quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Nani. A Charge Online.

Antigo Vale do Sabão é o Botânico de hoje

Flagrante: primeira comunhão na antiga igreja de São Luís, na rua Guilherme Alves. Esta igreja situava-se onde, hoje, está sendo construída a nova. A foto não está datada.Possivelmente é do final dos anos sessenta. O retrato pertence à coleção pessoal de dona Dorsa, antiga moradora do JB, e foi obtida por intermédio de seu Rui Cintra, comerciante e também antigo morador do bairro, residente na rua Itaboraí.Oficialmente, o Jardim Botânico nasceu no ano de 1959, pela lei número 2022, de autoria do vereador e historiador Ary Veiga Sanhudo. Nesse ano foram oficializados inúmeros outros bairros de Porto Alegre.  A história do Jardim Botânico corre paralela à da avenida Ipiranga e da canalização do riacho Dilúvio, obras que levaram décadas. No passado, toda essa região ribeirinha ao rio, desde a Agronomia até o Beira-Rio, era conhecida como o “Vale do Sabão”, uma área baixa e alagadiça. As constantes inundações do arroio eram um sério problema.
Em seu livro “Crônicas da Minha Cidade”, que parece ter sido escrito na década de 50, o historiador Ary Veiga Sanhudo é profético quando ao futuro promissor da região - “a zona mais próspera da cidade”. Escreveu ele, meio século atrás:“O bairro São Luiz, como aliás foi por muito tempo conhecido, não apresenta verdadeiramente qualquer notabilidade maior do que as ajardinadas terras do nosso futuro horto botânico. É um lugar de condições modestas e pela circunstância de se achar encravado entre o Riacho e o cerro de Petrópolis, viveu sempre jugulado à sua embaraçante situação de bairro sem uma via própria de acesso com maior desenvoltura. A sua radial, todavia, é a perimetral rua Barão do Amazonas. (...) No entanto, não nos cabe dúvida que, no dia em que as formidáveis laterais do Arroio Dilúvio – avenida Ipiranga – estiverem completamente urbanizadas, propiciando o extraordinário tráfego desse imenso Vale do Sabão, desde a Agronomia até a Beira-Rio, todo este bairro, como os demais quarteirões ribeirinhos, tomarão outro aspecto e constituirão a zona mais próspera da cidade”.
QUERO-QUERO – Há menos de vinte anos, o Correio do Povo (23 de maio de 1987), em matéria da jornalista Magda Wagner, traçava um perfil do JB: “É um bairro tranquilo, de ruas largas, que mais parece uma cidade do interior (...) Em frente ao maior conjunto habitacional do bairro, na rua Felizardo Furtado, nos deparamos com uma inesperada plantação de agrião, reforçando a idéia de que o Jardim Botânico é, no mínimo, um bairro diferente. Os quero-queros, ave típica dos descampados, proliferam no bairro, alimentados pelas folhas de agrião.” Antes de ser Vila São Luiz, o JB chamava-se Vila Russa, o que é explicado pela presença de imigrantes russos que chegaram aqui no início do século passado, instalando-se na parte alta, do outro lado da hoje avenida Doutor Salvador França.

Casa de madeira na rua Felizardo

sábado, 24 de janeiro de 2026

Veja bem o spoiler

Teve uma época do "veja mais". Os sujeitos começavam, sempre, com o "veja bem". Inclusive intelectuais incensados. Hoje a mídia fala em "spoiler" pra tudo. "Vou dar um spoiler" é comum nestes tempos obscuros. Os do futebol não dizem mais "corresponder" e sim entregar. entregar, que era sinônimo do jogador mal intencionado, quer dizer que fez ou não fez o esperado. Oportunizar, que nem existe no dicionário, é moeda comum. Já algumas palavras sumiram, devido ao politicamente correto, caso de Mulata, ou de Cabrocha, ou - no caso do RS - acabou-se o uso da palavra "chinoca". Clichês que se revezam. Uma das que sumiramé "salafrário" para o indivíduo escroque, mau caráter. A mídia não quer a simplicidade. Perguntem para o cidadão comum, aquele que compra um livro por ano na feira do livro, e ele não saberá explicar. Bom, mude-se para os EUA, como os mineiros, fujam da polícia - vocês que preferem ser humilhados lá fora em troca de um punhado de dólares em vez de ficarem na própria terra, boa ou má, mas a sua terra. Aliás, não sou tão contra o Trump quando manda caçar essa gente. Humilhação não tem preço. Finalizando: 40 por cento dos médicos brasileiros não "entregam" o necessário (pesquisa deles próprios), porém a mídia (imprensa) e suas faculdades de jornalismo são ainda piores.(V.M)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O casamento de Brizola e Neusa

