival - naquela data - homenageou Grande Otelo, um dos maiores nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileira. As reproduções são do Correio do Povo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Carlos Nobre deixou saudades

José Evaristo Villalobos Júnior - mais conhecido como Carlos Nobre - faleceu no dia 16 de dezembro de 1985 e deixou saudades em quem tem hoje mais de meio século de vida. Natural de Guaíba, Nobre foi, sem dúvida, o maior humorista gaúcho depois do Barão do Itararé, ou talvez até rivalizasse com ele. Sua página na Zero Hora, sempre com fotos de muitas mulheres bonitas e preferencialmente com pouca roupa, era a mais lida do jornal. Suas tiradas e aforismos hilários misturam o humor gaiato do povo com a crítica social e a sofisticação da inteligência crítica. Por exemplo, nada mais atual do que esta, de um humor amargo: "Já está na hora do Brasil voltar a brincar de "pega ladrão". 
Nesta reprodução da Revista do Globo, de abril de 1961, Nobre aparece assinando o contrato de sua renovação com a Rádio Gaúcha, já que era um humorista completo, de jornal, rádio e televisão.(V.Minas) 

sábado, 27 de dezembro de 2025

A década de 40 foi muito importante para o desenvolvimento da aviação comercial brasileira, culminando, no pós-guerra, com a criação de mais de 60 companhias de aviação por todo o Brasil, o qual se tornava o segundo país nesse quesito em todo o mundo, só perdendo para os Estados Unidos. A Panair do Brasil era então uma das empresas aéreas mais conceituadas, fazendo importantes rotas no Brasil e no exterior. Seus serviços de bordo, de primeira, e seus aviões, os mais modernos. Nesta reprodução do CP de julho de 1940 vemos a chegada do DC-2, um avião para 14 passageiros que faria a rota Porto Alegre-Rio de Janeiro, com escalas em outras capitais.
A década de 40 foi muito importante para o desenvolvimento da aviação comercial brasileira, culminando, no pós-guerra, com a criação de mais de 60 companhias de aviação por todo o Brasil, o qual se tornava o segundo país nesse quesito em todo o mundo, só perdendo para os Estados Unidos. A Panair do Brasil era então uma das empresas aéreas mais conceituadas, fazendo importantes rotas no Brasil e no exterior. Seus serviços de bordo, de primeira, e seus aviões, os mais modernos. Nesta reprodução do CP de julho de 1940 vemos a chegada do DC-2, um avião para 14 passageiros que faria a rota Porto Alegre-Rio de Janeiro, com escalas em outras capitais.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Moradores do Botânico lembram do Verão da Lata

No dia 22 de setembro de 1987 um navio chamado Solana Star estava sendo perseguido pela Marinha Brasileira, apoiada por agentes do Drug Enforcement Agency ((DEA), órgão anti-drogas norte-americano. Acuados no litoral do Rio de Janeiro - Angra dos Reis - eles largaram toda a sua carga ao mar, a uma distância de 100 milhas marítimas do litoral e, em seguida, se dirigiram sorrateiramente ao porto do Rio, onde abandonaram o navio. A bordo ficou apenas o cozinheiro da embarcação, o norte-americano Stephen Shelkon - imediatamente detido e, depois, condenado a 20 anos de cadeia, cumpridos no presídio Ari Franco, do RJ.
O episódio do Solana Star virou lenda: navio procedente da Austrália (outros dizem que da Indonésia), com destino aos Estados Unidos, carregado com cerca de 20 mil latas de maconha (22 toneladas), (1,25 kg cada lata), das quais apenas 10% foram apreendidas - o restante foi jogado ao mar e acabou chegando às praias brasileiras, no trecho entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul.
As latas continuaram chegando à costa até o mês de março, fazendo daquele verão (1988) o "verão da lata". Acondicionados em latas de alumínio, fechadas a vácuo, com canabis sativa de altíssima qualidade, foram - dizem muitos - o "último suspiro hippie do Rio de Janeiro" ("A maconha vinha do mar, como dádiva de Deus", comentou um consumidor). O carregamento teria sido feito no porto de Cingapura - o Solana Star tinha bandeira panamenha.
O "verão da lata" jamais foi esquecido pelos apreciadores do produto, dentre os quais se incluem muitos gaúchos e catarinenses. Levada pelas correntes oceânicas, a maconha chegou com fartura ao litoral do Rio Grande do Sul e ensejou viagens alucinadas à sua procura. Muitos a revenderam e, ilegalmente, ganharam dinheiro com isso. A maioria, porém, apenas fumou uma erva de elevado teor de THC. O Verão da Lata acabou virando filme - com o diretor João Falcão - e livro ("O Verão da Lata", de Oscar Cesarotto, editora Iluminuras, 2005). Muitos comentam que "fora do País, ninguém acredita que isso aconteceu". Mas aconteceu. Veja o depoimento de alguns que viveram esse episódio e assumem que o fizeram.

