Jornal do bairro Jardim Botânico. Porto Alegre, RS. Brasil. Fundado em 25 de março de 2019. jornalofelizardo.blogspot.com - email: vitorminas1@gmail.com
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Os Velhos Álbuns
* Revirando velhos álbuns de
fotos de décadas passadas, da chamada "Idade de Ouro", fui na Internet e
descobri que, daqueles meus amigos de colégio lá da urbezinha distante, quase
todos se tornaram ou prefeitos, ou vice, ou vereadores, ou secretários
municipais, algo desse nível. Não é muito, muita coisa, claro, até porque o
cara tem que ser alguma coisa de alguma coisa, até dá um reconforto descobrir
isso.Ou seja, quase todos prestavam. Ou tinham ambições políticas. Ou
enganavam bem. *Ah, os álbuns de fotografias, com aquelas cores desbotadas dos
anos setenta. Pois é, usávamos então calças bocas de sino e, apesar de menores
de idade, o que mais apareciam nos retratos eram as festas, os risos e as
garrafas de cerveja. *Tempos dos rolos de filmes, da revelação, da espera.
*Comprei a minha primeira câmera com uns 15 anos de idade. Curiosamente - mesmo
ainda sendo a Guerra Fria, me caiu às mãos uma máquina polonesa meio primitiva
porém representativa de um grande avanço: a regulagem, com abertura e
velocidade, a base de tudo. *A minha - repassada pelo retratista local (que
queria me contratar para trabalhar com ele) - dizia "Made in Polska". Ou seja,
era polonesa, ainda do tempo do comunismo e do bloco soviético. Não sei de
onde saiu. A abertura máxima era 4.5 e a velocidade ia até 250. Com aquele
bichinho, que me dava um certo vaidoso ar profissional, fotografei todos os
meus colegas do Banco do Brasil e a boa vida que levavam então. *O BB naqueles
tempos tinha o status de maior empresa nacional, maior até do que a Petrobrás.
*Os funcionários do BB, todos concursados, ganhavam bem, trabalhavam seis
horas por dia e desfrutavam de 14 salários anuais. O sonho de muitas moças do
interior era casar com um desses caras. *Falei dos filmes de rolo. Pois estão
aqui, arquivados, visíveis, encontráveis, à vista de todo mundo. Hoje, porém,
se der um xabu gigantesco no sistema de informática global ou se aparecer um
vírus universal terrível, tudo que está na memória dos computadores e no
celular, pode ser comido, destruído, apagado - e aí adeus tia Chica, adeus
lembranças, adeus selfies. É um risco real. *Nelson Rodrigues se dizia um
reacionário, abominava as coisas da juventude e aconselhava os jovens:
"Envelheçam." Costumava afirmar que aos 20 anos o sujeito não sabia nem dizer
boa noite para sua namorada. Foi publicado aqui no RS na Folha da Tarde, se
não me engano, com sua coluna "A Vida como Ela É". * Nelson tinha suas
invocações. Uma era com as estagiárias de jornal que ele chamava de
"estagiárias de calcanhar sujo", pela movimentação, correrias, jeito descolado
e pelas sandálias gastas que usavam. Ou o "idiota de babar na gravata", ou de
"saúde de vaca premiada". Nunca saiu do Brasil, seu mundo era o bairro do
Méier. *É difícil viver em sociedade, diz uma vizinha. Disse-o quando, em
pleno elevador lotado, um sujeito deu um arroto homérico sem o mínimo
constrangimento. Fazer o quê. Na China, pelo que falam, é sinal de boa
educação e de estar satisfeito com o almoço quando o convidado arrota à mesa.
*Na Bahia, uma vez, me deram feijão doce, com açúcar, para provar. é algo de
fundo religioso, me explicaram. Consomem numa boa. * Na fronteira era costume
- não sei se continua - comer ovo frito com açúcar. Deve ser algo meio
uruguaio, meio charrua. *Continuo adorando a palavra "carniceria" para
açougue. Dependendo da falta de luz, tão comum, a casa de carnes frescas pode
mesmo virar uma carniceria. *Gosto é gosto, costume é costume, já disse aquela
velhinha do jegue. Não sou a favor, nem contra, só não me peçam para usar
aquele beiço de pau do Cacique Raoni. Como é que se consegue dormir com
aquilo, é algo retirável, não entra mosquitos, eis as minhas perguntas. *Os
Hunos, feios como o diabo, amarravam e deformavam a cabeça dos bebês, para
alongá-las. Ficavam com aparência de ETs, eles que já eram horríveis e fediam
mais do que cachorro molhado. *Os antigos romanos, entre os seus conceitos e
preconceitos, tinham o de não suportar o fedor dos gauleses, atuais franceses.