Com apenas 28 anos, mas já deputado estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro - do qual era uma das mais promissoras lideranças regionais - Leonel de Moura Brizola saiu na página social do Correio do Povo naquele dia 3 de março de 1950: dois dias antes o jovem político e engenheiro casara-se, em Porto Alegre, com Neusa Goulart Brizola, que vinha a ser irmã de João Goulart - futuro presidente do Brasil, deposto em 1964. Uma importante personalidade (na verdade, padrinho do enlace) se fez presente: Getúlio Vargas, também natural da terra da noiva, São Borja, onde vivia retirado na sua fazenda do Itu (localizada no município de Itaqui e não São Borja). O casal seguiu em viagem de lua-de-mel "para o Prata", como informou o CP.Neste dia 21 Neusa Goulart Brizola faria aniversário. E neste dia 22 de janeiro, hoje, quinta-feira, seria a vez do seu marido. Ela nasceu em 1921, ele em 1922.  A reprodução é do Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho. 

Neusa, a companheira inseparável do líder trabalhista


Neusa, quando jovem:trocou pretendente rico por um jovem engenheiro chamado Leonel.

O casal permaneceu junto até o final.


Ela foi a grande companheira de Leonel Brizola (falecido) - e, em toda a sua vida, habituou-se a conviver com o poder. Isso, porém, não a impediu de ter uma existência sofrida, cheia de altos e baixos, e de, por uns tempos, tornar-se alcoólatra.
Neuza Goulart Brizola, mulher do ex-governador gaúcho e fluminense - o amado e odiado homem que garantiu a Legalidade e a posse de Jango, irmão de Neusa - faleceu em 7 de abril de 1993, uma quarta-feira, aos 71 anos de idade, na clínica Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, onde morava. O laudo atestou infecção generalizada e sérios problemas respiratórios. Foi enterrada em São Borja, assim como Jango, assim como Getúlio Vargas (que foi seu pardinho de casamento), assim como Leonel, também falecido (sem ter nunca ter realizado o seu sonho de se presidente).
Elegante, discreta, bonita, Neuza conheceu Leonel em uma convenção do Partido Trabalhista Brasileiro, em São Borja, onde nasceu, ainda nos anos quarenta. Conta-se que trocou um outro pretendente rico por um jovem engenheiro em início de carreira política. Quando casaram-se, ela tinha 28 anos - e nunca se arrependeu da opção: a união dela com o temperamental Brizola parece ter sido amorosa, senão apaixonada. O marido chamava-a de "queridinha", era seu confidente e amigo. Foram apaixonados por toda a vida e tiveram três filhos - João Vicente, João Otávio e a problemática Neusinha - recentemente falecida.
Não era para menos: ao lado do líder trabalhista, Neuza suportou muitos anos de exílio (15 longos anos) e perseguições políticas em terras estranhas, sem jamais esmorecer. Antes, quando Brizola era governador do Rio Grande do Sul, chegou a doar uma de suas sete fazendas - que herdou dos pais - para a reforma agrária que seu marido promoveu no Estado, e vendeu outras quatro para garantir o sustento da família, no período da Ditadura, quando viveram no Uruguai e depois em Portugal e nos Estados Unidos. Vendeu mais uma, quando voltaram ao Brasil, em 1979, para comprar o apartamento na avenida Atlântica, em Copacabana - o QG de Brizola, e onde morou até a sua morte.
DEPRESSÃO - Os primeiros seis anos de exílio foram duros. No frio Uruguai, viveram em um apartamento sem calefação ou ar condicionado. Depois a família mudou-se para uma fazenda, a 250 km de Montevidéo - lá não havia energia elétrica ou telefone. Mulher prendada, pela primeira vez obrigou-se a cozinhar. Disse mais tarde, sobre isso: "Só quem passou pelo exílio sabe como é triste ser brasileiro fora de sua pátria".
Em 1983, no Brasil, tratou-se durante 75 dias, nos Estados Unidos, de uma crise de depressão, algo cada vez mais comum - sequer chegou a asistir à posse do marido no Palácio Laranjeiras. Mais tarde internou-se em uma clínica para recuperação de alcoólatras, na Espanha.
Em 7 de janeiro de 1993, em Nova York, foi internada às pressas em um hospital, com uma úlcera perfurada. Permaneceu dois meses na UTI, sedada. Carinhoso, Brizola a visitava duas vezes por dia e passava longas horas à beira da cama, afagando seus cabelos. Alguns dias antes da sua morte, sem poder falar, trocava bilhetes com o marido.
Talvez por tudo isso, Neuza abusava dos calmantes e antidepressivos, bebia muito e fumava. Em 1986, ela e Leonel combinaram de parar de fumar - o que ele conseguiu, ela não. A esse tempo já havia se submetido a uma operação para a retirada de um tumor em um dos seios. Sofreu também com as brigas entre seu marido e o irmão Jango - reconciliados enfim em 1976, pouco antes do presidente deposto morrer.
Seu maior sonho, no entanto, nunca aconteceu: voltar e envelhecer junto ao marido, na sua São Borja, de preferência bem longe da política. (Pesquisa e texto: (Conselheiro X)