"Eu encontrei em Cidreira, naquele tempo ia pros butecos todo dia. Encontrei uma lata, o restante do pessoal pegou o resto. Aí veio a Polícia Civil. Mas não tinha como segurar todo mundo. A maconha vinha vedada, totalmente vedada, se abria com abridor de lata. Da nossa turma só pegamos uma, mas a notícia se espalhou. Quem tinha automóvel em Porto Alegre saiu adoidado percorrendo a orla e se deu bem. A lata era amarelada. Foi a melhor maconha que até hoje entrou no Brasil".
Hélio, "Mão", 46 anos, morador do Jardim Botânico.


"Encontrei surfando, em Magistério. Vi a lata boiando, peguei e fui ver o que era. Fechamos dois e fumamos. Foi de dia. De noite é que soubemos da notícia. Era uma paulada. Coisa boa"
Alex, 40 anos, morador do Jardim Botânico


"Me falaram que tinha um bagulho forte na praia, em Pinhal. Fui de moto ver e encontrei. Trouxe umas cinco latas de lá. Era só camarão. Peguei um quase nada e ele molhou. Foi o melhor bagulho que eu fumei em 50 anos, dizem que era indiano, era melhor que manga-rosa e cabeça-de-negro. A cor do bagulho era amarela, tinha que abrir com abridor de lata. Dava um cheirão, era prensada a vácuo."
G.B., morador do Jardim Botânico


"Fumei a da lata. Daquele, nunca mais vai aparecer. Eram umas latas parecidas com azeite, amarelas. O efeito era melhor do que cocaína. Não existia coisa melhor. Era um tempo de curtição. Tinha gente que saía de carro daqui, para ir ao litoral, buscar".
C.P., morador do Jardim Botânico.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Grêmio, campeão de1960

Em 8 de fevereiro de 1961 o Grêmio e o Pelotas, de Pelotas, fizeram a final do campeonato gaúcho de futebol do ano de 1960, que, naquela época, era disputado por regiões, com quatro finalistas - o Grêmio, primeiro da Região Metropolitana, o 14 de Julho, de Santana do Livramento, classificado pela região da Fronteira, o Nacional, de Cruz Alta, da região da Serra, e o Pelotas, representando o Litoral. No dia 8 de fevereiro, no estádio Olímpico, o time da capital aplicou a implacável goleada de 7 a 0 no Pelotas, sagrando-se campeão do Estado. Gessy fez três gols, Juarez dois, Élton um e Cardoso também um. O tricolor formou com Henrique, Sérgio, Airton Pavilhão e Ortunho; Élton e Enio Rodrigues; Cardoso, gessy, Juarez; Milton Kuelle e Vieira. O técnico era Osvaldo Rolla. Airton, que faleceu em 3 de abril de 2012, foi considerado por Pelé o maior zagueiro que ele viu jogar em todos os tempos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Barão do Amazonas foi um heroi brasileiro na Guerra do Paraguai

 

O Jardim Botânico tem ruas com nomes sonoros e expressivos - Chile, Buenos Aires, Valparaíso, Itaboraí, Barão do Amazonas etc. Veja abaixo o significado de algumas delas, onde muitos de vocês residem ou trabalham.
A rua 18 de Novembro, aquela ao lado do Bourbon e onde está a churrascaria do 35 CTG, bem que poderia, por exemplo, homenagear Jimi Hendrix, o músico genial, falecido nesse dia, em 1970. Mas homenageia mesmo é a rendição dos inimigos na Guerra do Paraguai.