Não à toa o sistema de abastecimento de Roma era um primor da engenharia e bem
distribuído por uma cidade que chegou a mais de 1 milhão de habitantes, quase
dois mil anos atrás. *Augusto dos Anjos era um gênio da poesia. Morreu aos 30
anos, em 1912, de tuberculose. É dele, no seu único livro" (Eu) tem "um urubu
pousou na minha sorte", "a mão que afaga é a mesma que apedreja", "o beijo,
amigo, é a véspera do escarro". Gosto muito do verso em que diz que fez
"ultra-epilépticos esforços." *Augusto dos Anjos lia e escrevia em latim e
grego e era versado em outras línguas. Pra ver como era o intelectual daquele
tempo. Materialista, promovia sessões espíritas. Foi desprezado e até
humilhado pelos críticos e intelectuais da época porém caiu no gosto do povo
brasileiro, que o consagrou. "Eu, filho do carbono e do amoníaco, monstro de
escuridão e rutilância." Seu livro é um clássico. Para editá-lo pediu dinheiro
de um irmão ou coisa assim e só tirou mil exemplares. *Morrer aos 30 anos
ninguém merece. Já essa história de viver até os 100 é uma bobagem custosa.
Chega uma hora em que o indivíduo já viu o filme e só quer mesmo é sair do
cinema, mesmo com medo. Dormir é bom, se tiver algo mais, melhor ainda.
*Conheço homens simples, sem instrução formal, sem formação em literatura, que
o declamam até hoje, em bares, sobretudo. Em butecos populares não faz muito
apareciam tais tipos assim, simplórios, de profissões humildes, que falavam
apaixonadamente a respeito de um único livro que os impressionou. Conheci um,
na fronteira, pai de um amigo meu, louco pelo Hemingway e seu O Velho e o Mar.
*Olho pela janela. O povo foi sequestrado daqui e deve estar na praia, praias
cada vez mais superlotadas. Turismo em massa é uma praga. Conheci a Camboriú
antiga, deliciosa (mesmo já poluída). Hoje está um troço inclassificável.
Edifícios de 80 andares não dá pé, chega a oprimir. *Praia é muito bom, porém,
como tudo, enjoa. Todavia entrar no mar, nadar, boiar e caminhar em horários
desertos faz um bem danado .
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
A praga do turismo
Camboriú, nos anos setenta, já era um grande balneário, com muitos edifícios, uma espécie - como repetia a imprensa então - de Copacabana do Sul. O mar era poluído, pois não havia o emissário cloacal que depois se construiu. Mas nós, crianças e adolescentes, não ligávamos muito para isso. Eu gostava especialmente de caçar caranguejos na praia, à noite, junto com um primo meu, já falecido. Todo verão nós íamos veranear lá, no apartamento de um tio, na avenida Atlântica. Depois fiquei muitos anos sem ir a Camboriú, e sigo sem ir faz tempo. Mas fiquei sabendo que agora é uma cidade de inúmeros e altos edifícios, incluindo um, de 81 andares, cuja cobertura foi comprada pelo jogador Neymar. Caramba, 81 andares, o mais alto da América do Sul, dizem, com orgulho, vejam só, os próprios catarinenses. O novo Inferno na Torre. Fala-se que faz sombra e tira o sol da faixa de areia. Pudera: eles se espelham em Miami. Mas a Camboriú que eu gosto não é Miami, era aquela da década de 70, quando a grande praga - o turismo - nem se comparava aos dias de hoje. Sou da opinião de que o turismo em massa é um mal, e que destroi tudo e a tudo reduz a vulgaridades. Um turismo feito, como dizia Nelson Rodrigues, para o "cretino fundamental" - a boiada de 98% da humanidade. Vejam o caso de Florianópolis, que conheci quando tinha uns 150 mil habitantes, uma cidade adorável. Uns dez anos atrás, ou até mais, passei de novo por lá, e encontrei congestionamento de trânsito, custo de vida cada vez mais caro, e uma gente de fora e sem noção caminhando nas ruas. Adeus, bela Floripa do passado. Adeus Camboriú. O turismo é mesmo uma peste. O mau gosto venceu.(V.Minas)
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Casa na rua Serafim Terra, 35 CTG na Ipiranga com 18 de Setembro e edifício dos anos 60 na rua Felizardo, esquina Terceira Perimetral
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
Táxi Aéreo procura mais clientes em 1949
No final da década de 40, logo depois do término da Segunda Grande Guerra, o Brasil era o segundo país em linhas aéreas em todo o mundo, chegando a ter mais de 60 empresas nessa área. Em tal época heroica da aviação os aviões eram pequenos, barulhentos e desconfortáveis, transportando muitas vezes quatro ou cinco passageiros em viagens perigosas e emocionantes que terminavam em precárias e quase impraticáveis pistas de pouso. Os acidentes eram muitos e os pilotos se orientavam por referências geográficas ou inscrições que as comunidades colocavam no alto das casas e dos prédios.