Casa de madeira na rua Felizardo

Os Velhos Álbuns

* Revirando velhos álbuns de fotos de décadas passadas, da chamada "Idade de Ouro", fui na Internet e descobri que, daqueles meus amigos de colégio lá da urbezinha distante, quase todos se tornaram ou prefeitos, ou vice, ou vereadores, ou secretários municipais, algo desse nível. Não é muito, muita coisa, claro, até porque o cara tem que ser alguma coisa de alguma coisa, até dá um reconforto descobrir isso.Ou seja, quase todos prestavam. Ou tinham ambições políticas. Ou enganavam bem. *Ah, os álbuns de fotografias, com aquelas cores desbotadas dos anos setenta. Pois é, usávamos então calças bocas de sino e, apesar de menores de idade, o que mais apareciam nos retratos eram as festas, os risos e as garrafas de cerveja. *Tempos dos rolos de filmes, da revelação, da espera. *Comprei a minha primeira câmera com uns 15 anos de idade. Curiosamente - mesmo ainda sendo a Guerra Fria, me caiu às mãos uma máquina polonesa meio primitiva porém representativa de um grande avanço: a regulagem, com abertura e velocidade, a base de tudo. *A minha - repassada pelo retratista local (que queria me contratar para trabalhar com ele) - dizia "Made in Polska". Ou seja, era polonesa, ainda do tempo do comunismo e do bloco soviético. Não sei de onde saiu. A abertura máxima era 4.5 e a velocidade ia até 250. Com aquele bichinho, que me dava um certo vaidoso ar profissional, fotografei todos os meus colegas do Banco do Brasil e a boa vida que levavam então. *O BB naqueles tempos tinha o status de maior empresa nacional, maior até do que a Petrobrás. *Os funcionários do BB, todos concursados, ganhavam bem, trabalhavam seis horas por dia e desfrutavam de 14 salários anuais. O sonho de muitas moças do interior era casar com um desses caras. *Falei dos filmes de rolo. Pois estão aqui, arquivados, visíveis, encontráveis, à vista de todo mundo. Hoje, porém, se der um xabu gigantesco no sistema de informática global ou se aparecer um vírus universal terrível, tudo que está na memória dos computadores e no celular, pode ser comido, destruído, apagado - e aí adeus tia Chica, adeus lembranças, adeus selfies. É um risco real. *Nelson Rodrigues se dizia um reacionário, abominava as coisas da juventude e aconselhava os jovens: "Envelheçam." Costumava afirmar que aos 20 anos o sujeito não sabia nem dizer boa noite para sua namorada. Foi publicado aqui no RS na Folha da Tarde, se não me engano, com sua coluna "A Vida como Ela É". * Nelson tinha suas invocações. Uma era com as estagiárias de jornal que ele chamava de "estagiárias de calcanhar sujo", pela movimentação, correrias, jeito descolado e pelas sandálias gastas que usavam. Ou o "idiota de babar na gravata", ou de "saúde de vaca premiada". Nunca saiu do Brasil, seu mundo era o bairro do Méier. *É difícil viver em sociedade, diz uma vizinha. Disse-o quando, em pleno elevador lotado, um sujeito deu um arroto homérico sem o mínimo constrangimento. Fazer o quê. Na China, pelo que falam, é sinal de boa educação e de estar satisfeito com o almoço quando o convidado arrota à mesa. *Na Bahia, uma vez, me deram feijão doce, com açúcar, para provar. é algo de fundo religioso, me explicaram. Consomem numa boa. * Na fronteira era costume - não sei se continua - comer ovo frito com açúcar. Deve ser algo meio uruguaio, meio charrua. *Continuo adorando a palavra "carniceria" para açougue. Dependendo da falta de luz, tão comum, a casa de carnes frescas pode mesmo virar uma carniceria. *Gosto é gosto, costume é costume, já disse aquela velhinha do jegue. Não sou a favor, nem contra, só não me peçam para usar aquele beiço de pau do Cacique Raoni. Como é que se consegue dormir com aquilo, é algo retirável, não entra mosquitos, eis as minhas perguntas. *Os Hunos, feios como o diabo, amarravam e deformavam a cabeça dos bebês, para alongá-las. Ficavam com aparência de ETs, eles que já eram horríveis e fediam mais do que cachorro molhado. *Os antigos romanos, entre os seus conceitos e preconceitos, tinham o de não suportar o fedor dos gauleses, atuais franceses. Não à toa o sistema de abastecimento de Roma era um primor da engenharia e bem distribuído por uma cidade que chegou a mais de 1 milhão de habitantes, quase dois mil anos atrás. *Augusto dos Anjos era um gênio da poesia. Morreu aos 30 anos, em 1912, de tuberculose. É dele, no seu único livro" (Eu) tem "um urubu pousou na minha sorte", "a mão que afaga é a mesma que apedreja", "o beijo, amigo, é a véspera do escarro". Gosto muito do verso em que diz que fez "ultra-epilépticos esforços." *Augusto dos Anjos lia e escrevia em latim e grego e era versado em outras línguas. Pra ver como era o intelectual daquele tempo. Materialista, promovia sessões espíritas. Foi desprezado e até humilhado pelos críticos e intelectuais da época porém caiu no gosto do povo brasileiro, que o consagrou. "Eu, filho do carbono e do amoníaco, monstro de escuridão e rutilância." Seu livro é um clássico. Para editá-lo pediu dinheiro de um irmão ou coisa assim e só tirou mil exemplares. *Morrer aos 30 anos ninguém merece. Já essa história de viver até os 100 é uma bobagem custosa. Chega uma hora em que o indivíduo já viu o filme e só quer mesmo é sair do cinema, mesmo com medo. Dormir é bom, se tiver algo mais, melhor ainda. *Conheço homens simples, sem instrução formal, sem formação em literatura, que o declamam até hoje, em bares, sobretudo. Em butecos populares não faz muito apareciam tais tipos assim, simplórios, de profissões humildes, que falavam apaixonadamente a respeito de um único livro que os impressionou. Conheci um, na fronteira, pai de um amigo meu, louco pelo Hemingway e seu O Velho e o Mar. *Olho pela janela. O povo foi sequestrado daqui e deve estar na praia, praias cada vez mais superlotadas. Turismo em massa é uma praga. Conheci a Camboriú antiga, deliciosa (mesmo já poluída). Hoje está um troço inclassificável. Edifícios de 80 andares não dá pé, chega a oprimir. *Praia é muito bom, porém, como tudo, enjoa. Todavia entrar no mar, nadar, boiar e caminhar em horários desertos faz um bem danado .

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

No tempo do Força e Luz e do estádio da Timbaúva

Um dos pequenos grandes clubes da capital, o Força e Luz é outra agremiação esportiva que não mais existe. Formado, em sua origem, por funcionários da Carris - empresa pública de bondes - o Força e Luz chegou a ter o melhor estádio de Porto Alegre - localizado onde, dizem, será mais um hipermercado Bourbon, entre a Ipiranga e a Protásio Alves, nas proximidades do quartel dos Bombeiros. O "estádio" da Timbaúva - esse era o nome - sediou grandes jogos, embora fosse uma modestíssima quadra de esportes, como eram todos os centros esportivos da primeira metade do século 20 em Porto Alegre. Mas o "ferrinho" tem suas glórias e sua história, como se vê nesta matéria do Correio do Povo de 1935.