BARÃO DO AMAZONAS – Rua que atravessa os bairros Petrópolis e Partenon. Começa na Protásio e acaba na Paulino Azurenha, com mais de 3 km de extensão. Na Planta Municipal de 1916, convergiam para a atual Bento Gonçalves duas pequenas vias, que eram então novas e de pequena extensão: a própria Barão, vinda dos lados do Arroio Dilúvio, e a avenida Esmeralda, que subia até a meia encosta do morro de Santo Antonio.
Até a década de 30 essa duplicidade de nomes continuou. Com a unificação, pela lei de 6.7.1936, mudou-se a denominação de avenida Esmeralda para Barão do Amazonas. Com o desenvolvimento de Petrópolis, esta rua prolongou-se até a Protásio Alves e, no sentido oposto, do Partenon, subiu o morro e superou a crista, descendo no rumo da Glória, até se encontrar com a Paulino Azurenha.O nome é uma homenagem ao Almirante Francisco Manoel Barroso, o Barão do Amazonas.

GUILHERME ALVES - Atravessa os bairros Jardim Botânico e Partenon. Começa na Ferreira Viana, passa pela Ipiranga e acaba na rua Mario de Artagão, Partenon. Aparece na planta de 1916 com o nome de rua Progresso. Pela lei número 2, de 6.7.1936, ganhou a denominação atual.Guilherme Alves, para quem não sabe (e poucos sabem), foi o primeiro construtor dos grandes e modernos trapiches na rua 7 de Setembro, no centro de Porto Alegre, aqueles mesmos armazéns que mais tarde passaram a ser propriedade da Cia Costeira. Graças à sua iniciativa, foram construídas várias edificações residenciais no Partenon, precisamente na atual rua Guilherme Alves, que ele organizou e construiu.O progresso da rua foi vindo aos poucos. Na planta de 1928, era apenas um logradouro do Partenon, sem ter ainda ultrapassado o Arroio. Na planta de 1949 já se achava plenamente instalada no Jardim Botânico.

FELIZARDO - Jorge Godofredo Felizardo nasceu em 9.11.1901, em Porto Alegre, e faleceu em primeiro de fevereiro de 1966. Foi engenheiro agrônomo, professor catedrático de Zoologia da Faculdade de Agronomia da URGS e do curso de História Natural da Faculdade de Filosofia da PUC, além de allto funcionário da Secretaria de Agricultura. Foi ainda genealogista e membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS.

18 DE SETEMBRO – A data marca a rendição do Paraguai, na Guerra do Paraguai, quando forças paraguaias, cercadas pelo exército brasileiro, em Uruguaiana, se rendem sem condições. Dezenove anos depois, para comemorar o fato, foram libertados todos os escravos existentes na cidade. Conforme os registros da História, no dia 18 de Setembro aconteceu também, em diferentes anos, os seguintes feitos: o brasileiro Amyr Klink completa, em 1984, a travessia do oceano Atlântico em um caíque, sua primeira de muitas proezas; o governo militar senciona a Lei de Segurança Nacional, em 1969, prevendo inclusive pena de morte, prisão perpétua e banimento; em 1946, a teceira constituinte brasileira promulga a Constituição Brasileira.É também o Dia dos Símbolos Nacionais, Dia do Perdão.Santos do dia: José de Copertino, Metódio de Olimpo, Ricarda.Curiosidades: em 18 de setembro de 1950 entrou no ar a TV Tupi, de São Paulo, dando início à Era da TV no Brasil. Só havia tevê então em quatro países: EUA, Inglaterra, Holanda e França.Em 18 de novembro morre Jimi Hendrix, em 1970. Nasce Greta Garbo, em 1905. É também o dia da fundação da Central Inteligency Agency, CIA, em 1947, e da fundação do jornal New York Times, em 1851. O Chile comemora sua Independência neste dia, no ano de 1818.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

A explosão de uma mina que matou 12 militares em Porto Alegre: janeiro de 1953

 



Em janeiro de 1953 a população de Porto Alegre emocionou-se com uma inusitada tragédia que matou 12 jovens que serviam no curso de artilharia do CPOR. A explosão de uma mina, durante uma aula de treinamento, no morro
do Menino Deus, matou jovens entre 19 e 22 anos - dez morreram na hora e outros dois no hospital, além de causar ferimentos em muitos outros. Foi um dos maiores e mais tocantes sinistros ocorridos na capital gaúcha em várias décadas, embora pouco seja comentado nos dias de hoje. O fato mereceu páginas do Correio do Povo, conforme se vê nas reproduções acima, da coleção de jornais do Arquivo Histórico de Porto Alegre.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Bondes, cabaré, campinhos de futebol, falta de esgoto...

A casa abaixo, um famoso cabaré, já não mais existe e deu lugar a um grande edifício.