O Rio Grande do Sul, pioneiro na navegação aérea com a Varig, destacava-se neste aspecto. O aeroporto São João, atual Salgado Filho, movimentava uma média de 60 vôos diários, com aeronaves de grandes companhias e de pequenos táxis aéreos ou linhas regionais. Nesta reprodução do Correio do Povo de julho de 1949 vemos o anúncio da empresa Táxi Aéreo Guarany, que seguiria em "vôos especiais" para "qualquer lugar onde haja campo de pouso" - leia-se, locais de terra batida e nenhuma infraestrutura. Para a cidade de Estrela, por exemplo, a Guarany voava diariamente.
sábado, 13 de setembro de 2025
Mário Quintana aos 36 anos
Mário Quintana, o maior poeta gaúcho, quem diria, se fosse vivo (faleceu em 1994) faria mais de 100 anos de idade. Nascido no Alegrete, trabalhou muito tempo na Editora Globo, onde foi tradutor de importantes escritores mundiais - incluindo Marcel Proust. Nesta foto, de 1940, da Revista do Globo, ele aparece em seu ambiente de trabalho, na Livraria do Globo - que não mais existe - um ponto de encontro dos intelectuais gaúchos da primeira metade do século 20. Nesta época ele tinha apenas 36 anos. A foto, hoje, é até rara.
sábado, 9 de agosto de 2025
Porto Alegre já foi a cidade dos crimes
Porto Alegre, todos sabem, viveu não faz muito uma onda de violência que assustou seus moradores, sobretudo pelos crimes violentos e com morte das vítimas. Mas, ao contrário do que alguns saudosistas apregoam, a capital gaúcha nunca foi uma ilha de paz, nem mesmo há mais de 40 anos, quando mal chegava a um milhão de habitantes. Nesta reprodução do Correio do Povo, de agosto de 1969, noticia-se o grande número de assaltos que acontecia na Cidade Sorriso. Nota-se porém que, naquela época, os bandidos não estavam tão aparelhados como hoje e preferiam dominar suas vítimas utilizando o que hoje é chamado de "mão grande": em maior número, dominavam fisicamente suas físicas e levavam tudo quanto tinham, sem, na maioria das vezes, usar a arma de fogo como intimidação. Hoje eles usam armamentos potentes e muitas vezes, por maldade e sadismo, matam os cidadão que sequer resistiram. Sinal dos tempos.
sexta-feira, 27 de junho de 2025
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
domingo, 23 de fevereiro de 2025
Pista de corridas da ESEFID - Escola Superior de Educação Física, Fisioterapia e Dança da UFRGS
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
Imagens da ESEFID - Escola Superior em Educação Física, Fisioterapia e Dança da Universidade Federal do RGS
Pista de corrida. Durante muitos anos foi um mal cuidado de asfalto cheio de remendos. Centro de natação, com piscinas, aberto também à comunidade.Abaixo o pequeno CTG, ou local de lazer dos alunos e funcion ários.
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
Feira das sextas-feiras organizada pela Prefeitura, na rua Felizardo Furtado, das 14 às 20 horas. Anos atrás acontecia na rua Itaboraí.
A Feira sempre foi um ponto de encontro dos moradores do Jardim Botânico. Será que ainda é a mesma feira de alguns anos atrás.?
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