A praga do turismo


Camboriú, nos anos setenta, já era um grande balneário, com muitos edifícios, uma espécie - como repetia a imprensa então - de Copacabana do Sul. O mar era poluído, pois não havia o emissário cloacal que depois se construiu. Mas nós, crianças e adolescentes, não ligávamos muito para isso. Eu gostava especialmente de caçar caranguejos na praia, à noite, junto com um primo meu, já falecido. Todo verão nós íamos veranear lá, no apartamento de um tio, na avenida Atlântica. Depois fiquei muitos anos sem ir a Camboriú, e sigo sem ir faz tempo. Mas fiquei sabendo que agora é uma cidade de inúmeros e altos edifícios, incluindo um, de 81 andares, cuja cobertura foi comprada pelo jogador Neymar. Caramba, 81 andares, o mais alto da América do Sul, dizem, com orgulho, vejam só, os próprios catarinenses. O novo Inferno na Torre. Fala-se que faz sombra e tira o sol da faixa de areia. Pudera: eles se espelham em Miami. Mas a Camboriú que eu gosto não é Miami, era aquela da década de 70, quando a grande praga - o turismo - nem se comparava aos dias de hoje. Sou da opinião de que o turismo em massa é um mal, e que destroi tudo e a tudo reduz a vulgaridades. Um turismo feito, como dizia Nelson Rodrigues, para o "cretino fundamental" - a boiada de 98% da humanidade. Vejam o caso de Florianópolis, que conheci quando tinha uns 150 mil habitantes, uma cidade adorável. Uns dez anos atrás, ou até mais, passei de novo por lá, e encontrei congestionamento de trânsito, custo de vida cada vez mais caro, e uma gente de fora e sem noção caminhando nas ruas. Adeus, bela Floripa do passado. Adeus Camboriú. O turismo é mesmo uma peste. O mau gosto venceu.(V.Minas)

Festival de Gramado no verão



Pouca gente lembra, mas o Festival de Cinema Brasileiro de Gramado, no RS, já foi realizado em pleno verão, isso nos seus primórdios, nos anos setenta, como se vê nesta edição de número 4, em janeiro de 1976. Talvez com maior importância e glamour do que hoje, o Festival - naquela data - homenageou Grande Otelo, um dos maiores nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileira. As reproduções são do Correio do Povo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Depoimento do saudoso morador Joel Marques Duarte, já falecido sobre o JB no passado. Sua família é da rua Itaboraí

 As duas fotos abaixo foram feitas em dezembro de 1961 ou 1962, por ocasião de uma primeira comunhão da igreja de São Luís (que, na época, ainda não era paróquia). Naquele tempo as comunhões, como é o caso desta, aconteciam na Fundação Zoobotânica, junto ao pórtico. Joel Marques, já falecido, morador da rua Itaboraí, escreveu do próprio punho estas lembranças ainda no ano de 2008. Mantivemos a grafia original devido ao seu valor histórico.