Eram os anos cinquenta, que muita gente chama de “anos dourados”, e seu Ruben Carlos Simionovschi vivia a sua infância, adolescência e início da juventude. O local – o bairro Jardim Botânico – nem tinha esse nome, oficialmente.“Em 1950, quando eu tinha oito anos, meu pai comprou uma casa na Guilherme Alves. Naquela época as ruas do bairro eram sem calçamento, somente com o passar dos anos elas foram recebendo melhoramentos, uma a uma – canalização do esgoto, calçamento”, relembra ele.

Aos quase setenta anos, ainda morador do Botânico (rua Surupá), seu Ruben revive essa época com grande riqueza de detalhes. “Para nos locomovermos, tínhamos a opção de ir até a Protásio Alves, na esquina com a Barão do Amazonas, ou seguir até o final da linha do bonde, que ficava na esquina da rua Carazinho. Interessante que a linha de bonde vinha em dois sentidos, tinha trilhos nos dois lados da Protásio, junto aos postes centrais, mas somente até a Vicente da Fontoura, onde acabava a linha Boa Vista. Os bondes eram tipo “gaiolas”. Depois dali a linha era de um só lado, até o final, na esquina da Carazinho.
"Outra opção era pegar um micro-ônibus na Barão do Amazonas, esquina com a Felizardo. A opção preferida pela maioria era mesmo o bonde para o centro da cidade, já que a passagem saía mais em conta. Lembro que o micro-ônibus era cara. Por exemplo, se a passagem do bonde fosse 0,50 centavos, a do micro-ônibus era 2,00. Depois de alguns anos, a linha de ônibus, já operada pela Secretaria Municipal de Transportes, foi estendida até a esquina da rua Serafim Terra com a Felizardo”.Ele recorda que os ônibus variaram no decorrer dos anos: primeiramente movidos a gasolina, “depois uns ônibus importados, a diesel. Tivemos também ônibus “papa-filas”, cuja dianteira era um cavalinho, o ônibus vinha quase engatado nele”.

FAMOSO CABARÉ – Em uma época em que não havia televisão no Rio Grande do Sul os cinemas dominavam a cena. Ruben lembra: “Tivemos dois cinemas em Petrópolis. Um ficava nos fundos da antiga igreja de São Sebastião, na esquina das ruas Carazinho e João Abott, o Cinema Petrópolis. Já o Ritz, na Protásio, funcionou mais tempo, até ser demolido. Outra lembrança que eu tenho da Colônia Agrícola do Hospital São Pedro que ficava na área ocupada hoje pela SMAN e o Jardim Botânico. Os doentes trabalhavam no cultivo de hortaliças e alguns fugiam e ficavam perambulando pelo bairro.
No bairro, a “Vila São Luiz”, havia também muitos campos de futebol. Onde hoje é a ESEF, por exemplo, tínhamos quatro campos, muito frequentados, onde aconteciam torneios de futebol aos finais de semana. Além deste havia o campo da SMT, no final da Felizardo, esquina com a Buenos Aires. Onde hoje é a rua Pedro Pieretti existia o campo do Clube Amazonas e onde está o Bourbon eram dois campos também”.

Simionovschi recorda que na rua Cervantes, subindo a Dona Inocência, funcionava um famoso cabaré da cidade, o “Casa Branca”, cujo prédio ainda existe, “porém sem o charme de antigamente.“Sei dizer era frequentado por pessoas de algum poder aquisitivo. Lembro que a proprietária era uma senhora que tinha uma filha adolescente, como nós, uma filha muito promissora. Aquela parte alta do bairro era conhecida como Vila Russa”.

DOUTOR TÁCITO – Nos anos 50 não havia esgoto canalizado – os despejos corriam a céu aberto. A maioria das casas tinham latrinas e, algumas, fossa negra. “No início, cavei muito buraco para a nossa latrina”, revela Ruben. Quanto á água, naqueles tempos, já era tratada e canalizada, embora existissem determinados locais onde ela aflorava naturalmente do solo – os moradores mais antigos lembram das “bicas” da Praça Ararigbóia e da praça Nações Unidas.Por esse tempo o arroio Dilúvio – hoje praticamente um esgoto urbano – exibia águas claras, boas para o banho e para a pesca. Ruben presenciou as obras de canalização e o calçamento da avenida Ipiranga. Ex-aluno do colégio Otávio de Souza, lembra dele todo de madeira - “construído no governo Leonel Brizola” - feito com táboas de “macho-e-fêmea” sobre pilares de concreto. Outra recordação é a da Chácara das Camélias, de cultivo de flores, e que começava na Ferreira Viana e terminava na altura do número 200 da Guilherme Alves. “Outra chácara era onde está o Conjunto Felizardo Furtado, de hortigranjeiros, os donos eram uma família, só recordo do nome de um dos filhos, chamado Raul. Outra ficava onde hoje está sendo anunciada a construção do Condomínio Allure, na Felizardo, uma chára de agrião, principalmente, do seu Ângelo, que tem descendentes no bairro – Zé, Luiz, filhos, noras, genros, netos”.Outra pessoa da qual seu Ruben Simionovschi não esquece é do doutor Tácito Castro de Castro, um médico que atendia os pacientes em sua própria casa, na rua La Plata, defronte ao hoje Supermercado Gecepel. “Depois ele manteve o consultório em uma sala no prédio da Barão do Amazonas, em frente ao Posto Ipiranga, esquina Valparaíso. Ali, em uma das lojas, havia a Farmácia Idela, do casal Frontelmo e Léa e mais um sócio”.

sábado, 21 de setembro de 2024

O depoimento do morador Joel a respeito dos velhos tempos do JB

 As duas fotos abaixo foram feitas em dezembro de 1961 ou 1962, por ocasião de uma primeira comunhão da igreja de São Luís (que, na época, ainda não era paróquia). Naquele tempo as comunhões, como é o caso desta, aconteciam na Fundação Zoobotânica, junto ao pórtico. Joel Marques, já falecido, morador da rua Itaboraí, escreveu do próprio punho estas lembranças ainda no ano de 2008. Mantivemos a grafia original devido ao seu valor histórico.