Joel e sua história - AO longo dos meus 56 anos de convivência neste(s) lugar(es), muita coisa passou, procuro citar
somente as boas.
NO inicio da minha infância, as margem de arroio e chácaras, localizadas ao londo da Serafim terra
e felizardos;(onde dois felizardo se encontram) rua felizardo e felizardo furtado.
Você já ouviram falar no fim da linha, conhecido também como bar dos mocelins, o PORQUE?
NOS anos 50 a 70 ali era o paradouro dos ônibus da vila, ficando conhecido até hoje como fim da linha.
EXISTIA também no fim da linha, o único colégio da vila\bairro que se chamava, escola estadual Otavio de
Souza, onde cursei o primário de dia depois a sexta serie a noite. Antigamente para se subir ou seja, cursar o ginásio,
cientifico ou clássico, prestava se exames, chamados admissão, depois do cientifico ai se prestava ou concorrido
vestibular;tempos mudaram.
Estou procurando não relatar as mesmas historias dos outros entrevistados, já mencionados neste
blog. conselheiro x......(VAMOS DAR APOIO, ACESSANDO E MANDANDO INFORMAÇÕES, CRITICAS, FOTOS E
SUGESTÕES, ACESSE).
É IMPOSSÍVEL, para eu não mencionar e existências de chácaras, feiras livre, campos de futebol, colônia agrícola, fabrica de carroças, fabrica de gaiola, fabrica de rapadura, fabrica de doces, além do belo e grandioso parque natural
zoobotanico, e outras coisa mais..?
VOCÊ SABIA QUE NOS ANOS 50 A 60 AS NOSSAS MISSAS MENSAISQUINZENAISSEMANAIS
eram primeiramente realizados no hol de entrada do colégio e posteriormente passou para o HOL de entrada do JARDIM
BOTÂNICO, onde realizei minha primeira comunhão , realizados pelo padre, frei capuchinho da igreja Sto Antonio. foto
A COMUNIDADE MUITO LUTOU , PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA IGREJA, QUE SE CHAMOU
SÃO LUIS GONZAGA.
NAminha in INFÂNCIA morei na Serafim terra, onde hoje os amigos, colegas e vizinhos não moram mais,
existia o clube SÃO LUIS, onde se jogava, ping pong, bocha, cartas,, futebol e churrascadas também bailes. terminou tudo
POR QUE?
Continuo a procurar relatar algumas fatos da época; falaram da ind. de carroças, mas também
havia uma industria, fabrica de gaiola, onde trabalhei, localizada na rua Itaboraí;AS GAIOLAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA
TER UMA AVE DE QUALQUER ESPÉCIE. TAMANHOS, ESPAÇAMENTOS, COMEDOUROS E BEBEDOUROS ADEQUADOS.
-Existiam a fabrica de rapadura, localizada na rua Guilherme Alves, produto de ótima qualidade,fabrica
de sabão, localizada na rua roque Gonzaga, fabrica de doces, localizada na trav. municipal e outras caseiras.
-No botânico, ali existia ou existe uma das maiores estufas de cactos, plantas originário de desertos,
e outros fins, quase todos os tipos, uma floresta natural ao longo de sua extensão que ant igamente termina na av.Ipiranga com Cristiano Fischer e Tibiriçá com salvador França e outras ruas. hoje foi tomada, uma parte, pelo hospital da puc, escola, ginásio
clubes, centro metereologico e residências, mesmo com a perda de vários hectares, continua cada vez mais lindo. pouco divulgado
um dos lugares mais calma pelos amantes da natureza e tranqüilidade com segurança.
-Você sabia que na vilabairro existiu um dos maiores carnavais de porto alegre, inclusive tendo elegido
a rainha do carnaval de porto alegre. foram realizados carnavais nas rua surupa, felizardo e barão do amazonas onde encerrou
os anos carnavalesco do povo do bairro. Tempo onde o povo podia se divertir mais nas ruas e havias blocos da alegria, onde qualquer roupa era fantasia.