AO longo dos meus 56 anos de convivência neste(s) lugar(es), muita coisa passou, procuro citar
somente as boas.
NO inicio da minha infância, as margem de arroio e chácaras, localizadas ao londo da Serafim terra
e felizardos;(onde dois felizardo se encontram) rua felizardo e felizardo furtado.
Você já ouviram falar no fim da linha, conhecido também como bar dos mocelins, o PORQUE?
NOS anos 50 a 70 ali era o paradouro dos ônibus da vila, ficando conhecido até hoje como fim da linha.
EXISTIA também no fim da linha, o único colégio da vila\bairro que se chamava, escola estadual Otavio de
Souza, onde cursei o primário de dia depois a sexta serie a noite. Antigamente para se subir ou seja, cursar o ginásio,
cientifico ou clássico, prestava se exames, chamados admissão, depois do cientifico ai se prestava ou concorrido
vestibular;tempos mudaram.
Estou procurando não relatar as mesmas historias dos outros entrevistados, já mencionados neste
blog. conselheiro x......(VAMOS DAR APOIO, ACESSANDO E MANDANDO INFORMAÇÕES, CRITICAS, FOTOS E
SUGESTÕES, ACESSE).
É IMPOSSÍVEL, para eu não mencionar e existências de chácaras, feiras livre, campos de futebol, colônia agrícola, fabrica de carroças, fabrica de gaiola, fabrica de rapadura, fabrica de doces, além do belo e grandioso parque natural
zoobotanico, e outras coisa mais..?
VOCÊ SABIA QUE NOS ANOS 50 A 60 AS NOSSAS MISSAS MENSAISQUINZENAISSEMANAIS
eram primeiramente realizados no hol de entrada do colégio e posteriormente passou para o HOL de entrada do JARDIM
BOTÂNICO, onde realizei minha primeira comunhão , realizados pelo padre, frei capuchinho da igreja Sto Antonio. foto
A COMUNIDADE MUITO LUTOU , PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA IGREJA, QUE SE CHAMOU
SÃO LUIS GONZAGA.
NAminha in INFÂNCIA morei na Serafim terra, onde hoje os amigos, colegas e vizinhos não moram mais,
existia o clube SÃO LUIS, onde se jogava, ping pong, bocha, cartas,, futebol e churrascadas também bailes. terminou tudo
POR QUE?
Continuo a procurar relatar algumas fatos da época; falaram da ind. de carroças, mas também
havia uma industria, fabrica de gaiola, onde trabalhei, localizada na rua Itaboraí;AS GAIOLAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA
TER UMA AVE DE QUALQUER ESPÉCIE. TAMANHOS, ESPAÇAMENTOS, COMEDOUROS E BEBEDOUROS ADEQUADOS.
-Existiam a fabrica de rapadura, localizada na rua Guilherme Alves, produto de ótima qualidade,fabrica
de sabão, localizada na rua roque Gonzaga, fabrica de doces, localizada na trav. municipal e outras caseiras.
-No botânico, ali existia ou existe uma das maiores estufas de cactos, plantas originário de desertos,
e outros fins, quase todos os tipos, uma floresta natural ao longo de sua extensão que ant igamente termina na av.Ipiranga com Cristiano Fischer e Tibiriçá com salvador França e outras ruas. hoje foi tomada, uma parte, pelo hospital da puc, escola, ginásio
clubes, centro metereologico e residências, mesmo com a perda de vários hectares, continua cada vez mais lindo. pouco divulgado
um dos lugares mais calma pelos amantes da natureza e tranqüilidade com segurança.
-Você sabia que na vilabairro existiu um dos maiores carnavais de porto alegre, inclusive tendo elegido
a rainha do carnaval de porto alegre. foram realizados carnavais nas rua surupa, felizardo e barão do amazonas onde encerrou
os anos carnavalesco do povo do bairro. Tempo onde o povo podia se divertir mais nas ruas e havias blocos da alegria, onde qualquer roupa era fantasia.
-Você sabia, que nos anos 60\70 havia feiras livre, localizada na rua Itaboraí, entre a salvador Franca e Serafim terra, onde ali se encontrava quase todos os residente da vila\bairro, com o passar dos anos, foi absorvidas pelas
grandes redes de supermercados, sendo quase extinto esse meio de comercio.
NOS ANOS 90 E SÉCULO, HOUVE UMA TENTATIVA DE REATIVAR COM A FEIRA DOS FRUTOS E
HORTIGRANJEIROS, na mesma rua, nas a burguesia ali existente boicotaram, realizando varios abaixo assinados, guase que
expulsaram os feirantes, que foram colocados agora na RUA felizardo furtado.
você sabia que existia uma delegacia de policia na vila\bairro nos anos 50 a 60, hoje nada, a muito
custo um posto da brigada militar.
você sabia que havia 2 a 3 clubes sócias na vila\bairro e hoje.?
VOCÊ JÁ OUVIA FALAR NO CLUBE RECREATIVO AMERICANO, ele existe;ONDE?TEM LOCALIZAÇÃO? TEM SÓCIOS? TEM PRESIDENTE? ONDE ESTA.......!
Na minha juventude anos 60\70 ainda existia alguns campos de futebol, aos sábados era concorrido
as disputados, para as famosas beladas, no campinho na esef, começa meio dia ia até oito da noite.
Você sabe o que e reunião dançantes, isto era realizados quase todos fins de semanas nas casas
dos colegas, onde bebidas de álcool era proibidos, somente refrigerantes e salgados.
Hoje se fala muito em DJ, pois nos anos 60\70 existia uns dos maiores , SATURNO HI FI, maior
discotecário, quase uma bando de sons. e luzes. aminava os grande bailes no AMERICANO e outros clubes, festas, casamentos
e outros. acho que possui uma das maiores coleções de discos fitas de musicas de todos os gostos, seu Saturno é vivo
ainda, perto de 90 anos, continua fanático por música, deve estar fazendo outra coleção agora de cds, acho.
houve uma turma de jovens, que gostavam de futebol, que fundou um dos melhores time de futebol,
jogadores somente residente no bairro. com idade entre 15 a 20 anos, o primeiro fardamento foi feito de sacos e açúcar
foram tingidos pela dna Antonia, e as camisetas feita pela dna Isaura,ambas vivas, as cores da camiseta eram verdes,
posteriormente apos varios jogos, conseguimos adquirir um fardamento completo, camiseta, calção e meias, de cor branca.
onde surgiu o nome do time JUVENTUS, JOGAMOS VÁRIOS jogos em nosso cAMPO UNIVERSAL, HOJE SUPERMERCADO
BOURBON, FICAMOS quase que 50 jogas sem perder ao longo de quase dois anos, jogos em viamão, alvorada, e outros campos, nossa sede, era na garage do treinador sr. Cloro, que orientava estes atletas, Leandro,Luis(goleiros)Beto, rude(lat. dir)
Joel(zag.cent)HELIAR(quart zag)Gerson(lar.esq)Milton(Centro médio) ferrinhos(meio esq)Ademir(meia dir),negrinho(ponta dir)
joão Carlos(centro avante),NEGO(ponta esq) e outros como, Vilmar,Cleber,marinho,Juarez, Danilo, etc.
você sabia que no bairro havia uma das maiores industria de doces do rs=vontobel sa. no passado
estava localizada na rua trav.municipal, seu proprietário gostava de festas, principalmente juninas, onde havia fogueiras, e farta
distribuição de comidas e bebidas.
O BAIRRO JÁ CRESCIA BASTANTE ANTES, DEVIDA SUA LOCALIZAÇÃO, PERTO DO CENTRO,
BAIRRO CLASSE MEDIA =BAIXA E RESIDENCIAL, AGORA OUTROS TEMPOS; NÃO HÁ MAIS CAMPOS DE FUTEBOL.
CLUBE SOCIAIS,INDUSTRIAS, FEIRAS, CABARÉS; AGORA ELITE, MOTÉIS DE LUXO, EDIF. NOBRES, BANCOS,
SUPERMERCADOS DE LUXOS, LOTAÇÃO, PERIMETRAL E OUTROS........
.
*VIVA OS MORADORES DO JARDIM BOTÂNICO*