-Você sabia, que nos anos 60\70 havia feiras livre, localizada na rua Itaboraí, entre a salvador Franca e Serafim terra, onde ali se encontrava quase todos os residente da vila\bairro, com o passar dos anos, foi absorvidas pelas
grandes redes de supermercados, sendo quase extinto esse meio de comercio.
NOS ANOS 90 E SÉCULO, HOUVE UMA TENTATIVA DE REATIVAR COM A FEIRA DOS FRUTOS E
HORTIGRANJEIROS, na mesma rua, nas a burguesia ali existente boicotaram, realizando varios abaixo assinados, guase que
expulsaram os feirantes, que foram colocados agora na RUA felizardo furtado.
você sabia que existia uma delegacia de policia na vila\bairro nos anos 50 a 60, hoje nada, a muito
custo um posto da brigada militar.
você sabia que havia 2 a 3 clubes sócias na vila\bairro e hoje.?
VOCÊ JÁ OUVIA FALAR NO CLUBE RECREATIVO AMERICANO, ele existe;ONDE?TEM LOCALIZAÇÃO? TEM SÓCIOS? TEM PRESIDENTE? ONDE ESTA.......!
Na minha juventude anos 60\70 ainda existia alguns campos de futebol, aos sábados era concorrido
as disputados, para as famosas beladas, no campinho na esef, começa meio dia ia até oito da noite.
Você sabe o que e reunião dançantes, isto era realizados quase todos fins de semanas nas casas
dos colegas, onde bebidas de álcool era proibidos, somente refrigerantes e salgados.
Hoje se fala muito em DJ, pois nos anos 60\70 existia uns dos maiores , SATURNO HI FI, maior
discotecário, quase uma bando de sons. e luzes. aminava os grande bailes no AMERICANO e outros clubes, festas, casamentos
e outros. acho que possui uma das maiores coleções de discos fitas de musicas de todos os gostos, seu Saturno é vivo
ainda, perto de 90 anos, continua fanático por música, deve estar fazendo outra coleção agora de cds, acho.
houve uma turma de jovens, que gostavam de futebol, que fundou um dos melhores time de futebol,
jogadores somente residente no bairro. com idade entre 15 a 20 anos, o primeiro fardamento foi feito de sacos e açúcar
foram tingidos pela dna Antonia, e as camisetas feita pela dna Isaura,ambas vivas, as cores da camiseta eram verdes,
posteriormente apos varios jogos, conseguimos adquirir um fardamento completo, camiseta, calção e meias, de cor branca.
onde surgiu o nome do time JUVENTUS, JOGAMOS VÁRIOS jogos em nosso cAMPO UNIVERSAL, HOJE SUPERMERCADO
BOURBON, FICAMOS quase que 50 jogas sem perder ao longo de quase dois anos, jogos em viamão, alvorada, e outros campos, nossa sede, era na garage do treinador sr. Cloro, que orientava estes atletas, Leandro,Luis(goleiros)Beto, rude(lat. dir)
Joel(zag.cent)HELIAR(quart zag)Gerson(lar.esq)Milton(Centro médio) ferrinhos(meio esq)Ademir(meia dir),negrinho(ponta dir)
joão Carlos(centro avante),NEGO(ponta esq) e outros como, Vilmar,Cleber,marinho,Juarez, Danilo, etc.
você sabia que no bairro havia uma das maiores industria de doces do rs=vontobel sa. no passado
estava localizada na rua trav.municipal, seu proprietário gostava de festas, principalmente juninas, onde havia fogueiras, e farta
distribuição de comidas e bebidas.
O BAIRRO JÁ CRESCIA BASTANTE ANTES, DEVIDA SUA LOCALIZAÇÃO, PERTO DO CENTRO,
BAIRRO CLASSE MEDIA =BAIXA E RESIDENCIAL, AGORA OUTROS TEMPOS; NÃO HÁ MAIS CAMPOS DE FUTEBOL.
CLUBE SOCIAIS,INDUSTRIAS, FEIRAS, CABARÉS; AGORA ELITE, MOTÉIS DE LUXO, EDIF. NOBRES, BANCOS,
SUPERMERCADOS DE LUXOS, LOTAÇÃO, PERIMETRAL E OUTROS........
.
*VIVA OS MORADORES DO JARDIM BOTÂNICO*