EM TEMPO; DESCOBRIRAM QUE SOU...........

GRATO
JOEL MARQUES DUARTE, morador da rua Itaboraí, Jardim Botânico

domingo, 15 de setembro de 2024

Torneio de Vôlei Sentado no Ararigboia no próximo domingo, 22

 Calendário da Prefeitura de POA

17/9 - Terça-feira - 18h às 21h : Campeonato de Paranatação, no Caixeiros Viajantes Clube (Organizador: Projeto Esporte +)

21/9 - Sábado - 9h às 11h: Festival Paralímpico 2024, no Parque Ramiro Souto (Organizadores: CPB / SMELJ)

22/9 - Domingo - 8h às 14h: 2° Torneio de Vôlei Sentado, no Parque Ararigboia (Organizadora: SMELJ)

24/9 - Terça-feira - 13h às 18h: Torneio de Xadrez na sede da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (ACERGS, organizadora do evento)


segunda-feira, 8 de julho de 2024

Parque Ararigboia e sua rica história não só no futebol varzeano de Porto legre

 PUBLICADO EM 2008, no antio blog Conselheiro X. Há informações históricas perenes, embora desconheça notícias do seu Hervê, na época com 72 anos, ou seja, 16 anos atrás. (Vitor Minas)




Vista do campinho do Ararigboia e a foto do seu Hervê, 16 anos atrás.