EM TEMPO; DESCOBRIRAM QUE SOU...........

GRATO
JOEL MARQUES DUARTE, morador da rua Itaboraí, Jardim Botânico

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Carlos Nobre deixou saudades

José Evaristo Villalobos Júnior - mais conhecido como Carlos Nobre - faleceu no dia 16 de dezembro de 1985 e deixou saudades em quem tem hoje mais de meio século de vida. Natural de Guaíba, Nobre foi, sem dúvida, o maior humorista gaúcho depois do Barão do Itararé, ou talvez até rivalizasse com ele. Sua página na Zero Hora, sempre com fotos de muitas mulheres bonitas e preferencialmente com pouca roupa, era a mais lida do jornal. Suas tiradas e aforismos hilários misturam o humor gaiato do povo com a crítica social e a sofisticação da inteligência crítica. Por exemplo, nada mais atual do que esta, de um humor amargo: "Já está na hora do Brasil voltar a brincar de "pega ladrão". 
Nesta reprodução da Revista do Globo, de abril de 1961, Nobre aparece assinando o contrato de sua renovação com a Rádio Gaúcha, já que era um humorista completo, de jornal, rádio e televisão.(V.Minas) 
Nem faz tanto tempo assim: era o final de 1994, Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha tomado posse como novo presidente e o Brasil se preparava para receber a rede mundial de computadores em seu território, a Internet. Em uma época em que os computadores eram, pelos padrões atuais, pesadas geringonças domésticas e que o "disquete" reinava como última palavra em tal tecnologia, a nova ferramenta prometia um "paraíso para quem precisa de informações". Já antevista como um salto para o futuro, a Internet - vejam só - contava com apenas 30 milhões de usuários em todo o mundo e talvez nem mesmo os mais otimistas imaginariam que se transformaria no que é hoje. A revista Veja, em 21 de dezembro daquele ano, publicou esta matéria intitulada "uma janela para o mundo". Note-se que o acesso era feito por telefone.(V.M.)

Terceira Perimetral