Na divisa entre o Jardim Botânico e Petrópolis, o Parque Ararigbóia, se falasse, teria muitas histórias a contar. Na antiga "Várzea de Petrópolis", em um terreno que já foi alagadiço, ocupa um quarteirão inteiro, entre as ruas Felizardo Furtado, Saicã, Lavradio e Mariz e Barros. Tradicional ponto de lazer dos dois bairros, já foi conhecido como o "campo do Sul Brasil", um clube de futebol que marcou época nas redondezas. Somente em 1953 é que foi batizado como "Ararigbóia", em homenagem ao cacique índio que ajudou os portugueses a expulsar os invasores franceses do Rio de Janeiro, no século XVI.
Conhecer a história do Ararigbóia é um passeio por muitas décadas. Hoje um centro de esporte, lazer e saúde, o local foi fundado por um empreiteiro chamado Arino Bernardino de Souza, em fevereiro de 1942 - hoje ele é o nome do Ginásio, inaugurado em 30 de setembro de 1995.
Quem sabe tudo, ou muito, da história do Parque Ararigbóia, é o presidente da Associação Comunitária do Parque Ararigbóia, Hervè Paschoto Saciloto, de 72 anos, um geólogo aposentado, durante muitos anos funcionário da Petrobrás (trabalhou mais de 30 anos na Bahia) e que, quando mudou-se para a rua Mariz e Barros, em 1991, ao olhar o local, quase abandonado, mal-cuidado, decidiu: "Vou cuidar disso aqui".
O Ararigbóia, então, já tinha muitos anos de história, mas estava sendo muito mal aproveitado e não integrava a comunidade à sua volta. Havia um barracão de tijolos, mal ajambrado, e uma cancha de bocha na rua Saicã. O pessoal do futebol tinha o seu presidente, e o da bocha, outro. Hervè - que nem sabia jogar bocha - entrou para a segunda turma e ficou como presidente deles, e, em 1992, fez um movimento para integrar os dois grupos. Conseguiu, e elegeu-se presidente da Associação Comunitária, fundada em 1980. Ficou nessa condição até 1995, quando foi sucedido por Pedro Paulo Machado, o "Pedrinho" - uma das referências maiores quando se fala no Parque.
Nesse tempo eles iniciaram uma luta para reformar o barracão que ali havia, "até que vimos que isso não valia a pena". Surgiu então o projeto de um novo ginásio de esportes, que foi aprovado e construído pelo Orçamento Participativo da Prefeitura de Porto Alegre, do qual seu Hervè era conselheiro. "Aí tivemos que criar uma cultura para que a comunidade cuidasse da sua conservação, sendo que a Prefeitura entraria com professores e a parte pedagógica para as atividades que nós queríamos", conta ele.
TERCEIRA IDADE - O Parque Ararigbóia, com seus mais de 700 frequentadores fixos e inúmeras atividades para todas as faixas etárias, de toda a cidade, não é mantido com verbas da Prefeitura - ao contrário do que muita gente pensa. O poder público apenas auxilia na manutenção e algumas melhorias, mas o dinheiro que sustenta a entidade vem da comunidade e das rendas obtidas pelo Parque.
"A maior parte vem da mensalidade paga pelos associados da Associação Comunitária, que são cerca de 700 e contribuem, a cada semestre, com 20 reais cada. É gente de toda a cidade, a maioria daqui dos nossos bairros, e pagam certinho", relata Hervè. "Tudo o que tem dentro do ginásio foi comprado com dinheiro da comunidade. E, com isso, conseguimos fazer muitas coisas. Agora vamos pintar o ginásio e botar ar condicionado no salão de ginástica, no segundo pavimento".
O Parque Ararigbóia conseguiu arregimentar a comunidade à sua volta, não só pelas várias atividades ali desenvolvidas - futebol, bocha, basquete, vôlei, ginástica, alongamento, musculação - como também em palestras realizadas em colégios. É o chamado "Grupo de Educação para o Envelhecimento", uma iniciativa de Hervè que consiste na ida aos colégios dos bairros vizinhos para troca de experiências com crianças e adolescentes. A idéia surgiu no ano 2000 e segue em pleno curso. Uma vez por semana um grupo da Terceira Idade vai às salas de aula, conversar com alunos sobre temas tão diferentes como a sexualidade, a saúde, a carreira profissional, o bem estar, os bons hábitos, a importância do exercício físico, da boa alimentação, do carinho - sem nenhum moralismo. "Já nos encontramos com mais de 2500 crianças, e agora estamos nos encontrando com adolescentes", informa Hervè. "Falamos de nossas vidas, do que era no passado, do que era um fogão a lenha, de coisas que eles nem conhecem. E a aceitação nos surpreendeu".
Um vez por mês o grupo, integrado por cerca de 16 idosos, reúne-se para fazer uma avaliação do trabalho.
ARQUIBANCADA - Arino Bernardino da Silva dá nome ao ginásio. O empreiteiro, construtor de ruas e calçados, foi quem deu "formato" ao atual parque, em 1942 - antes o local era um espaço público, um charco que ele aterrou e deu vida.
"Ele fez o campo de futebol, uma arquibancada de madeira e criou o time do Sul Brasil, que fazia campeonatos de futebol entre os bairros", conta seu Hervè. Em 1953, (quando passou a se chamar Ararigbóia) a Prefeitura de Porto Alegre juntou-se com a Federação de Bocha "para usurpar o direito da comunidade de ocupar esse espaço". Segundo o presidente da Associação, eles se apropriaram do campo: "As pessoas, para jogar no campo, tinham que ir na Prefeitura às 4 horas da manhã para tentar marcar um horário".
Acontecia ali o Campeonato Estadual de Bocha. Em 1963 foi criada a associação dos Veteranos do Futebol, que lutou para ter um dia seu no calendário do campo - e conseguiram. No início dos anos 70 a cancha de bocha foi extinta, restando o barracão - havia disputas de vôlei, então. Nesse tempo foi criado um grupo infantil de dança e outro de ginástica. Em 1980, finalmente, foi criada a Associação Comunitária do Parque Ararigbóia, usada mais pelo pessoal do futebol.
Do outro lado, na rua Saicã, havia a cancha de bocha - cada qual com um presidente. Em 1992 é que aconteceu a unificação dos dois grupos e a eleição de Hervè para a presidência.